sexta-feira, 22 de maio de 2026

TRAUMA NARCÍSICO E DEPENDÊNCIA


Havia algo de estranho naquela mulher que todos admiravam.
Ela tinha títulos, reconhecimento, currículo impecável, fala segura, uma inteligência que organizava salas inteiras. Quando entrava em uma reunião, as pessoas silenciavam. Sabia argumentar, escrever, analisar, prever cenários complexos. Era dessas pessoas que parecem carregar dentro de si uma espécie de mapa secreto do mundo.
Mas chegava em casa e entregava a própria vida nas mãos de um homem incapaz de administrar a própria desordem.
Ele decidia tudo.
As contas. Os investimentos. Os riscos. As dívidas. Os empréstimos feitos às escondidas. As apostas travestidas de “grandes oportunidades”.
E ela assistia.
No começo, talvez tenha chamado aquilo de confiança. Depois, parceria. Mais tarde, casamento. Até que um dia já não havia mais palavras nobres para nomear o que acontecia dentro daquela casa silenciosa.
Havia apenas ruína.
O curioso é que a destruição nunca chega de uma vez. Ela vem em prestações emocionais. Primeiro um negócio que dá errado. Depois outro. Depois a venda de algo importante. Depois o dinheiro que desaparece sem explicação. Depois o medo de abrir o aplicativo do banco.
Até que a pessoa percebe que não perdeu apenas patrimônio.
Perdeu chão.
Ela, que ensinava teoria, já não conseguia decidir sobre a própria vida prática. Falava com clareza sobre estruturas sociais complexas, mas tremia diante da possibilidade de confrontar o marido. Como pode uma mulher tão brilhante suportar tamanho desastre?, perguntavam os amigos em silêncio.
Mas ninguém entende que inteligência e desamparo não se anulam.
Há pessoas muito cultas emocionalmente abandonadas.
E talvez a tragédia verdadeira nem tivesse começado nas finanças.
Começou no dia em que a mãe morreu.
A mãe era uma dessas presenças discretas que sustentam um mundo inteiro sem que ninguém perceba. Não resolvia os problemas, mas fazia algo mais importante: confirmava a existência da filha. Quando tudo parecia ruir, bastava a voz da mãe ao telefone para reorganizar minimamente o caos interno.
Depois que ela partiu, a casa ficou mais fria. O marido ficou maior. E a solidão ficou imensa.
Há perdas que não retiram apenas pessoas. Retiram continentes emocionais.
Foi então que as crises começaram.
Não exatamente crises financeiras. Essas já existiam havia muito tempo. O que surgiu foi outra coisa: uma sensação de que a vida inteira estava escorrendo pelas mãos e ela não conseguia impedir.
Dormia pouco. Chorava escondida. Sentia vergonha. Vergonha principalmente da própria submissão.
Porque o sofrimento intelectualizado tem um requinte cruel: a pessoa entende perfeitamente o que está acontecendo consigo. Ela analisa a própria prisão enquanto continua dentro dela.
Sabia que ele errava. Sabia que ele destruía tudo. Sabia que precisava interromper aquilo.
Mas havia dentro dela uma criança antiga apavorada diante da ideia de ficar sozinha.
E talvez seja esse o grande equívoco humano: acreditar que dependência é falta de inteligência.
Não. Dependência é medo.
Medo do abandono. Medo do vazio. Medo de existir sem alguém que organize o mundo por nós — ainda que esse alguém esteja nos destruindo.
Com o tempo, ela começou a perceber algo doloroso: o marido controlava o dinheiro, mas o verdadeiro controle era outro. Ele administrava seu sentimento de segurança. E quem controla o medo de alguém controla quase tudo.
A terapia começou devagar.
No início, ela queria apenas aprender a “lidar melhor com o estresse”. Como quase todos que chegam ao consultório querendo salvar a estrutura que os adoece.
Depois vieram as perguntas difíceis.
Por que uma mulher tão capaz precisava entregar a vida para alguém tão incapaz? Quando começou a confundir amor com submissão? Por que o desastre parecia menos assustador que a separação?
Não existem respostas rápidas para perguntas que nasceram na infância.
A análise não lhe devolveu imediatamente o dinheiro perdido, nem ressuscitou a mãe, nem transformou o marido em outro homem. Mas começou a lhe devolver algo talvez ainda mais raro:
a própria voz.
E recuperar a própria voz, depois de anos vivendo dentro do medo, é uma forma silenciosa de renascimento.
Porque há pessoas que não precisam aprender a pensar.
Precisam aprender que podem existir sem pedir permissão emocional para isso.

Fraterno abraço 

André Lacerda - Psicanalista 

sábado, 17 de janeiro de 2026

Nao Estou feliz, é certo. Mas....

 Eu não sou perverso ao ponto de ter prazer vendo um ser humano preso. Nem que seja numa "cela" de mais de sessenta metros quadrados com todos os cuidados necessários pra uma vida digna e de conforto (que a imensa maioria dos brasileiros "livres " não tem).

Eu não sou coveiro, e mesmo que fosse, não zombaria e nem seria indiferente ante a morte de seres humanos .

Eu não sou torturador, e abomino a tortura, quem a defende e que louva torturadores e fascistas de um modo BEM geral da história humana e brasileira.

Eu não sou omisso pra querer e permitir que criminosos de TODOS os gêneros fiquem impunes. 

Dito isso...

Não estou feliz com a prisão de ninguém, sobretudo porque vivemos num país sem perspectiva de ressocializacao e métodos sócio educativos.

Mas...

Falta ainda trazer à luz os crimes da pandemia,os crimes das joias, e mais os tantos que não vou citar.

Fraterno abraço 

André Lacerda - Psicanalista 





segunda-feira, 26 de maio de 2025

Compulsão ao jogo sob a ótica psicanalítica: um olhar clínico.


A compulsão ao jogo, ou jogo patológico, é uma forma contemporânea de sofrimento psíquico que se manifesta por meio de uma repetição insistente e autodestrutiva, muitas vezes incompreensível para o próprio sujeito. No campo da psicanálise, tal fenômeno não é reduzido a um transtorno de controle dos impulsos, como frequentemente propõe a psiquiatria, mas é abordado como um modo singular de subjetivação, enraizado em conflitos inconscientes, na economia pulsional e na relação do sujeito com o desejo e com o gozo.

 Repetição e pulsão de morte:

Freud, em Além do princípio do prazer (1920), introduz a noção de repetição compulsiva como manifestação da pulsão de morte. A ação compulsiva não visa a obtenção de prazer, mas a repetição de uma cena originária traumática, na qual o sujeito busca, sem sucesso, uma possibilidade de domínio. (FREUD, Sigmund. Além do princípio do prazer (1920). In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v. XVIII. Imago.)

Nos casos clínicos, observa-se que a repetição da perda no jogo aparece como um modo de reafirmar um destino inconsciente, frequentemente vinculado à culpa ou à necessidade de punição — aspectos já sugeridos por Freud em O eu e o id (1923).

Aposta, risco e gozo:

A psicanálise lacaniana amplia esse campo ao introduzir o conceito de gozo (jouissance), que não se confunde com prazer. O gozo é uma forma de satisfação que inclui o sofrimento e que excede o domínio simbólico. (LACAN, Jacques. O seminário, livro 7: A ética da psicanálise (1959-1960). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997.)

O jogo compulsivo aparece, então, como um ato de gozo, onde o risco e a tensão proporcionam ao sujeito uma excitação que está mais próxima da pulsão de morte do que do princípio do prazer.

 Função subjetiva do jogo

A escuta clínica mostra que o jogo pode ser um equivalente simbólico precário, ocupando o lugar de algo que falta ao sujeito: uma função paterna não simbolizada, um ideal em colapso, uma perda originária não elaborada. (NASIO, Juan-David. Os grandes casos de neurose em Freud: histeria, obsessão, fobia. Martins Fontes, 2001.)

Nasio aponta que o sintoma pode funcionar como uma “resposta subjetiva” a um impasse com o desejo do Outro.

Em muitos relatos clínicos, os jogadores descrevem o ato de jogar como uma “necessidade”, como algo que escapa ao controle da vontade — sinal de que o sintoma está a serviço da economia pulsional.

Dimensão estrutural:

O jogo compulsivo pode se inscrever nas três grandes estruturas clínicas:

Na neurose, aparece como sintoma, acompanhado de angústia e culpa. O sujeito joga, se arrepende, mas repete.

Na psicose, pode estar inserido em uma construção delirante. A aposta pode adquirir valor místico ou persecutório.

Na perversão, o jogo pode funcionar como montagem fetichista, erotizando a perda ou a transgressão da lei. (MILLER, Jacques-Alain. Introdução à clínica lacaniana. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.)

MILLER destaca a importância da estrutura na direção do tratamento e na escuta do sintoma.

Intervenções clínicas:

A intervenção psicanalítica não visa à erradicação imediata do comportamento, mas sim à escuta de seu sentido inconsciente. O jogo é interrogado não apenas como um problema de conduta, mas como uma resposta subjetiva à falta. ( SZPUNBERG, Tania Rivera. A aposta do sintoma: psicanálise e compulsões contemporâneas. In: COUTINHO JORGE, M. (org.) O mal-estar na civilização revisitado. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.)

O objetivo do tratamento é permitir que o sujeito construa uma nova relação com o gozo implicado em sua repetição, promovendo a possibilidade de subjetivação do sintoma e de laço com o Outro fora do circuito autodestrutivo.

Espero que o texto ajude a quem precisa, e quem sabe, sirva de alerta aos que ainda não precisam.

Fraterno abraço!

André Lacerda - Psicanalista 



terça-feira, 20 de maio de 2025

Bebês Reborn”: Um olhar psicanalítico sobre o cuidado simbólico e o desejo inconsciente

Pessoalmente, eu acho horrível. Parece que estou vendo um feto ou ainda um recém nascido morto. Mas... vamos em frente.

Nos últimos anos, tornou-se mais comum observar mulheres adultas que adotam e cuidam de bebês reborn — bonecos hiper-realistas que imitam com impressionante fidelidade a aparência de recém-nascidos. Essas mulheres costumam dar nomes aos bonecos, compram roupas, montam quartos e, em muitos casos, os tratam como filhos reais. O fenômeno, que desperta curiosidade e até estranhamento social, pode ser analisado por diversas vertentes da psicologia. No entanto, a psicanálise oferece uma lente privilegiada para compreendermos os significados inconscientes que podem estar em jogo nesse tipo de relação.

1. O bebê como objeto transicional

Segundo Donald Winnicott, pediatra e psicanalista inglês, o objeto transicional é aquilo que permite à criança suportar a ausência da mãe e construir uma realidade interna autônoma. Embora o conceito se refira à infância, é possível pensar que, em algumas mulheres, o bebê reborn ocupa uma função semelhante: ele fornece uma ponte simbólica entre o mundo interno e a realidade externa, auxiliando na elaboração de perdas, frustrações ou vivências de abandono. Não se trata de um “delírio”, mas de uma forma simbólica de manejo da dor psíquica.

2. O desejo de maternidade e a fantasia realizada

Na perspectiva freudiana, os sintomas e comportamentos podem ser compreendidos como formações do inconsciente, ou seja, realizações deformadas de desejos recalcados. O vínculo com o bebê reborn pode surgir como tentativa de realizar um desejo de maternidade frustrado — seja por infertilidade, perda gestacional, luto ou pela ausência de oportunidade para constituir uma família. Nesse sentido, o boneco funciona como um substituto simbólico do filho real, poupando a mulher das angústias e exigências que a maternidade concreta impõe.

3. O investimento narcisista e o ideal de perfeição

O bebê real é uma fonte de prazer, mas também de frustração: ele chora, exige atenção constante, tem vontade própria. O bebê reborn, ao contrário, é passivo, está sempre “disponível”, e jamais confronta. Para a psicanálise, isso pode indicar um investimento libidinal narcisista: o outro é amado enquanto extensão idealizada do próprio eu. Não há alteridade. O boneco representa um ideal de perfeição e obediência — uma fantasia de controle absoluto sobre o objeto amado.

4. Compulsão à repetição e elaboração do trauma

Freud descreveu a compulsão à repetição como uma tendência do psiquismo a repetir situações dolorosas não elaboradas, na tentativa inconsciente de dominá-las. Algumas mulheres que recorrem aos bebês reborn passaram por experiências traumáticas — como a perda de um filho, abuso emocional ou abandono. Ao cuidar de um boneco que “não morre” e “não parte”, elas repetem simbolicamente a situação original, mas agora com um desfecho reparador. O cuidado com o reborn pode ser uma forma de dar sentido ao sofrimento passado.

5. O reborn como antídoto contra o vazio

Em um mundo marcado pelo individualismo e por vínculos cada vez mais frágeis, o bebê reborn pode aparecer como resposta subjetiva ao vazio existencial. Ele oferece companhia, rotina, função. A mulher que o adota se torna novamente “cuidadora”, “mãe”, “protetora” — papeis que conferem sentido e identidade. Assim, o boneco não é apenas um objeto inanimado, mas um catalisador simbólico de significados profuprofunosl

Por fim, importante pensar assim:

A psicanálise não busca patologizar comportamentos, mas compreendê-los em sua singularidade. Perguntar “por que alguém cuida de um bebê reborn?” é menos importante do que investigar “o que esse bebê representa para essa mulher em particular?”. Trata-se de reconhecer que há, por trás desse gesto, um universo simbólico marcado por perdas, desejos, frustrações e tentativas de reparação.

Em alguns casos, o bebê reborn pode ajudar a elaborar o luto, fornecer estabilidade emocional ou até prevenir formas mais graves de sofrimento psíquico. Em outros, pode sinalizar um funcionamento psíquico mais regressivo ou defensivo, exigindo escuta clínica atenta. Em ambos os casos, o olhar psicanalítico se debruça não sobre o julgamento, mas sobre o enigma do desejo.

Fraterno abraço!

André Lacerda - Psicanalista





domingo, 13 de abril de 2025

Autismo sob o olhar Psicanalítico.

Pois já lá se vão mais de 25 anos que tenho me dedicado quase que exclusivamente à atividades psicanalíticas e cada vez concordo mais e mais com o Freud, de que por mais que o método evolua e compreenda as subjetividades humanas, isso tudo um dia será "engolido" por novas tecnologias e "truques" de alguma magia que ainda não entendemos. Ou pelo menos nós, os jurássicos do livro de papel teremos dificuldade de entender... sei lá...

Quando iniciei minha atividade clínica, a "gravíssima" (sim...é ironia minha) Psicose Maníaco Depressiva estava sendo rebatizada. Passava a se chamar de Transtorno Bilopolar do Humor,  ou simplesmente Bipolaridade.

E virou moda...o Transtorno Bipolar era muito popular e com certeza era mais citado do que a gripe... e todo mundo ( mais uma ironia minha) era bipolar...

E tome carbonato de lítio....

Depois veio o borderline, e antes que eu fique sintomático, vou parar por aqui.

Agora tem a febre do Autismo. Não que qualquer coisa que se fale seja mais ou menos importante ou não precise de atenção. Mas...

Ainda acho que pra tudo, precisamos mesmo é conversar e cada vez mais a multidisciplinaridade pode ser uma daquelas "mágicas " que ainda será o diferencial.

Dito isso, vamos conversando e espero que alguma coisa possa somar positivamente na caminhada de cada um dos meus amigos...

E por falar em Autismo, compartilho trabalho feito quando ninguém falava sobre o tema.

O autismo sob a ótica psicanalítica é compreendido de maneira diferente da visão médica tradicional. Enquanto a medicina costuma focar em causas neurobiológicas e sintomas comportamentais, a psicanálise, especialmente a partir de autores como Freud, Melanie Klein, Donald Winnicott e Jacques Lacan, olha o autismo como uma maneira particular de estar no mundo, com questões ligadas à constituição do sujeito, ao laço social e à relação com o outro.

Aqui estão alguns pontos principais:

Falta de constituição simbólica: Para muitos psicanalistas, o autismo é pensado como uma dificuldade ou falha no processo de inserção do sujeito na linguagem (no simbólico). Lacan, por exemplo, falava da importância do "nome-do-pai" para estruturar o psiquismo, e no autismo haveria uma falha nesse processo.

Relação com o Outro: O autista, nesse olhar, tem uma relação particular com o Outro (com os outros seres humanos e com a linguagem). Muitas vezes se protege do excesso de invasão do Outro, criando barreiras ou rituais para se manter seguro.

Corpo e Real: Há também uma discussão sobre como o autista lida com o corpo e as sensações. Para alguns psicanalistas, o corpo pode não estar bem "amarrado" ao simbólico, levando a experiências corporais muito intensas ou desconectadas.

Tratamento: 

A abordagem psicanalítica não visa "normalizar" o sujeito, mas sim oferecer um espaço para que ele possa construir, ao seu modo, formas de laço e de expressão. O terapeuta respeita profundamente as invenções singulares do autista.

Em resumo, o autismo na psicanálise não é visto como uma doença a ser curada, mas como uma estrutura psíquica específica, que merece ser acolhida e entendida no seu modo único de existir.

Para Jacques Lacan, o autismo não é exatamente classificado como uma psicose ou uma neurose (que são as duas grandes estruturas clínicas que ele descreve). Muitos leitores de Lacan consideram o autismo como uma estrutura própria, ou então o pensam como uma forma radical de psicose, mas isso ainda é objeto de debate entre os lacanianos.

Alguns pontos centrais da visão de Lacan (e de psicanalistas lacanianos posteriores) sobre o autismo:

1. Rejeição do Outro e da linguagem

Lacan vê o autismo como uma recusa radical do Outro, especialmente do Outro que traz a linguagem. Desde muito cedo, o sujeito autista se fecharia em relação às tentativas de contato simbólico feitas pelo Outro (mãe, pai, ambiente). Essa recusa impede a constituição de um eu pelo espelho e dificulta o acesso ao simbólico.

2. Falta do Nome-do-Pai

No esquema de Lacan, o Nome-do-Pai é um operador simbólico fundamental: é o que introduz a lei, a falta, e organiza a entrada do sujeito na linguagem e no desejo. No autismo, essa função paterna estaria rejeitada ou não operante. Sem essa referência simbólica, o sujeito fica isolado no registro do real (o que é cru, sem sentido) ou apenas se prende a pequenos pedaços de linguagem (por exemplo, ecolalias, repetições de frases).

3. Forclusão do Significante

A forclusão é o mecanismo central da psicose para Lacan: um significante essencial (o Nome-do-Pai) é excluído do inconsciente. Muitos lacanianos veem o autismo como uma forma radical de forclusão, ainda mais primitiva do que na psicose esquizofrênica.

4. Invenções singulares

Apesar disso, Lacan (e ainda mais autores pós-lacanianos como Éric Laurent e Jean-Claude Maleval) destacam que o autista cria invenções para se defender e construir laços. Essas invenções podem ser objetos, gestos repetitivos, interesses muito específicos — formas de dar alguma consistência ao mundo e ao corpo.

Basicamente, autismo para Lacan é marcado por uma recusa fundamental do Outro e da linguagem. O sujeito autista rejeita o simbólico e inventa suas próprias formas de lidar com o real. A clínica lacaniana com o autismo busca acolher essas invenções, respeitar o modo de ser do sujeito e não impor um modelo normativo de socialização.

Fraterno abraço 

André Lacerda - Psicanalista




sábado, 12 de abril de 2025

Bullying em Lacan

 Quem me acompanha sabe que sou Lacaniano.  Não poderia falar de qualquer coisa sem fundamentar em Lacan. Por essa razão, complemento a crônica anterior.

.......

O bullying, na perspectiva da psicanálise lacaniana, pode ser compreendido a partir de conceitos fundamentais como o registro do imaginário, a constituição do eu (moi), e a dinâmica do gozo (jouissance).

Em Lacan, o imaginário é o domínio das imagens, identificações e rivalidades. O bullying se relaciona muito com esse registro porque, na formação do "eu" (principalmente na infância e adolescência), o sujeito se reconhece na imagem do outro — e, ao mesmo tempo, sente-se ameaçado por ele. Lacan chama atenção para como o eu é estruturado como uma "armadura" defensiva contra essa ameaça do outro, o que pode explicar a agressividade típica do bullying: uma forma de proteger ou afirmar a própria imagem atacando a do outro.

Além disso, o bullying pode ser visto como expressão de uma tentativa de lidar com a angústia gerada pela diferença. O outro — diferente em aparência, comportamento, discurso — encarna algo que perturba o sujeito, que responde tentando apagá-lo ou humilhá-lo. Em Lacan, o diferente muitas vezes é vivido como o estranho (l’Unheimliche), uma ameaça ao narcisismo do sujeito.

Outro ponto importante é o gozo: no bullying, há um aspecto de satisfação inconsciente tanto para o agressor (no exercício de poder ou superioridade) quanto, paradoxalmente, para a vítima, que pode ficar presa em uma posição de gozo masoquista, mesmo que isso seja sofrido.

Disso, podemos refletir:

O bullying é um fenômeno imaginário de rivalidade e defesa narcísica.

Ele surge da dificuldade de lidar com o outro como diferente.

Envolve dinâmicas de gozo, angústia e identificação.

Lacan desenvolve a ideia dos quatro discursos (discurso do mestre, do histérico, do analista e da universidade) para explicar os modos de laço social, ou seja, como os sujeitos se organizam e se relacionam entre si. O bullying escolar pode ser interpretado a partir desses discursos, especialmente o discurso do mestre e o discurso do histérico.

1. O bullying escolar e o discurso do mestre

O discurso do mestre é estruturado pela lógica da dominação: o Mestre é aquele que ocupa o lugar do saber e da autoridade sem saber de fato o que é esse saber. Ele ordena, institui, governa. No bullying escolar, o agressor ocupa muitas vezes esse lugar de "mestre": é aquele que "sabe" quem é o fraco, o diferente, o estranho, e impõe sua lei sobre o outro.

Assim, o bullying seria uma tentativa de manter uma hierarquia imaginária onde o agressor reafirma seu "poder" diante do grupo, sustentando um laço social baseado na exclusão e na dominação. Isso também preserva, para o grupo, uma certa "ordem simbólica", ainda que perversa: o grupo se organiza em torno de quem está "dentro" e de quem é colocado "fora".

O próprio espaço escolar, que deveria ser um lugar de transmissão do saber, muitas vezes opera no regime do discurso do mestre, no qual a autoridade é valorizada mais do que o questionamento ou a singularidade. Nesse contexto, o bullying é quase uma "função social": expulsa ou corrige quem ameaça a homogeneidade do grupo.

2. O bullying e o discurso do histérico

O discurso do histérico é aquele em que o sujeito, em posição de falta, provoca o Outro — exige que o Outro lhe diga quem ela é. No bullying, a vítima frequentemente é colocada nessa posição: sua própria existência se torna uma pergunta aberta ("Quem sou eu? Por que sou diferente?") para o Outro (os colegas, o grupo), mas esse Outro responde com rejeição, gozação ou violência.

O agressor também pode ser visto como histérico em outro sentido: ele interroga o Outro (o diferente) para confirmar seu próprio lugar. "O que é esse corpo estranho aqui entre nós?" — mas em vez de acolher a diferença, ele a elimina.

Assim, o bullying escolar seria o sintoma de uma falha no laço social: ao invés de operar no discurso do analista (que acolheria a falta e permitiria a emergência do sujeito em sua singularidade), a escola (e o grupo escolar) opera no discurso do mestre (imposição de normas) e do histérico (questionamento ansioso e rejeição da diferença).

3. Gozo e exclusão

Outro conceito crucial é o de gozo (jouissance). O bullying está ligado ao modo como o grupo maneja o gozo: o diferente é visto como alguém que goza de um modo "estranho", que ameaça a uniformidade. O gozo do outro é intolerável. Assim, ele é excluído ou violentado para que o grupo possa manter uma certa ilusão de consistência.

Ou seja:

O bullying é sustentado por laços sociais próprios do discurso do mestre e do histérico.

Ele protege o grupo da angústia causada pela diferença e pela falta.

O espaço escolar muitas vezes reforça essa lógica, em vez de abrir espaço para a subjetivação da diferença.

E dai??? O que fazer???

Uma saída ética para o bullying, a partir da psicanálise lacaniana, não seria simplesmente reprimir o bullying ou punir os agressores, mas sim reformular o próprio laço social. Em Lacan, a ética não é uma moral de normas, mas um compromisso com o desejo e com o respeito à singularidade do sujeito.

1. A ética do desejo

Lacan propõe uma ética que se resume na frase: "Não ceder de seu desejo" (ne pas céder sur son désir). Isso quer dizer que a ética não é seguir regras externas, mas manter-se fiel àquilo que nos constitui como sujeitos: nossa falta, nosso desejo, nossa singularidade. No contexto escolar e do bullying, isso implica criar um espaço onde cada sujeito possa existir com sua diferença, sem ser forçado a se encaixar em moldes padronizados.

Assim, o problema do bullying não se resolve eliminando o conflito ou impondo mais normas autoritárias (o que seria apenas reforçar o discurso do mestre), mas ensinando o respeito à falta do outro, à sua forma singular de gozar (jouir), sem querer reduzi-lo ou anulá-lo.

2. O papel do discurso do analista

A verdadeira saída passa pelo que Lacan chama de discurso do analista. Nesse discurso, o analista (ou, no contexto escolar, a instituição ou educador que adota essa posição) não ocupa o lugar de mestre que ordena, nem o lugar de histérico que exige do outro uma resposta. Ele ocupa o lugar de causa do desejo: ou seja, ele suporta o não-saber, acolhe a falta, e permite que o sujeito fale.

Aplicado à escola:

Em vez de rotular o agressor ou a vítima, criar espaços de fala onde cada um possa colocar em palavras seu sofrimento, sua rivalidade, sua angústia.

Em vez de buscar eliminar o conflito, reconhecer que o conflito nasce da diferença e é constitutivo do laço social.

Sustentar o desejo dos sujeitos, ajudando-os a encontrar modos singulares de estar no mundo sem precisar aniquilar o outro para afirmar-se.

3. Acolher o sinthoma

Em seus últimos ensinamentos, Lacan fala do sinthoma como aquilo que amarra o sujeito em sua estrutura. Cada um tem seu modo de "fazer laço" com o real, e isso é inegociável. Uma saída ética para o bullying seria, então, acolher o sinthoma do outro, em vez de querer normalizá-lo. Não tentar corrigir o que "falta" no outro, mas reconhecer que a falta é constitutiva de todo ser falante.

Uma saída ética implica operar no discurso do analista, não no discurso do mestre.

É preciso criar espaço para que a singularidade de cada sujeito emerja e seja respeitada.

O conflito deve ser trabalhado, não apagado.

A ética é do desejo, não da norma.

Aproveito, pra fechar, cito Lacan sobre ética e desejo:

(Lacan, Seminário 7 - A Ética da Psicanálise)

 "O único erro ético é trair o próprio desejo."

Essa frase resume a posição ética de Lacan: não se trata de obedecer normas ou evitar o sofrimento, mas de não trair o que há de mais singular no sujeito.

No bullying, tanto quem agride quanto quem sofre é, de alguma forma, capturado pela pressão de se conformar a um ideal (ser igual, não ser diferente). A ética lacaniana propõe resistir a essa captura.

Diante do bullying, a psicanálise lacaniana nos convida a um caminho ético: não se trata de eliminar o conflito ou suprimir a diferença, mas de sustentar o desejo e a singularidade de cada sujeito no laço social.

A escola, portanto, não deve agir apenas punindo ou protegendo, mas criando espaços em que a palavra possa circular e onde a diferença não seja anulada, mas acolhida.

Afinal, como nos ensina Lacan, a verdadeira violência não está na diferença do outro, mas na recusa em aceitá-la como parte constitutiva de nosso ser-em-laço.

Fraterno abraço 

André Lacerda - Psicanalista




sexta-feira, 11 de abril de 2025

O "novo" Bullying e a "velha" Psicanálise

 Na psicanálise, o bullying é compreendido como um fenômeno que revela dinâmicas inconscientes tanto de quem agride quanto de quem sofre a agressão. Ele é visto como uma repetição de conflitos internos, muitas vezes ligados a sentimentos de angústia, inveja, ódio ou insegurança.

De modo geral:

Para o agressor, o bullying pode ser uma tentativa inconsciente de lidar com sentimentos internos intoleráveis — como fragilidade, medo de exclusão ou inferioridade. Ao atacar o outro, o agressor "projeta" no colega aspectos de si mesmo que ele não aceita. Ou seja, ataca no outro o que não suporta em si.

Para a vítima, a psicanálise considera que o sofrimento causado pelo bullying pode reativar traumas anteriores ou feridas narcísicas (atingindo a autoestima e o sentimento de identidade). Em alguns casos, a vítima pode também, inconscientemente, ocupar uma posição de passividade ou de “bode expiatório” em grupos, repetindo padrões de exclusão que já tenha vivido antes.

No nível coletivo (grupal), o bullying também pode ser interpretado como um mecanismo de defesa do grupo para manter uma coesão interna: ao eleger um alvo, o grupo “projeta” suas tensões e ansiedades em um indivíduo, tentando expulsar o que é vivido como "estranho" ou ameaçador.

Autores como Freud (noções de agressividade e pulsão de morte), Melanie Klein (inveja e identificação projetiva) e Winnicott (relacionamentos e amadurecimento emocional) ajudam a pensar o bullying a partir de conceitos como pulsões, defesas primitivas e relações objetais.

Para Freud, o bullying pode ser entendido principalmente a partir da ideia de que a agressividade é uma parte constitutiva do ser humano. Ela não é algo que vem apenas do meio ou da educação, mas algo interno, ligado às pulsões.

Alguns conceitos importantes para entender isso:

Pulsão de morte (Thanatos): Freud, no final da sua obra (principalmente em Além do Princípio do Prazer, 1920), propôs que existe no ser humano uma pulsão voltada para a destruição — tanto do outro quanto de si mesmo. A agressividade do bullying seria uma manifestação externa dessa pulsão de morte, uma maneira de descarregar essa força destrutiva.

Narcisismo e agressividade: Em Introdução ao Narcisismo (1914), Freud mostra como o narcisismo é frágil e precisa ser defendido. O bullying poderia ser visto como um ataque narcisista — o agressor sente que sua autoestima está ameaçada e, para se proteger, diminui o outro.

Mal-estar na civilização (O Mal-Estar na Civilização, 1930): Freud diz que a vida em sociedade exige a repressão das pulsões agressivas, mas essa repressão nunca é completa. O bullying seria, então, uma espécie de “vazamento” dessa agressividade reprimida, dirigida contra um alvo mais fraco.

Para Freud, o bullying é a expressão de impulsos destrutivos internos (pulsão de morte), agravados pela necessidade de proteger o próprio ego (narcisismo) e pelas tensões entre as exigências da sociedade e os desejos instintivos do indivíduo.

O olhar do Winnicott sobre o bullying é bem diferente de Freud e Klein, porque ele coloca o foco na relação com o ambiente — ou seja, o bullying não surge só das pulsões internas ou das fantasias, mas da forma como o indivíduo foi cuidado (ou não foi cuidado) nos primeiros anos de vida.

Algumas ideias centrais para entender:

Falso self: Winnicott fala que, quando o ambiente (os pais, cuidadores) não é suficientemente bom — ou seja, não responde de forma adequada às necessidades emocionais do bebê — a criança pode construir um falso self. O agressor no bullying pode ser alguém que vive muito "protegido" atrás de um falso self: ele ataca o outro porque não consegue entrar em contato com suas emoções verdadeiras.

Ambiente falho e agressividade: Se, no começo da vida, o ambiente não foi capaz de lidar com a agressividade natural do bebê de forma acolhedora, essa agressividade pode ficar desorganizada. O bullying, então, seria uma forma patológica de expressar uma agressividade que não foi integrada de forma saudável.

Capacidade de concernimento: Winnicott diz que, para amadurecer emocionalmente, a pessoa precisa desenvolver uma preocupação genuína com o outro (concernimento). O agressor de bullying ainda não desenvolveu isso — ele não consegue perceber o outro como alguém real, que sofre. É como se o outro fosse apenas um objeto a ser usado para descarregar sentimentos ruins.

Violência como busca de limites: Às vezes, o ato agressivo é, inconscientemente, uma tentativa de encontrar um ambiente que imponha limites claros e confiáveis. Em outras palavras, o bullying seria uma maneira distorcida de pedir ajuda ou de testar se existe alguém que o contenha.

Winnicott entenderia o bullying como o resultado de uma falha no ambiente inicial. O agressor é alguém que não conseguiu desenvolver um self verdadeiro, que tem dificuldade para se relacionar de forma autêntica e para reconhecer o sofrimento dos outros.

Mesmo sendo 100% freudiano/lacaniano, pessoalmente e pela experiência clínica pessoal, estou inclinado pela teoria de Winnicott, observando que em se tratando de dramas psíquicos, os entendimentos multidisciplinares são sempre a melhor opção.

Fraterno abraço 

André Lacerda  - Psicanalista




sexta-feira, 4 de abril de 2025

Que venha o meteoro!

 Depois de combater o bom combate, volto a combater o bom combate...
Pelo amor de todos os santos!!!!! Estamos, sem sobra de dúvida, regredindo enquanto seres evoluídos. 
Me explico:
Vi a série adolescência...
Li, ouvi, assisti todos os debates sobre a série e imploro que quem não viu veja.
Ou não...
Será que todo mundo vai entender???
Me explico:
Primeiro, que alertado pelas coisas que vi, não posto mais coisas de minha amada filhinha nas redes sociais. 
Segundo, hoje mesmo vi a repercussão de um vídeo em que o youtuber (tchê...nem sei definir muito bem o que é isso) Felipe Neto se pronuncia pela sua candidatura à presidência da República.  Fui ver...é claríssimo que o comunicador faz uma alusão crítica e irônica do livro 1984 e ao domínio das redes sociais e da involução cultural à que estamos sendo engolidos. E ninguém entendeu??????
E o atentado proferido à professora em Caxias do Sul por 3 adolescentes??? Facadas premeditadas sem nenhum motivo (e mesmo que tivesse motivos)????
E as loucuras do Trump???? Não existem mais democratas nos Estados Unidos?? E no Brasil tem gente (muita gente) com o boné do MAGA???
E tem a coisa da pobre mãe de família que foi condenada à 14 anos de cadeia, o que me fez pensar:
Ela chega na sexta feira, reúne o marido, os pais, os filhos, e diz:
- Olha só pessoal... a pobre mamãe aqui vai dar uma saída por uns 3 dias porque vai ficar algumas (ou uma sei lá) noites num acampamento na frente de um quartel, depois vai invadir os prédios representativos da República,  vai desaforar a estátua da justiça,  e espero que vocês se comportem tá??? Segunda feira mamãe está de volta.
Isso bate??? Fiquei pensando na minha mãe... ou na minha mulher... ou na minha irmã...ou em qualquer pobre mamãe,  mulher, irmã...
Sei lá...
E tudo enfim me diz que estou vivendo um pesadelo...
Hoje  cheguei a falar pra minha mulher:
QUE VENHA O METEORO...
Voltei atrás porque minha filha ainda tem muito que viver... mas......
Sei lá...
Triste.
Temos mais ou menos 6 ou 8 mil anos de civilização...um nada na história do tempo...
Mas... isso tudo em 6 anos????
De onde saiu isso tudo???
Que venha o METEORO...

Fraterno abraço 
André Lacerda  - Psicanalista





domingo, 19 de janeiro de 2025

O Complexo de Édipo que eu penso!

 Meus Prezados!

Tive o prazer inenarrável de participar na semana passada de uma festa onde se reuniram os coleguinhas da minha filha.

Tudo ótimo e de cara, agradeço ao meu amigo Dr Alex e esposa, pais da Melissa aniversariante ,pelo convite e pelo encantamento da acolhida e da festa.

Nessa reunião, com os outros pais e mães, falamos especialmente da minha preocupacao com a evolução da Inteligência Artificial. Essa "ferramenta" realmente me impressionou pois diferente de outras formas, ela por exemplo produziu o texto que vou compartilhar a seguir.

Pra fazer o teste, perguntei pra IA, o que André Lacerda,  psicanalista, pensa sobre o complexo de édipo e suas repercussões clínicas. Tudo à seguir foi a IA que produziu. Vou editar algumas coisas porque ela cita: Lacerda, que é um dos "pensadores do Uol" (e eu não sei nada sobre isso) ...menos mal que me inclui no UOL, e poderia ser pior me incluindo como pensador da Jovem Pan, que nos últimos anos se transformou num diário oficial da extrema direita fascista, nojenta e tudo de ruim na minha opinião.

Outro ponto que edito, é que a IA buscou texto meu escrito no início de carreira, defendendo tese, e sendo texto acadêmico era escrito pra iguais (na formação) e mestres da minha área. 

Portanto...quando aparece "fase fálica" onde ocorre os tempos de Édipo ou Trama edípica,  lemos que isso ocorre entre os 3 e os 6 anos de idade.

Outra coisa, sobre as psicopatologias que podem ser consequência de um Édipo não resolvido. Pra psicanálise,  Neuroses , Psicoses e Perversões,  são os três grupos já citados em Freud. Nas neuroses, estão todos os transtornos citados na psiquiatria moderna (TDAH, etc). Nas Psicoses estão aquelas precedidas do sintoma alucinação (esquizofrenia etc). Já as Perversões encerra tudo aquilo que chamamos atualmente de psicopatia e sociopatia. 

Era isso meus amigo...então eis o que a IA disse que EU penso sobre um tema que estudo há mais de 30 anos e tenho dezenas de publicações inclusive nos meus dois livros já falados aqui.

..................

 Complexo de Édipo, no contexto da teoria psicanalítica de Jacques Lacan, é uma releitura e ampliação do conceito originalmente desenvolvido por Sigmund Freud. Lacan integra o Complexo de Édipo ao que ele chama de ordem simbólica, dando destaque ao papel da linguagem, do desejo e da estruturação do sujeito. A seguir, explico os pontos principais dessa abordagem:

1. O Nome-do-Pai e a Função Paterna

Lacan substitui a figura do pai literal pelo conceito de Nome-do-Pai (Nom-du-Père), que não se refere necessariamente ao pai biológico, mas sim à função simbólica que estabelece a lei e a proibição. Essa função:

Introduz o sujeito à ordem simbólica (a dimensão da linguagem e das leis sociais).

Rompe a relação simbiótica entre a mãe e a criança, ao proibir o acesso direto ao desejo materno.

2. Os Três Tempos do Complexo de Édipo

Lacan estrutura o Complexo de Édipo em três momentos:

Primeiro tempo: A criança percebe que a mãe é objeto de desejo, mas esse desejo não se dirige exclusivamente a ela. Aqui, surge a figura do pai como aquele que compete pela atenção da mãe.

Segundo tempo: A criança descobre que o desejo da mãe está submetido a algo maior, o que Lacan chama de falo. O falo não é um órgão físico, mas um significante que representa o que falta à mãe e organiza os desejos no campo simbólico.

Terceiro tempo: A criança internaliza a proibição do incesto, aceita a lei simbólica (a função do Nome-do-Pai) e passa a ocupar seu lugar na estrutura social e no campo do desejo.

3. A Castração Simbólica

A castração em Lacan não é literal, mas simbólica. Ela representa o limite que a linguagem e a lei impõem ao desejo. Aceitar a castração simbólica é fundamental para a entrada na ordem simbólica e para a constituição do sujeito como ser desejante.

4. O Falo como Significante

No Édipo lacaniano, o falo desempenha um papel central. Ele não é um objeto concreto, mas sim um significante do desejo que regula as relações entre os sujeitos na ordem simbólica. A criança percebe que ninguém o possui plenamente, nem o pai, nem a mãe, nem ela mesma, o que organiza o desejo de maneira estrutural.

5. A Formação do Sujeito

A passagem pelo Complexo de Édipo é essencial para a constituição do sujeito. É nesse momento que o sujeito se estrutura em relação ao desejo do Outro (principalmente o desejo da mãe) e aceita a diferença sexual e a separação como parte de sua existência.

Em resumo, Lacan desloca o foco do Édipo freudiano da questão puramente edipiana (a rivalidade com o pai pelo amor da mãe) para uma abordagem mais ampla, que enfatiza o papel da linguagem, da lei e da função simbólica na constituição do sujeito e na estruturação do desejo.

A análise clínica do Complexo de Édipo é uma abordagem central na psicanálise, especialmente no pensamento freudiano, e envolve a investigação de dinâmicas emocionais e inconscientes entre a criança e os pais ou figuras parentais. Este conceito é fundamental para entender o desenvolvimento psicossexual, relações familiares e estruturas de desejo e identidade.

O que é o Complexo de Édipo?

O Complexo de Édipo é a manifestação de desejos inconscientes da criança direcionados ao pai do sexo oposto e sentimentos ambivalentes em relação ao pai do mesmo sexo. No modelo freudiano, ele ocorre principalmente durante a fase fálica do desenvolvimento (entre 3 e 6 anos de idade). Este complexo pode ser dividido em duas dimensões:

Positivo: Desejo pela figura parental do sexo oposto e rivalidade com a do mesmo sexo.

Negativo: Identificação com o pai do sexo oposto e hostilidade em relação à figura do mesmo sexo.

Expressões clínicas do Complexo de Édipo

Clinicamente, o Complexo de Édipo pode ser observado por meio de:

1. Ansiedades ou conflitos em relações interpessoais: Dificuldades em estabelecer laços afetivos ou padrões de atração e rejeição podem refletir conflitos edipianos não resolvidos.

2. Repressão ou deslocamento: Desejos e impulsos edipianos podem ser reprimidos, surgindo de maneira indireta, como sintomas neuróticos, fobias ou comportamentos obsessivos.

3. Relações parentais disfuncionais: Interações excessivamente possessivas ou conflitantes com os pais podem indicar resquícios não resolvidos do complexo.

4. Transferência em análise: Durante a psicanálise, o paciente pode projetar no analista figuras parentais, revivendo os conflitos edipianos. Esta transferência oferece uma oportunidade terapêutica para compreender e trabalhar os sentimentos inconscientes.

Diagnóstico clínico

Na prática clínica, a investigação do Complexo de Édipo envolve:

História psicossexual do paciente: Exploração de relações familiares, narrativas infantis e a dinâmica emocional entre pais e filhos.

Sintomas psíquicos ou comportamentais: Ansiedade, culpa, ciúme ou sentimentos de inadequação podem ser reflexos de conflitos edipianos.

Análise dos sonhos: O conteúdo dos sonhos muitas vezes reflete desejos e conflitos inconscientes associados à dinâmica edipiana.

Observação do padrão de relações: Análise das relações do paciente com figuras de autoridade, parceiros românticos e amigos.

Desenvolvimento saudável e resolução

A resolução do Complexo de Édipo é fundamental para o desenvolvimento emocional saudável. Segundo Freud, a resolução ocorre quando a criança:

Aceita a impossibilidade do desejo incestuoso.

Identifica-se com o pai do mesmo sexo, internalizando valores, normas e limites.

Sublima os impulsos sexuais e redireciona as energias para outros interesses.

Se não resolvido adequadamente, o Complexo de Édipo pode resultar em:

Fixações: Permanência em conflitos edipianos não resolvidos, gerando dificuldades emocionais e relacionais.

Regressões: Retorno a estágios anteriores de desenvolvimento em momentos de estresse.

Transtornos psíquicos: Depressão, ansiedade ou transtornos de personalidade.

Aplicações na clínica contemporânea

Embora o conceito de Complexo de Édipo tenha sido questionado e revisado, ele permanece relevante em várias práticas clínicas:

1. Psicoterapia psicanalítica: Investigação dos conflitos infantis e suas repercussões na vida adulta.

2. Terapia familiar: Compreensão de padrões disfuncionais herdados de gerações anteriores.

3. Psicodinâmica do desejo: Análise das escolhas de parceiro e das dinâmicas emocionais em relacionamentos.

O Complexo de Édipo, mesmo reformulado por correntes contemporâneas, continua sendo um instrumento valioso para explorar a constituição do psiquismo humano e os conflitos que permeiam as relações familiares e sociais.

Ainda boquiaberto, e com medo de que realmente estejamos próximos do final dos tempos que conhecemos até então... espero ter ajudado (enquanto ainda o velho psicanalista seja útil)...

Fraterno Abraço 

André Lacerda - Psicanalista





sábado, 28 de setembro de 2024

Do Iluminismo à "moda" do chinelo com meia branca!!

 Eu juro que queria falar das maravilhas experiências que estou tendo acompanhando o desenvolvimento de minha filha numa das mais bem conceituadas escolas de Porto Alegre.

Andando pelo colégio fico imaginando a luta de Marcelino, estando o mundo ainda com a ressaca da idade das trevas e por fim começando a respirar o iluminismo, na maravilhosa Lyon, idealizando a educação que se tornaria global e de sólida importância na vida de milhões e milhões de jovens...a começar pela minha.

E foi no meio desse pensamento que vi...e vi novamente...e vi dezenas...daí...embasbaquei!

Erwing Goffman, prestigiado psicólogo e escritor, escreveu um livro que deveria ser leitura obrigatória para quem ousasse pensar em porque as coisas são como são. Falo de MANICÔMIOS,PRISÕES E CONVENTOS. Ali, o autor fala das instituições totais, e principalmente dos protagonistas desses nichos da vivência humana.

E daí...lembrei de uma coisa que não sei se é verossímil ou se é apenas uma lenda urbana. Provavelmente é verdade, porque já ouvi de pessoas oriundas do sistema prisional.

Eis a coisa:

Quando um indivíduo (pelas vias mais diversas e que nessa crônica não vamos abordar) começa a cumprir pena na prisão,  é sabido que ele é alvo de importunação sexual (estou cuidando pra não mostrar muita violência no que escrevo, mas entendasse como importunação sexual, estupro, curra e toda espécie de violência física).

Pois bem...antes de ser efetivamente estuprado, currado etc, o indivíduo apanha muito...apanha até perder o poder de reagir...e daí....

Até que um dia desiste de querer reagir e pelo menos das surras homéricas ele se livra...

Pra todo mundo saber que não precisa bater mais e que está tudo "certo", o indivíduo adota uma postura de praxe dentro do sistema prisional. Pra mostrar que ele está "aberto" a todo tipo de relacionamento sexual, ele passa a usar as calças bem abaixo da linha da cintura. Mas bem abaixo...aparece a cueca e até partes mais íntimas da anatomia se é que me entendem...

Mas...isso livra o indivíduo apenas do espancamento prévio. Continua no entanto, o estupro, a curra, e todo tipo de agressão sexual...

O sistema se molda. "Mutatis mutandis "...

Então o sistema criou outra convenção. 

Quando o indivíduo cansa da rotina "grupal", basta ele manifestar a vontade de casar. Ou seja...não quer mais ser estuprado, currado, violentado por muitos. Escolhe (como se isso pudesse ser chamado de escolha) ser a "noiva" ou a "esposa" de algum outro indivíduo (que tenha capacidade de protegê-lo) e para demonstrar isso, adota outra característica no vestuário: passa a usar meias brancas com chinelo. Isso significa que:

" estou disponível para ser a "noiva" e posso lhe servir como "esposa".

Reli o que escrevo até agora é confesso que fiquei nauseado...

Mas vamos em frente.

O que tem isso a ver com o Iluminismo, com a belíssima história de Marcelinho Champagna,  com o Erwing Goffman e a coisa lúdica de lembrar meu tempo de aluno andando pela escola da minha filha????

Tem a ver com o que vi...e vi novamente e vi dezenas de vezes...

Dezenas de meninos e meninas, jovens adolescentes (13,14,15,16,17,18 anos calculo eu),"desfilam" pelos corredores da escola a "moda" das calças caídas (não muitos), e das meias brancas sob os chinelos ( muitos...dezenas)...

Esta escola, uma das mais bem conceituadas de Porto Alegre, não é uma Instituição Total, e a orientação pedagógica é progressista, humanista e de primeira grandeza.

Os meninos e meninas não vivem em fétidas masmorras sob o domínio do medo e da obscuridade.

Será que eles e elas e os pais deles e delas sabem da origem desses "modismos"?????

Ou sera que Umberto Ecco estava certo quando falou que a evolução da tecnologia da comunicação (Internet e as redes sociais) além do acesso fácil à todo o saber humano, também traria a brutal epidemia de imbecis e ignorantes????

Sei lá...

Valei-me São Marcelino.

Valei-me todos os priores do santo iluminismo.

Fraterno abraço. 

André Lacerda- Psicanalista



quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Alma Tranquila e Coração Sereno!!

 Não sei como começar. E normalmente não gosto de começar com a palavra não. Mas desta vez ela se superou...
Por obvio que a delicadeza e a sensibilidade da professora Andréia e a cada vez mais maravilhosa experiência no Studio Andréia Andanças, me fez lavar a alma e me serenou o coração. 
Era a aula com a participação do pai...
Pai da bailarina...
No caminho pro Studio ela me advertiu:
- Papai...tu vai dançar comigo hoje, mas a bailarina sou eu viu???
- Tá bem minha filha. Espero estar digno de ser teu par...
-  Ah pai.. eu também te amo...mas a bailarina sou eu!!!
Fiquei pensando que talvez ela lá no seu cristalino e puro consciente, tenha sentido alguma espécie de invasão por expor o pai...ou quem sabe até possa ter sentido algum ciúme, pois todo mundo sabe que o pai é só dela...
Não sei...
Fui...
E fomos tão felizes que nem sei o que falar...
Tentei fazer tudo que a professora mandava, e sim, fazer jus à toda leveza e alegria da minha filhinha...
Ela não sabia se olhava pra professora, ou pro espelho, ou pra mim...mas estava radiante. 
A cada passo que eu dava ela me devolvia um sorriso e me deixava vermelho de vergonha...
Ao fim... o Studio ficou em "la media luz",e ela me fez relaxar com sua mãozinha delicada acariciando minha cabeça.
Experiência maravilhosa e ficará pra sempre na minha alma, que sim, pela minha filha, está cada vez mais tranquila e esta deixa meu coração já tão abalado, cada vez mais sereno.

Fraterno abraço!
André Lacerda  -  Psicanalista 


sábado, 10 de agosto de 2024

Reinundei a Zona Sul!!

 Ela me alertou a semana toda:
- Papai...você vai chorar muito de amor...
Eu certamente já estava certo que realmente ia chorar...sempre choro de amor quando minha filha apresenta alguma coisa nova.
Mas essa...!!! 
Quando a turminha começou a cantar, e eu só via ela, reinundei a minha amada zona sul que ainda não se recuperou por completo da tragédia das águas...
Espero que o sal dos meus olhos tenham feito o enxugamento das águas do velho Guaiba...

"Eu não existo longe de você 
E a solidão é meu pior castigo..."

E eu só via ela. As mãozinhas pequenas fazendo coraçãozinho pra mim...
Eu só ouvia a voz dela...

"Eu conto as horas pra poder de ver
Mas o relógio tá de mal comigo..."

Era a festa da família na Escola. Estando desatualizado sobre os novos conceitos pedagógicos e sociais do desenvolvimento acadêmico, amei a FESTA DA FAMÍLIA,  e não a Festa dos Pais. Achei inclusiva, abrangente e tudo de bom enfim.
Mas pra ELA...era a festa do pai...rs

"Futebol sem bola
Piu-piu sem Frajola
Sou eu assim sem você..."

Ela me olhava e quando meu olho batia no dela eu quase nem enxergava porque o meu choro de amor me obliterava a visão...
Que dia! Que manhã de sábado gelado em Porto Alegre!!!
Eu acho que chamei atenção das pessoas porque realmente chorei...de soluçar...
Que dia!!! Que vida a minha!!!

Meu abraço especial nesse dia aos Pais.
Todos os pais. 
Parabéns Colégio Marista Ipanema de Porto Alegre. Obrigado professores e todos envolvidos.

Fraterno Abraço 
André Lacerda  - Psicanalista




quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Das Olimpíadas à venezuela.

 Uma pausa nas crônicas. Uma pausa curta, mas foi feita.
Aconteceram muitas coisas...
E daí começo a pensar:
Eu lembro que deveria de ter 11 ou 12 anos e era um guri tutelado pelo ensino Marista, e estávamos em viagem pela América do Sul. Credo...parece que foi ontem...
Lembro que ao entrarmos no Uruguai (em plena ditadura tenebrosa e cruel diga-se de passagem) já de cara, nossa comitiva passou a ser acompanhada por um militar uruguaio, e lembro principalmente que o Irmão Marista Ewaldo Neis que morreu em 2016, falou pro nosso professor regente ( que omito o nome por estar bem vivo e inclusive me segue nas redes sociais), que ali também tinha milicos ...o ano era 1975/76.
Muitos anos depois, eu já adulto quase velho, o irmão Ewaldo que já em idade avançada, no colégio Champagna me revelou que naqueles idos de 75/76, já era adepto (certamente anônimo) da teoria da libertação.
Já eu, hoje sei que foi ali naqueles idos de 75/76 que me tornei adepto da esquerda socialista.
Me explico:
Me tornei realmente um ser de esquerda, quando comecei a estudar a Revolução francesa. E foi por pouco...porque como sabemos (????)  esquerda e direita nasceram da posição em que girondinos e jacobinos ocupavam na mesa que estava definindo a Constituição pós revolução. À direita, estavam os girondinos, membros da alta burguesia e que eram moderados e liberais à ponto de fazerem a revolução contra o absolutismo de Luis XVI. À esquerda, os jacobinos que liderados por Robispierre (entre outros) eram a baixa burguesia (que eram aqueles que não eram senhores de terra nem nobres mas, professores, médicos, advogados, camponeses, trabalhadores enfim), que era extremista e não admitia negociações com pensamentos liberais.
Quase que me tornei adepto da direita. Não gosto de extremismos. Mas.. não abro mão da IGUALDADE. E a direita girondina não admitia na constituinte parte da população francesa. Aquela parte que nunca teve voz nem vez. A esquerda jacobina não admitia por sua vez, que ninguém fosse excluído. Muito menos aqueles que a direita não não queria que fizesse parte das decisões.
Por isso...me tornei um ser se esquerda. Porque não existe liberdade sem igualdade. Não existe fraternidade sem igualdade. Não existe democracia sem igualdade. Não existe justiça social sem igualdade. Ponto. 
Por falar nisso,  a abertura da Olimpíada de Paris foi um tapa na cara do conservadorismo fascista, misógino, racista, homofóbico e etc.
Tapa não, porque aqueles que "acreditam nas flores vencendo o canhão " não dão tapa na cara de ninguém. 
E por falar nisso, minha filha participou de uma gincana na Escola, onde todos foram medalhas. A gincana arrecadou itens que foram destinados às vítimas da enchente que assolou o Rio Grande do Sul.
E por falar nisso, a CIÊNCIA,  alertou as autoridades sobre os eventos em 2021...
E por falar nisso, aplausos a sociedade civil que voluntariamente ajudou muito...mas.. já pensou se não fosse o Estado Público e Democrático, agora que os voluntários retomaram suas atividades pessoais???? Pensem nosso senhores e senhoras defensores do Estado mínimo...
E por falar nisso...Nicolas Maduro, é tão fascista quanto o fascista que está inelegível...só que parece que o Maduro está tendo mais sucesso na sua obsessão opressora. Pensem nisso senhoras e senhores da extrema esquerda esquizofrênica...
E por falar nisso...Robispierre perdeu a cabeça na guilhotina exatamente por ter se tornando um extremista esquizofrênico....

Fraterno abraço 
André Lacerda  - Psicanalista 




segunda-feira, 1 de julho de 2024

Viva São João...e todos os santos...porque nao vamos viver!

 Estava tentando não tocar no assunto. Não agora. Todo mundo está falando. Eu não queria falar nisso...mas.....

Estamos em 1 de julho...pelo que vejo, não tem mais aquela mobilização emocional do momento (e não estou sendo mal agradecido porque aquilo tudo ajudou muito), e Porto Alegre e grande parte do Rio Grande do Sul, ainda vive numa situação absurdamente cruel. Muito cruel.

O cenário talvez seja comparado à praças de guerra, e tem muito lixo, lama, lama, lama, e lixo...

Mas o lixo que tem era a vida das pessoas até 40 dias atrás... não é lixo que era lixo. É lixo do que era conquista...as conquistas viraram lixo.

Certamente vamos voltar a viver...

Eu ainda não sei como...mas vamos voltar a viver...por enquanto só tá doendo. Mas vamos voltar a viver. 

E a coisa foi democrática.  Absurdamente democrática.  Atingiu todo mundo. Não teve rico nem pobre.. todo mundo foi atingido...

Muito cruel...

Mas vamos voltar à viver... não sei como, mas vamos voltar a viver... 

E por aí vamos...teve festa junina e me esbaldei junto com Isabelle na festa da escola...

Foi tudo muito legal... e desse legal, me chamou atenção nosso novo normal: pra tudo hoje, temos que pensar que vamos voltar a viver, então antes de entrarmos todos na escola pra festa, depositamos litros de leite pra entregar pra quem está sem leite.

E a forró toca e eu danço com minha filha:

" não é hora pra chorar ..porém não é pecado se eu falar de amor...."

Nós vamos voltar a viver...


Fraterno abraço 

André Lacerda - Psicanalista




domingo, 16 de junho de 2024

Era Pra Ser Apenas Um Texto Lúdico...

 Era pra ser uma crônica colorida e cheia das alegrias que minha filha me proporciona todo dia, toda hora, a cada segundo, e que certamente mostra QUE O MEU LUGAR É ONDE A MINHA FILHA ESTEJA.

Ela passou pela semana de adaptação, e é uma feliz aluna da Rede Marista de escolas, onde alias, o papai aqui teve o início ( no século passado chamávamos de primeiro e segundo graus) de uma vida acadêmica, social e cultural, e que faz ser agradecido sempre aos meus pais que me proporcionaram.

A Escola Marista, me fez (através de atividades muito além das extra classes) quem eu sou...conheci o Estado...o país é até quase toda a América Latina, sempre esplendorosamente guiado pelos professores e irmãos da congregação. 

Passaram-se milhares de anos, e já com carreira definida e sólida, por essas coisas da vida, reencontrei o meu primeiro Diretor, Irmão José Ewaldo Neys, que por ser informado de minhas atividades da época, me chamou pra palestrar para as mais diversas escolas da Rede. Foi no ano 2000. Eu fui muito feliz com isso.  O Irmão Ewaldo, morreu em 2018, e certamente sempre será um baluarte dos Maristas.

Pensei até em postar uma foto de Isabelle com uniforme da escola e em plena atividade...mas depois me lembrei do Umberto Ecco:

" A Internet deu voz à legiões de imbecis!"

À propósito disso, tudo que publico aqui no blog, compartilho das redes sociais. E são algumas centenas de milhares de seguidores considerando as minhas páginas pessoais e aquelas que sou criador de conteúdos. Então peço o que nunca foi pedido:

Se alguem nao ler o texto até o fim, nao curta.

se gostou apenas pela foto, curta mas deixe comentário dizendo que é somente pela foto.

Me explico:

Essa crônica, provavelmente será parte do projeto pro doutorado que pretendo apresentar ao meu sempre amado Conselho Brasileiro de Psicanálise Clinica, e a estatística vai ajudar. Desde que verdadeira.

A crônica estava pronta..e seria apenas um textinho pra marcar a Isabelle na escola e tal...

Mas...

Ela chega:

"Papai...porque Fulano chamou sicrano de IDIOTA??." "O que é IDIOTA papai?"

Me assustei. Afinal nao uso essa palavra desde a adolescência quando li "Ninguem é uma Ilha" do JM Simmel, que alias penso que todo pai, toda mãe,  e todo mundo enfim deveria de ler...

Expliquei (querendo mudar de assunto) que isso significa aquele que é incapaz de se comunicar com outras pessoas, mas que isso era pra ela esquecer e nunca chamar ninguém de idiota.

Ela fez um muxoxo, e seguiu a vida feliz dela...espero que tenho esquecido ter visto alguem chamar outro alguém de idiota.

Então...pra não perder o costume, evolui no tema...espero que gostem...


“O pior analfabeto 

É o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala

Nem participa dos acontecimentos políticos.

Não sabe que o custo de vida,

O preço do feijão, do peixe,

De farinha, do aluguel, do calçado

E dos medicamentos

Dependem de decisões políticas”.

Esse analfabeto político do poema atribuído ao dramaturgo alemão Bertolt Brecht é, por outras palavras, um idiota, em seu sentido quase original.

A palavra ‘idiota’ vem do grego ἰδιώτης idiṓtēs e originalmente não era um adjetivo desrespeitoso, depreciativo ou um insulto.

Mas como os gregos valorizavam muito a participação cívica, reconhecendo que sem ela a democracia entraria em colapso, era esperado que todos os cidadãos estivessem interessados ​​e familiarizados com os assuntos públicos. Ou seja, eles não deveriam ser idiotas

É nesse contexto que, com o passar do tempo, idiṓtēs começou a adquirir uma conotação negativa, e se transformou um termo de reprovação e desdém.

Viver apenas uma vida privada não era ser plenamente humano.

“Se o comportamento e o discurso de um homem deixavam de ser políticos, ele se tornava idiota: egocêntrico, indiferente às necessidades do próximo, inconsequente em si mesmo”, explica Christopher Berry em seu livro A Ideia de uma Comunidade Democrática.

E esse tipo de idiotice talvez fosse mais grave do que aquela que resultou da metamorfose que teve início e que levaria a palavra a se tornar o que hoje, conforme a definição em português, por exemplo, do dicionário Michaelis:

Adj m+f sm+f

1 Diz-se de ou o que demonstra falta de inteligência, de discernimento ou de bom senso; estúpido, imbecil, tanso, tantã, tolo, zote.

2 Diz-se de ou pessoa que se considera superior aos outros; arrogante, presunçoso.

3 Diz-se de ou o que é tolo ou ingênuo

Depois de se tornar um termo pejorativo para quem se recusava a participar da política, passou a definir alguém como ignorante, grosseiro e sem instrução.

Com essa interpretação, chegou ao latim no século 3°, e daí para outras línguas.

Embora o significado político tenha sobrevivido por algum tempo, à medida que a cultura e as tradições da Grécia antiga ficaram para trás, o novo significado o substituiu. 

Logo, outro fato reforçou ainda mais o significado atual.

No início do século 20, os psicólogos franceses Alfred Binet e Theodore Simon criaram o primeiro teste de inteligência moderno, que calculava o QI com base na capacidade das crianças de realizar tarefas como apontar para o nariz e contar moedas.

Os psicólogos ficaram tão apaixonados pela natureza científica dos testes que criaram sistemas de classificação.

Qualquer pessoa com QI acima de 70 era considerada “normal” e qualquer pessoa acima de 130 era considerada “superdotada”.

Para lidar com pessoas com QI inferior a 70, inventaram uma nomenclatura.

Um adulto com idade mental inferior a 3 anos foi rotulado de “idiota”; entre 3 e 7, para “imbecil”; e entre 7 e 10, “débil mental”.

“Idiota” então se tornou um termo técnico usado em contextos jurídicos e psiquiátricos.

Usar essa palavra, como aconteceu com o latim ‘imbecil’ para descrever graus de deficiência psíquica, fez com que ela também acabasse sendo um insulto que se refere aos dons mentais do insultado.

Em algumas culturas, “idiota”, assim como “imbecil”, caiu em desuso na medicina algumas décadas depois porque foi considerado ofensivo.

Desde o século 19, há pensadores que defendem que a palavra seja usada de forma mais ampla, mas recuperando o seu significado original.

Um deles é Walter C. Parker, professor emérito da Universidade de Washington, para quem essa antiga etimologia pode ser uma ferramenta valiosa para uma compreensão contemporânea da democracia e da cidadania.

“Nesse sentido, podemos voltar a Aristóteles, há 2 mil anos, que costumo citar quando escrevo sobre idiotice. Para ele, idiota é alguém cuja vida privada é sua única preocupação, alguém que não toma iniciativa na política.”

“São pessoas imaturas, com desenvolvimento truncado, que podem ter vida social, mas não vida pública.”

“Portanto, existe uma vida privada, uma vida social e uma vida pública, e para ser um indivíduo com objetivos e prosperar você precisa de todos os três.”

Tudo começa na escola, opina Parker.

“No ensino, devemos promover o debate de questões públicas polêmicas com outras pessoas, cujas opiniões sejam semelhantes ou não. Isso não importa.”

“Se você gosta ou não da opinião de alguém é importante na vida social, mas não na vida pública, onde temos que nos conectar, nos relacionar, conversar e ouvir outras pessoas, independentemente de elas concordarem com você.”

“Há sempre o perigo de o idiota levar a sua idiotice para a esfera pública, para usar os termos que usamos no contexto de que estamos a falar”, explica Parker.

Mas algo também “terrível”, lamenta o acadêmico, é a indiferença.

Está documentado que as novas (e não tão novas) gerações não estão interessadas nos acontecimentos atuais.

Apesar de viverem num mundo onde mais do que nunca as pessoas têm meios de acesso à informação, elas optam por não prestar atenção. Elas simplesmente não se importam.

“Na verdade, estamos recebendo cada vez mais pesquisas que mostram que os jovens têm uma vida privada e social ativa, mas não uma vida pública.”

“E esse é um terreno fértil muito perigoso para a demagogia”, explica.

Agora: a exaltação da vida pública não ocorre em detrimento das outras duas esferas, esclarece Parker.

“O objetivo de reivindicar o termo idiotice não é de forma alguma negar ou descartar a importância da vida privada ou social, que são tão cruciais para o nosso florescimento como seres humanos.”

“É lá que existe a nossa família, os nossos amigos e o nosso trabalho.”

“Mas a personalidade pública é o elo que falta, por assim dizer, para tornar possível vivermos juntos em sociedade com as nossas diferenças intactas.”

É nessa vida pública, salienta, que aprendemos a lidar com estranhos com ideologias diferentes em culturas diferentes.

“O objetivo é desenvolver um modus vivendi, do latim, um modo de vida que nos permita prosperar juntos sem nos matarmos.”

“Temos que cultivar o eu público e, para isso, não podemos ser idiotas”.

 Fraterno abraço à todos

André Lacerda - Psicanalista


 


sexta-feira, 19 de abril de 2024

Dia do Índio

 "...eu era o índio liberto

Barbaresco e peleador

Rei de mim mesmo, 

Senhor da natureza selvagem

Com a religião da coragem 

E o sol de bronze na cor..." ( J.C. Braun)


A data de 19 de abril foi proposta em 1940 pelas lideranças indígenas do continente americano que participaram do Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México. Eles haviam boicotado os dias iniciais do evento, temendo que suas reivindicações não fossem ouvidas pelos "não indígenas". Durante este congresso foi criado o Instituto Indigenista Interamericano, também sediado no México, que tem como função zelar pelos direitos dos indígenas na América. O Brasil não aderiu imediatamente ao instituto, mas, com a intervenção do Marechal Rondon, apresentou sua adesão e instituiu o Dia do Índio no dia 19 de abril, cumprindo a proposta do Congresso de 1940.

A data pode ser considerada um motivo de reflexão sobre os valores culturais dos povos autóctones e a importância da preservação e respeito a esses valores.

Hoje, falei de maneira lúdico (do lúdico psicanalítico claro...rs) a história do Charruas,  dos Minuanos e dos Guaranis, nossos ancestrais e povos Originários do nosso papa gaúcho. 


" e dentro desse contexto 

Não quero falar de novo 

Dos ancestrais do meu povo

MENDIGOS VENDENDO CESTOS..." ( J.C.Braun)


Fraterno abraço 

André Lacerda  - Psicanalista




sábado, 6 de abril de 2024

Fanatismo (Florbela Espanca)

 Feliz. Hoje fomos visitar a Maravenina Machado minha irmã, e entre outras coisas, falamos de quanto a minha filha mudou minha vidinha cigana.

E nós somos muito musicais. Ela canta o tempo inteiro...e eu as vezes canto pra ela...

E todo dia canto pra ela a belíssima Fanatismo, que o Fagner, lá nos anos 80 musicou. 

Aliás, musicou um poema lindo de uma mulher maravilhosa e além de seu tempo. 

Florbela Espanca, poetisa portuguesa, escreveu esse poema numa fase melancólica em que tentava se firmar no mundo acadêmico literário, que lá na velha Portugal era(??????) extremamente machista e misógina.

Morreu jovem a Florbela... 

Espero que eu tenha muitas manhãs pra cantar Fanatismo pra minha Isabelle, e ela me brinda com doçura e amor de verdade. 

Eis o poema original ...


"Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.

Meus olhos andam cegos de te ver.

Não és sequer razão do meu viver

Pois que tu és já toda a minha vida!


Não vejo nada assim enlouquecida…

Passo no mundo, meu Amor, a ler

No mist’rioso livro do teu ser

A mesma história tantas vezes lida!…


“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”

Quando me dizem isto, toda a graça

Duma boca divina fala em mim!


E, olhos postos em ti, digo de rastros:

“Ah! podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus: princípio e fim!…”


Fraterno abraço à todos



domingo, 17 de março de 2024

EGOÍSMO E ALTRUÍSMO!

 


Pasmem:

"segundo o pensamento de Comte 1798-1857, tendência ou inclinação de natureza instintiva que incita o ser humano à preocupação com o outro e que, não obstante sua atuação espontânea, deve ser aprimorada pela educação positivista, evitando-se assim a ação antagônica dos instintos naturais do egoísmo."


Pasmem,  porque essa a interpretação de ALTRUÍSMO do pensamento filosófico de Comte. O Augusto. O criador do Positivismo que inspirou muitos déspotas, cuja máxima entre colunas, era difundir a ideia de que " eu só desejo o melhor ao povo. Mas quem sabe o que é melhor ao povo sou eu."


Eu realmente tenho uma certa dificuldade pra entender uma dinâmica acadêmica que vá buscar no Positivismo (o mesmo aquele do Júlio de Castilhos, do Golpe de Getúlio de 1930, a Constituição Polaca de 37 e seu Estado Novo do mesmo castilhista Vargas, etc).


Penso que o Freud renomeu os instintos primitivos e nos ofereceu a ampla e prazerosa leitura e análise das pulsões. Mas isso é coisa pra muita conversa, que alias, pra quem se interessar, o blog está recheado de material à respeito.


Neste domingo enfarruscado, eu só queria tirar o foco de minha publicação anterior onde identifiquei o "grande mal estar do momento atual do país " , e queria abordar o altruísmo e seu antagônico egoísmo.


Tanto um como o outro, pra nós que ousamos despertar demônios adormecidos, são ambientais e fruto de experiências de vida, com o manejo das pulsões e com a capacidade individual de escolher ou ser um ou outro. Ou ainda quando ser um ou outro. Ou quem sabe, estampar ser um e na verdade ser outro. 

Personas...


Mas... deixa pra lá...é domingo e daqui a pouco tem futebol...


Fraterno abraço 

André Lacerda  - Psicanalista



sábado, 16 de março de 2024

UM PAÍS CHAMADO CARNAVAL



O título se refere à uma peça que escrevi na adolescência, e me foi lembrada por um amigo querido, e que vai virar série. Quem sabe livro.

E isso se deu em 1981. Em plena ditadura daquele que João que batia e prendia...

Por falar nisso...

Em 2018 eu estava no fundo do poço de uma depressão extrema. Fazendo muitas besteiras...só pensava em fazer besteiras mais graves do que aquelas que eu fazia...

Mas me lembro de imerso na tristeza, ter ficado mais triste ainda com a vitória "dele" nas eleições. Triste não...com nojo. 

Naquela época vi um entrevista dele mostrando um porrete e dizendo ser aquele pedaço de madeira, o psicólogo que ele indicava...

Deve ter usado várias vezes pra amenizar suas pulsões....

Mas aceitei. Afinal, DEMOCRACIA é isso. E fiquei torcendo pelo país, afinal eu não tinha esquecido do "petrolão" e nem de todos os mal feitos que a centro esquerda tinha feito pelo Brasil afora. E o pior mal feito da esquerda,  foi abrir espaço pra essa figura desprezível, ignóbil, e tudo de ruim que se possa pensar, assumir o país. 

Mas veio 2019 e minha Ana e minha filha me buscaram do inferno da doença (simmm..Depressão é uma doença senhores e senhoras terraplanistas), e eu estava ainda torcendo pelo país.

Mas ainda com muito nojo do Bozo. 

E veio a pandemia.

E o Bozo estava lá, no mínimo, debochando daqueles que morriam sufocados pela falta de oxigênio e pela maldade do desgraçado negacionista, fascista, infame e tudo o mais que todo mundo sabe.

E tudo o mais aconteceu. 

Agora tudo vem à tona.

E tem muito mais que vai emergir tal qual o antigo "monstro da lagoa" ...

E eu que não esqueci e não vou esquecer do "petrolão", e toda aquela sacanagem que só não foi levada ao cabo por conta da canalhice de outros golpistas ( Moro e a gangue de Curitiba), não fico feliz por isso.

Muito triste pelo monte de gente de bem que aderiu à tudo que envolve esse asqueroso golpista e genocida que nem sei se vai pagar por tudo que fez...

Na verdade... muito triste pelo Brasil estar passando por isso...


P.s: a foto é de 2018...



quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

O Pão com Ovo !

 Realmente tenho escrito pouco.

Penso que o algoritmo não sente muita falta de minhas crônicas, uma vez que não vou falar da luta entre Popó X Bambam...

À propósito: Esse Bambam não era um cara que ganhou um dinheiro do Big Brother da Globo porque casou com uma vassoura?

E o Popó não é aquele que foi multi campeão de Box?

Tchê...passamos 4 anos da mais absoluta treva e agora temos que nos submeter à isso??

Sem contar que o outro lá, que estava indo mais ou menos, já começou com aquela diarreia verbal falando de genocídio e tal.

Por favor assessoria...te liga!!!!

E tem aquela briga das duas irmãs que cantavam juntas e uma diz que a outra era uma e que a uma era outra e tral e tal...

Realmente o algoritmo não está sentindo falta de minhas crônicas...

Por aqui, a principal preocupação tem a ver com a textura da gema do ovo.

Não pode passar um milionésimo de segundo do ponto certo em que a gema flua tal como rio de ouro sobre a batata palha...

E isso me faz lembrar que a diferença da riqueza e da pobreza pode estar nas palavras ( até porque sou psicanalista...rs).

O pobre fala que só tem pão com ovo.

O rico fala que não existe maior prazer do que furar o ovo e deixar aquele fio dourado escorrer pela ponta fria do garfo, e logo embeber um pedaço de alvo pão e quem sabe, o ouro até escorra pelo lado da boca. ..

Notaram a diferença????


Fraterno Abraço 

André e Isabelle Lacerda

Psicanalista e Inspiração