quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Saramago, Arthur e outros mitos!

Confesso ser fã de carteirinha do escrito português, prêmio nobel de literatura, José Saramago. E pra variar, a entrevista de lançamento de seu mais novo livro (Caim - pela Editora Cia das Letras ao custo de 36 reais) que aliás eu recomendo, o velho mais uma vez incendiou conceitos.
Vou reproduzir alguns trechos da entrevista que a Zero Hora publicou dia 21 passado,  para depois escrever sobre os mitos, que serão meu assunto de hoje.

" Caim é um livro escrito contra toda e qualquer religião. Ao longo da história, as religiões, todas elas, sem exceção, fizeram à humanidade mais mal que bem. Todos sabemos, mas não extraímos daí a conclusão óbvia: acabar com elas. Não será possível, mas ao menos tentemo-lo. Pela análise, pela crítica implacável. A liberdade do ser humano assim o exige."

Prossegue o escritor de 87 anos:

" Deus não existe fora da cabeça das pessoas que nele creem. Pessoalmente, não tenho nenhuma conta a ajustar com uma entidade que, durante a eternidade anterior, ao aparecimento do universo nada tinha feito (pelo menos não consta) e que depois decidiu sumir-se não se sabe onde. O cérebro humano é um grande criador de absurdos. Deus é o maior deles."

Então falemos hoje de mitos.
Para os estudiosos de mitos  e folcloristas, entre os quais eu destaco o Nico Fagundes, os mitos são cósmicos, ou seja universais e atemporais. Não se localizam no tempo e no espaço. Referem-se normalmente a fatores fenomenológicos como a natureza e suas forças, a criação do mundo, do homem e da mulher, o bem e o mal e etc.
Os mitos nada mais são do que histórias de um certo lugar contadas pelo seu próprio povo. O povo conta seus mitos para fazer a sua autobiografia e para eternizar suas memórias. Os mitos são depoimentos feitos sobre si e para si mesmo, portanto, a rigor, trata-se de uma confissão e a Igreja descobriu a importância do confessionário muito antes que o Freud criasse a psicanálise que inventou o divã do analista.
Ou seja, depor sobre nós mesmos é catártico.
Não sendo folclorista, acredito que desde que descemos daquela primeira árvore primitiva, começamos a criar mitos na medida em que cresciam nossas perdas e ficavam cada vez mais evidenciadas nossas fraquezas e nossos limites.
Precisávamos de um pai super poderoso, que ilimitado nos impusesse limites e nos oferecesse a metáfora da eternidade, uma vez que não conseguíamos combater a morte.
Criamos Deus. Com ele surge sua antítese, quase seu alter-ego, ou seja o Diabo.
E depois a coisa continuou. Querem ver??
A Inglaterra é campeã de mitos  que surgiram em decorrência da opressão que assolou a história do bretãos. A Bretanha ocupada por Roma precisava de um mito. Criou-se Arthur e seus cavaleiros da távola redonda. Arthur, ou Artourius, guerreiro bretão romanizado, haveria de surgir para libertar o povo do invasor e para evitar invasões futuras, principalmente dos povos do norte (germânicos, etc...) .
Depois, com a Inglaterra orfanizada pelas aventuras do Rei Ricardo na terra santa, criou-se o mito de Robin Hood. O pai do pobres, justiceiro e paternalista, pois aos filhos dava o pão.
Pessoalmente, acho que Arthur encantou-se mais com as curvas da bretã Guenevere do que com as colunas de Roma e por isso ficou por lá. E Robin, deve ter sido um dos tantos ladrõezinhos populistas que aparecem sempre que o povo fica orfão de pai e mãe. Até hoje existe né??? ou não??
Bem...tem um outro mito que surgiu igualmente no seio de um povo invadido e dominado por Roma.Mas este, não tinha armas nem era douto nas artimanhas da guerrilha. Contudo, era um enviado por obra e glória do senhor de todos os mitos, tendo inclusive nascido de uma virgem, vivido como milagreiro e com poderes de cura sobre todos os males, e morrido para que todos vivessem, ressucitando no terceiro dia.
Enfim... ainda precisamos muito de mitos. Somos cada vez mais órfãos que desacreditam na própria evolução.
Esse Saramago é doido...risos
Fraterno abraço
André         


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Vegetal que Vota!

Leio que na Finlândia, as autoridades legislativas chegaram a conclusão de que ter acesso à internet com conexão em banda larga, é um direito de todos, e para que tal direito se efetivasse, aprovaram uma lei (sem contestações) positivando a intenção.
Ou seja, na Finlândia, TODOS estão conectados... gratuitamente.
Detalhe: Antes mesmo da aprovação da lei, o governo já tinha providenciado no pleno cumprimento do dito legal.
Na constituição brasileira de 1988, o artigo 5º prevê os direitos do cidadão, e entre outras  coisas, lá está escrito que todo brasileiro deve viver com dignidade, com suas necessidades básicas absolutamente atendidas.
Outro detalhe: Necessidades básicas entende-se que engloba, alimentação decente, estudo, cultura, saúde, segurança, acesso à justiça e, inclusive lazer.
Não sou advogado, mas por não ser um vegetal, me pergunto:
Porque isso está escrito lá na Constituição???
Porque escreveram e elaboraram uma lei (a principal do país), que sabiam ser impossível(?????) de cumprir e passados mais de 20 anos torna-se cada vez mais improvável??
E é por isso que questiono. E questionar já está passando do limite de ser saudável e me surge como uma tarefa torturante.
Devo continuar questionando, ou devo me mudar para a Finlândia???
Optei por continuar questionando, e em vésperas de eleições prometo que vou encher o saco dos candidatos com os quais me identifico e acredito.
Vou entupir suas caixas de emails, e vou acessar rotineiramente seus blogs e sites.
Não vou desistir de quem sabe, deixar de ser o vegetal que vota!
Fraterno abraço
André      

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Balada para un loco!

Sexta Feira... o frio voltou ao Rio Grande. Desejo à todos  um bom final de semana, e que o tango do Piazzolla inspire nosotros. Deixei a tradução em português logo abaixo da versão original, que foi feita na década de 70. Recomendo o vídeo do you tube que aparece Valeria Lima em Balada para un loco.
Fraterno abraço
André

BALADA PARA UN LOCO

(Astor Piazzolla/Horácio Ferres)


Las tardecitas de buenos aires tiene ese qué sé yo, ¿viste?
Salgo de casa por arenales, lo de siempre en la calle y en mí,
Cuando de repente, detrás de ese árbol, se aparece él,
Mezcla rara de penúltimo linyera y de primer polizonte
En el viaje a venus. medio melón en la cabeza,
Las rayas de la camisa pintadas en la piel,
Dos medias suelas clavadas en los pies,
Y una banderita de taxi libre en cada mano... ja...ja...ja...ja...
Parece que sólo yo lo veo, porque él pasa entre la gente
Y los maniquíes me guiñan, los semáforos me dan tres luces celestes
Y las naranjas del frutero de la esquina me tiran azahares,
Y así, medio bailando, medio volando,
Se saca el melón, me saluda, me regala una banderita
Y me dice adiós.


Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao,
No ves que va la luna rodando por callao
Y un coro de astronautas y niños con un vals
Me baila alrededor...
Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao,
Yo miro a buenos aires del nido de un gorrión;
Y a vos te vi tan triste; vení, volá, sentí,
El loco berretín que tengo para vos.

Loco, loco, loco, cuando anochezca en tu porteña soledad,
Por la ribera de tu sábana vendré, con un poema
Y un trombón, a desvelar tu corazón.
Loco, loco, loco, como un acróbata demente saltaré,
Sobre el abismo de tu escote hasta sentir
Que enloquecí tu corazón de libertad, ya vas a ver.

Y así el loco me convida a andar
En su ilusión súper-sport,
Y vamos a correr por las cornisas
Con una golondrina por motor.
De vieytes nos aplauden: viva, viva...
Los locos que inventaron el amor;
Y un ángel y un soldado y una niña
Nos dan un valsecito bailador.
Nos sale a saludar la gente linda

Y el loco, pero tuyo, qué sé yo, loco mío,
Provoca campanarios con su risa
Y al fin, me mira y canta a media voz:
Quereme así, piantao, piantao, piantao...
Trepate a esta ternura de loco que hay en mí,
Ponete esta peluca de alondra y volá, volá conmigo ya:
Vení, quereme así piantao, piantao, piantao,
Abrite los amores que vamos a intentar
La trágica locura total de revivir,
Vení, volá, vení, tra...lala...lara...
......................................................................................................

Num dia desses ou, numa noite dessas
você sai pela sua rua ou, pela sua cidade ou,
ou, sei lá, pela sua vida, quando de repente,
por detrás de uma árvore, apareço eu!!!
Mescla rara de penúltimo mendigo
e primeiro astronauta a pôr os pés em vênus.
Meia melancia na cabeça, uma grossa meia sola em cada pé,
as flôres da camisa desenhadas na própria pele
e uma bandeirinha de táxi livre em cada mão.
Ah! ah! ah! Você ri... você ri porquê só agora você me viu.
Mas eu flerto com os manequins,
o semáforo da esquina me abre três luzes celestes.
E as rosas da florista estão apaixonadas por mim, juro,
vem, vem, vamos passear. E assim meio dançando, quase voando eu
te ofereço uma bandeirinha e te digo:

Já sei que já não sou, passei, passou.
A lua nos espera nessa rua é só tentar.
E um coro de astronautas, de anjos e crianças
bailando ao meu redor, te chama:
vem voar.

Já sei que já não sou, passei, passou.
Eu venho das calçadas que o tempo não guardou.
E vendo-te tão triste, te pergunto: O que te falta?
...talvez chegar ao sol, pois eu te levarei.

Ah! Ah! Ah! Ah!

Louco, louco, louco! Foi o que me disseram
quando disse que te amei.
Mas naveguei as águas puras dos teus olhos
e com versos tão antigos, eu quebrei teu coração.

Ah! Ah! Ah! Ah!

Louco, louco, louco, louco, louco! Como um acróbata demente saltarei
dentro do abismo do teu beijo até sentir
que enlouqueçi teu coração, e de tão livre, chorarei.
Vem voar comigo querida minha,
entra na minha ilusão super-esporte,
vamos correr pelos telhados com uma andorinha no motor.

Ah! Ah! Ah!

Do Vietnã nos aplaudem: Viva! viva os loucos que inventaram o amor!
E um anjo, o soldado e uma criança repetem a ciranda
que eu já esqueci...
Vem, eu te ofereço a multidão, rostos brilhando, sorrisos brincando.
Que sou eu? sei lá, um... um tonto, um santo, ou um canto a meia voz.

Já sei que já não sou, nem sei quem sou.
Abraça essa ternura de louco que há em mim.
Derrete com teu beijo a pena de viver.
Angústias, nunca mais!!! Voar, enfim, voaaaarrr!!!

Ama-me como eu sou, passei, passou.
Sepulta os teus amores vamos fugir, buscar,
numa corrida louca o instante que passou,
em busca do que foi, voar, enfim, voaaaarrr!!!

Ah! Ah! Ah! Ah!...

Viva! viva os loucos!!! Viva! viva os loucos que inventaram o amor!

Viva! viva! viva!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Oprimidos pelo Descaso!

Hoje dia do Professor. 
Parabéns à todos meus amigos que ensinam cidadania, mesmo que aos trancos e barrancos, oprimidos pelo descaso e pela falta de respeito.
Dedico à todos vocês, um texto que escrevi à cerca de 1 ano, e que foi inspirado nas professoras de minha infância.


Os guris de hoje!

Na minha atividade clínica atendo adolescentes!
Fico atento e maravilhado com cada história, com cada aventura, e não raramente preocupado com o quanto as coisas mudam, e sobretudo na velocidade em que as coisas mudam.
Minha infância e adolescência parecem ser coisas pré históricas, e mesmo sendo do século passado, isso não faz tanto tempo...
Lembro da primeira professora, amor primeiro meu (???) ....
Omito o nome, pois nada mais sei dela, mas lembro que nutria uma paixão ambígua que se mesclava entre o medo e a admiração. Pura paixão....risos... medo e admiração...risos...
Lembro da segunda professora, meu amor inesquecível que omito o nome pelos mesmos motivos...
Há poucos dias, retornando à cidade de minha infância, depois de virado o século, passei em frente ao lugar onde ela morava e me lembro que tinha uma oficina de artes onde aprendi (?) a entalhar pedaços de cheiroso cedro...
Aos 9 anos ao jurava saber amar aquela mulher que me fazia entrar 3 ou 4 vezes na fila do beijo no final da aula...
E era tão bom exagerar nos perfumes do pai ou da mãe, pra agradar a professora...
Adolescente, minha forma de encantar as paixões docentes, era tentando saber. Aos 13 virei comunista, elegi o Chê como meu herói, usava chinelos de couro feitos pelos artesãos da rua da Ladeira, e juro: Comecei a ler Marx e Hegel para encantar a professora de história!
Ao ouvir meus guris de hoje, penso que posso ter sido duas coisas na minha infância e adolescência do século passado: Ou um precoce romântico com um édipo mal elaborado; ou um retardado reprimido pela ditadura e suas reformas famigeradas do ensino brasileiro!
Bem... pra mim são doces lembranças e penso que desejo que aquelas mulheres de minha vida, tenham sido tão amadas quanto eu pensava que mereciam...
Quanto aos guris de hoje, posso dizer que virei motivo de muita graça quando lhes confessei que um dia, lá no século passado, entrava 3 ou 4 vezes na fila do beijo no final da aula...

Fraterno abraço
André

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Combustíveis da Escravidão!

Vamos deixar bem claras algumas questões.
Independente de minhas convicções pessoais, num exercício de pura democracia, vou esclarecer algumas coisas relacionadas com meus escritos que citam as questões religiosas.
NUNCA fiz alguma menção contra a espiritualidade das pessoas, e acredito que quem o faz, fere aspectos que para mim são peremptoriamente INTOCÁVEIS, como por exemplo a liberdade de expressão ampla e irrestrita, o livre pensamento, e de modo geral, A LIBERDADE.
Nunca escondi minha convicção agnóstica, e se a tenho, isso se deve a inúmeras razões e até acho que a principal delas tem a ver com minha atividade clínica que, no meu caso é a prioridade de minha vida. Mesmo quando escrevo, aqui ou em outros escritos, nunca abro mão de priorizar a atividade inerente ao meu ofício que se propõe a identificar sintomas e tentar amenizar as dores da alma.
Nestes anos todos tenho repetido aos meus pacientes: Dai à Cesar o que é de Cesar e dai à deus o que é de deus, e no caso eu sou Cesar.
Sendo integrativo, acredito que tudo que possa ajudar em tratamentos clínicos são coisas bem aceitas. Não me importo de ter ajuda de médiuns, pais de santo, xamãs, etc se qualquer um deles somar na recuperação de um paciente escravizado pelo crack ou por qualquer outro demônio que escravize uma alma.
Entretanto...
Abomino qualquer tipo de escravidão. Isso inclui:
- Rituais que transformam depressivos em zumbis;
- Qualquer tipo de hierarquia religiosa (dogmas, leis hamurábicas, etc) ;
- Sectarismo (ninguém é mais divino do que ninguém);
- Preconceito ( se existe o deus de Abraão, existe também o deus dos terreiros africanos), e
- Mais um monte de coisas....
Abomino ainda, tudo aquilo que interfira no livre arbítrio em nome de algo ou alguém que em tese estaria acima do bem e do mal.
Abomino a venda de lotes  no paraíso, assim como a penitência que em alguns casos permitem até mesmo a tortura como forma de purificação.
Enfim...se ainda não me fiz entender por alguns (que ao meu juízo precisam de terapia), sinto muito, mas me recuso a compactuar na transformação do valioso bem estar espiritual, em uma histórica e perigosa rede perversa que utiliza a fé como combustíveis da escravidão e da dependência.
Fraterno abraço
André            

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Os Pigmeus do Boulevard!

Deu no Jornal Nacional:

"Famílias acampam no acostamento da rodovia, e levam seus filhos para receberem os presentes que os transeuntes lhes jogavam em comemoração ao dia da criança! No afã de receber o seu presente, menino de 9 anos morre atropelado."

Eu vi isso. Juro que vi... e fiquei pensando...e acho que vou ser odiado por muitos quando acabarem de ler a publicação de hoje...Tudo bem... me aventuro ao risco.

Muitos devem ter sentido que aquelas pessoas que dirigiam pela Via Dutra e jogavam brinquedos baratos e doces (que jamais serviriam aos seus filhos) eram fiéis cristãos que, embuídos do espírito da caridade e da fraternidade (fala sério!!!!!!), estavam agraciando os menos favorecidos depois de terem participado de alguma romaria do dia da Aparecida - Padroeira do Brasil.
Tenho cá comigo, que isso deveria ser caso de polícia! E acho que o Ministério Público e os Conselhos Tutelares deveríam adotar medidas contra os adultos que proporcionam esse tipo de festival de perversão que destroem cada vez mais o desenvolvimento da alma humana.
E juro, que jamais vou achar graça quando o presidente do meu país classificar galinha como mamífero!
Enfim...
12 de Outubro da criança e da Senhora santa, padroeira do Brasil.
Vi pela TV milhares de barões famintos e Napoleões retintos ralando seus joelhos por cada paralelepípedo da velha cidade, e depois da santa procissão, jogaram oferendas aos pigmeus do boulevard....
Lembrei de um episódio que aconteceu com o Freud, que depois de publicado uma de suas obras (Totem e Tabu de 1913) recebeu uma carta de um jovem médico americano que dizia mais ou menos o seguinte:

" Prezado Dr Freud! Tenho acompanhado de há muito seu trabalho e lhe confesso que a técnica da psicanálise tem me ajudado a entender muito as questões clínicas de meus pacientes. Contudo lhe confesso, que não concordo com o senhor quando os seus escritos, por via de consequência, negam a existência e a grandeza de deus. Veja o senhor, que dia destes, pude perceber a existência de deus quando em minha ronda pelo necrotério do hospital, me deparei com uma senhora morta. Pois bem... aquela senhora, deitada na fria lage, mantinha em seu rosto uma expressão de completa felicidade e satisfação mesmo estando morta. Aquilo Dr Freud... foi meu encontro com deus, que na sua grandeza transformou a morte em um momento de felicidade. Portanto, sou prova viva da existência de deus e de sua onipresença."

O Freud, já naquela época sem muito saco e ainda sem as dores do câncer, respondeu ao jovem médico americado:

"Prezado jovem colega!
Agradeço seu interesse no trabalho que realizo e que tem por objeto principal, entender e amenizar as dores da alma.
Em virtude disso, recomendo-lhe que além de estudar meus escritos, o senhor busque auxílio com algum psicanalista (já existem alguns no seu país) para verificar a questão do seu complexo de édipo, que provavelmente foi mal elaborado e isso pode lhe causar sofrimentos psíquicos. 
Sinto lhe informar, que o evento no necrotério não foi seu encontro com deus, e sim uma provável manifestação inconsciente do senhor querer comer e satisfazer sua mãe!
Com respeito
Sigmund Freud"

Bem... isto posto, acho que seria bom se todos nós soubessemos o verdadeiro significado do nosso gesto de supostas penitências e de quando jogamos misérias aos famintos acampados no acostamento.

Fraterno abraço
André             


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Gracias a la vida.

Foi uma semana triste.
Acordei no domingo e pensei que seria um lindo dia, afinal os jasmineiros floridos e perfumados parceriavam as primaveras, roseiras e orquídeas do meu jardim, e todas a plantas me saudavam naquele início de dia primaveril.
Do rio vinha uma suave brisa matinal, e o sol prometia um domingo em tecnicolor.
Mate pronto, fui me conectar com as coisas do mundo. Já no primeiro gole, o amargo  na boca não era da seiva verde... A primeira notícia matutina nebulou o meu início de domingo. Mercedes Sosa tinha morrido em Buenos Aires.
Faz pouco mais de um ano quando vi o último show de "la negra" aqui no Rio Grande.
Ela cantou todo o show sentada. Sabia-se de seu estado debilitado... mas que show!!!
A mesma força de voz e espírito do primeiro show dela que eu vi lá em 1980 no gigantinho, quando obscuras atividades repressoras tentaram deter o grito libertário de Mercedes. Não conseguiram. Ela própria acalmou o público e fez o show.
Se foi a alma cantora tucumana...
"Gracias a la vida", que me deu vida para ter ouvido nesses últimos 30 anos Mercedes Sosa.
Semana braba... estou triste...!
Fraterno abraço
André

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Gozando com "Pinto Olímpico"!

Tá certo. Tudo bem. Dei uns dias para que todos(??) nós festejássemos a escolha do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016.
Entretanto, acho que quem escreve ou se comunica de um modo geral, tem por obrigação emitir opinião e conceitos, para que quem recebe tais informações, possa de alguma forma ou de outra formar opinião e conceitos próprios, com a certeza de que quem escreve ou opina não é o dono da verdade e nem senhor de qualquer razão. Nem da própria razão as vezes.
Portanto vejamos os fatos:
Históricamente verifica-se que governantes não tão bem intencionados, utilizaram-se do "espírito olímpico" e do ufanismo que ele proporciona, transformando muitas vezes atletas consagrados em "garotos propaganda" de um sistema de muitos questionamentos.
O Hitler fez da Olimpíada de Berlim, um evento chancelador da sua política segregacionista e de divulgação do odioso III Reich.
Mas adiante, pra falar da prata da casa, o governo ditatorial do general Médici, gozou com o pinto alheio transformando o Pelé e o time de ouro (campeão da Copa de 70) em divulgadores do "Brasil ame-o ou deixe-o", enquanto os que se manifestavam contra a ditadura morriam no pau nos porões da tortura do Dops.
A Elis Regina se manifestou na Suíça (ingenuamente) pensando que não seria ouvida à distância pelos ouvidos da "dita", dizendo que o Brasil era governado por gorilas. Teve que cantar na marra o Hino Nacional na abertura das Olimpíadas do Exército em 1972, regendo inclusive, milhares de gorilinhas.
Mas... festejemos pois, o Rio 2016...
Agora..."eu que não creio, peço à deus por minha gente", como disse o Chico Buarque.
Porque???? Bem... acho que já tem gente gozando com "pinto olímpico" antes mesmo de começar a gastar os 25 bilhões previstos no orçamento.
Ou não???
Fraterno abraço
André      

sábado, 3 de outubro de 2009

E que a minha loucura seja perdoada!

Conheci o Oswaldo Montenegro em 1997, e me confesso que tietei. Sempre fui fã do menestrel, e tive a oportunidade de confraternizar e ficar amigo de um ídolo.
Mas independente de amizade ou mesmo de gosto pessoal, vamos concordar que o Oswaldo é dos grandes da música brasileira.
Neste sábado, dia de descanso e de festa, publico o poema do Oswaldo, desejando um bom fim de semana à todos.
Fraterno Abraço
André

Metade

Composição: Oswaldo Montenegro


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio


Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.


Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.


Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.


Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.


Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.


Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.


Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.


E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Novo Sempre Vem!

E chegou outubro. No próximo dia 9, nosso blog completa 1 ano. Estou feliz, afinal já são mais de 2000  acessos, e acho que estou fazendo aquilo que objetivei quando O Criador e a Criatura foi criado.
Pensei em republicar neste mês de aniversário, aquelas postagens que mais gostei. Mas mudei de idéia sobretudo, porque gosto de todas e afinal, aos interessados é só dar uma navegada pelo blog pois todas as publicações estão arquivadas. Todos tem acesso. E afinal, como diria nosso filósofo pós moderno e reaparecido no pampa uruguaio - Belchior, " O novo sempre vem"!
À propósito do novo, tenho ouvido uma nova figura na música brasileira e recomendo. Trata-se de Maria Gadú. Vale a pena.
Mas fico morrendo de medo, pois para cada Maria Gadú que aparece, pelos meus cálculos surgirão 10 bandas Calypso, 20 duplas com chapéu de cowboy e calça apertada, 4 padres cantores galãs, e um sem fim de bandas de pagode, axé pornô, etc, etc, etc....

Fraterno abraço

André