segunda-feira, 27 de abril de 2009

Os Escravos da Pedra!

Faz tempo que estou batendo na tecla do crak.
Quem acompanha meus escritos, sabe que meu único preconceito é relativo à dor humana, e à tudo aquilo que faz as pessoas sofrerem.
Não vejo mais nenhum jornal ou noticiário que não contenha no mínimo uma notícia divulgando uma desgraça provocada pelo vício do crak.
Escravos dessa pedra maldita, estão acumulando adjetivos e tipos do código penal.
Estão somando qualificações: Prostitutas, ladrões, suicidas e agora, com cada vez mais frequência, HOMICIDAS.
Estando longe de Porto Alegre, acompanho nesta segunda feira a notícia onde aparece a polícia fazendo barreiras em toda a cidade. Sou solidário, pois essa sensação de estarmos sendo reféns dentro de nossas casas tem que acabar.
Contudo, acho que o policiamento tem que se intensificar no âmbito mais pessoal.
Creio que as famílias, os amigos e até colegas de trabalho ou de escola precisam intensificar os cuidados.
E não se enganem! O crak, começa com aquele baseadinho inofensivo ou com a "divertida" balinha de ectasy, tão comum nas baladas da classe média brasileira.
Minha preocupação é tanta, que meu livro será todo ambientado no inferno que vivem as pessoas escravizadas pelo chamado "flagelo do cachimbo".
Não creio que todos aqueles que deveriam estar envolvidos nos processos de combate à essa droga infâme, estejam envolvidos como deveriam.
Estou preocupado...
Fraterno abraço
André

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Te Levanta Helena!

Tudo bem. Eu já chamei o orkut e demais sites de relacionamentos da internet de As Grandes Cafetinas! Mas hoje tive uma grata surpresa. Reencontrei (ou fui reencontrado) pela internet, uma família que viveu comigo e com minha família os primeiros anos de minha vida.
Em tecnicolor, passou instantaneamente um filme na cabeça do psicanalista cansado de guerra.
Me correm duas lágrimas insistentes... de saudade! Saudade do que eu era. Saudades de meu pai. Saudades daquela cidade que não conheço mas sinto falta. Saudades da Dona Helena e do seu marido Gilberto. Helena e Gilberto da minha distante infância. Da minha amada infância.
Helena dos doces e das costuras. Das histórias cobertas com recheios que ela fazia as vezes com gargalhadas e outras vezes com lágrimas.
Gilberto da força. Era forte e dirigia um caminhão ou ônibus... não lembro bem. Um caráter tão limpo e tão forte como seu sotaque, que se bem me lembro era entre o fronteiriço e o açoriano.
E tinham os filhos... meus amigos... meus queridos e inesquecíveis amigos. Me lembro da Nádia e da Jussara. Lindas. A Nádia era mais fragilzinha... um doce de meiguice, pintada de sardas. A Jussara era forte como o pai. Ela não chorava. Me lembro que as vezes lhe corriam lágrimas e ela ficava muda... mas não chorava.
E tinha o Gildo. Meu grande parceiro das aventuras pelos quintais, e meu rival dos jogos de bola, de gude, de tudo enfim. Mas eu confiava pra caramba naquele menino! O meu pai adorava aquele guri.
Gilson era o mais novo... lindo bebê. Depois que eu criança vi aquele bebê, consegui entender que nem todos os bebês nasciam parecidos com joelhos enrrugados.
O que mais me lembro, é que a família de Helena e Gilberto, fazia com que eu vivesse sempre em festa, e aqueles meus anos fossem bordados de um colorido que jamais esquecerei.
E eles me reencontraram agora... no meu agora que talvez seja minha segunda infância uma vez que estou refazendo e aprendendo um monte de coisas.
Estou feliz.
Ainda escuto seu Gilberto falando:
"- Helena!!! Te levanta Helena... depois tu faz essas comidas galopeadas! Levanta Helena!!"
Essa família existe. Não é uma fantasia do analista freudiano aqui. Vive no sul do sul do Brasil, e à eles, digo que também vivem e existem efetiva e afetivamente no meu coração e de toda minha família.

Fraterno abraço
André

Apocalypse Now !

Semaninha pesada! Quebrada pelo feriado dos 509 anos do descobrimento do Brasil.
Ao escrever a última frase me deu vontade de gargalhar. Descobrimento do que mesmo???
Tenho descoberto muitas coisas nos últimos meses, mas confesso aos amigos que acho que o Brasil ainda não conseguiu se DESCOBRIR... e como Cazuza falou, ainda não mostrou sua cara. Ou melhor, mostrou. E é uma cara suja, ranhenta, com a boca cheia de cáries, ouvidos sujos e principalmente olhos que lacrimejam sangue!
Por incrível que pareça, ( aqueles que me conhecem sabem que pouco me relaciono com crianças) tenho estado próximo de crianças em idade escolar. Credo! Que horror!!!
Alunos de 4ª, 5ª e até de 8ª série, analfabetos funcionais. Não sabem interpretar nem entender o texto mais medíocre que lhes possa ser apresentado.
Bem... nessa semana ... vi e revi em dvd, a obra Apocalypse Now, com a mais recente visão do diretor Francis Ford Coppola.
Coppola editou a versão da década de 70, e na minha opinião, tornou melhor ainda aquela que já seria naturalmente uma obra prima.
O que me chama atenção, é a cena em que as coelhinhas da playboy, que são levadas ao front para entreter os combatentes e depois do show, tendo o helicóptero em pane, ficam perdidas na selva do Camboja.
O promoter delas, troca dois galões de combustíveis pelos prazeres que as moças podem proporcionar aos soldados liderados pelo Martin Sheen. Num primeiro momento, a coisa parece até meio engraçada, porque cada soldado tem apenas 15 minutos, e todos eles tem fantasias antigas com as meninas, etc...
Mas... verifica-se que cada uma delas, tinha sonhos diferentes.
A garota de Maio, só queria continuar com sua carreira de adestradora de pássaros. A Miss do Ano, só queria que deixassem ela mostrar seus talentos no campo da literatura e da arte cênica.
No entanto, elas estavam lá... trocando o óleo dos soldados doidos, em troca de óleo para o helicóptero.
Belo filme. Recomendo a versão REDUX, lançada em 2000.
Pra nós brasileiros, não descobertos, o filme não vai ser tão chocante. Aliás, acho que pode ser até um retrato metafórico de nossa realidade.
Fraterno Abraço
André

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Amamentando Cobras!

Sexta da graça... Dia de festa, enfim... uma historinha pra encerrar a semana!
Minha historia de hoje, conta como personagem uma velhinha daquelas do interior. Sem maldade nenhuma... sem nenhum pecado.
Sozinha no mundo, a velhinha amava plantas e animais e à eles se dedicava.
Uma bela manhã, a velhinha na rua, indo comprar o leite e o pão, depara-se com uma cena que lhe comoveu. Ali, estirada no meio da rua, toda machucada, quase morrendo, uma cobra.
A velhinha num primeiro momento com certo cuidado - afinal: cobra é cobra - verificou que o estado da serpente era deplorável. Provavelmente o animal ia morrer.
Mas não seria ela, uma velhinha bondosa que deixaria uma criatura de deus morrer assim, sozinha e sofrendo no meio da rua. Então, com todo o cuidado, a velhinha pega o animal quase morto, o embrulha carinhosamente em sua manta como se uma criança fosse, e o leva pra casa.
Em casa, acomoda a serpente em uma caminha feita ao lado da sua, e começa a tratar dos ferimentos com dedicação sacerdotal.
Lava os cortes, prepara e aplica unguetos e alimenta. Alimenta o corpo doente e alimenta o espírito enfraquecido e solitário, e assim, nossa velhinha acaricia até a alma da serpente.
Nos primeiros dias, a velhinha até usava sapatinhos de veludo para não perturbar o sono da cobra ferida.
E acordava várias vezes durante a noite a fim de cuidar de sua hóspede enferma. E assim, desenvolveu-se uma relação de extremo afeto que ia fazendo o milagre da cura. A cada semana, a cobra apresentava surpreendentes sinais de recuperação.
Passaram-se muitos dias... e a medida que o estado de saúde da cobra ia melhorando, mais intenso ficava o afeto que a velhinha desenvolvia pelo animal.
E foi numa bela manhã primaveril, na hora da primeira refeição, que algo aconteceu!
A velhinha debruçada no berço da cobra, estende a mão com a mamadeira de mingau ( a cobra era tratada como criança) para o desjejum do ofídio. Assusta-se com o movimento rápido e certeiro produzido pelo bote da cobra e depois do susto sente a dor de duas presas injetoras perfurando seu pescoço inoculando veneno mortal na regiao da aorta.
Morrendo, a velhinha olha para a serpente que ainda estava pingando veneno e pergunta:
"Minha filha... eu te tirei da rua, ferida, quase morta e sozinha... Te limpei as feridas e curei teus cortes....Aliviei tuas dores... e te dei o meu amor... por que me mataste???"
Naquele tempo, as cobras falavam... e sendo assim, a cobra, ascendeu um Marlboro light com um isqueiro Zippo, deu duas tragadas com enorme prazer, e sentenciou:
" Pois é bondosa velhinha. Tu fizeste por mim o que ninguém faria. Me acolheu, me curou as feridas, salvou minha vida e me deu até o que nunca tive: Amor. Tu só cometeste um erro!"
A velhinha, num último sopro de vida ainda pergunta:
" Qual foi meu erro???"
A Serpente, limpando o canto da boca por onde ainda escorria um pouco da peçonha, respondeu:
" Esqueceste que eu sou uma COBRA!"

Moral da história????
Cuidado com as cobras que tu amamentas!
Fraterno Abraço
André

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Tudo nas Nossas Mãos!

Leio as manchetes:
" Mulher mata marido, vai à igreja e ao banco, resolve algumas coisas, vai a casa da irmã, e a mata juntamente com a sobrinha de 6 anos."
E mais....
" Mãe mata filho com um tiro no pescoço depois de ser agredida a faca pelo próprio, sendo que este era viciado em crak e provavelmente estava desesperado pela droga."
Seguindo....
" Provável falência da ULBRA, deixa milhares de professores, funcionários, pacientes dos hospitais da rede e alunos sem atividade. Apura-se gestão fraudulenta e corrupta do reitor!"
O que eu devo escrever hoje????
Vou contar uma historinha.
Duas moças, daquelas que acreditam saber, subiram a montanha e foram testar a sabedoria e a capacidade de entendimento filosófico de um mestre.
Várias vezes fizeram isso, e sempre saiam da montanha certas de que o mestre era realmente alguém de profundo saber e intuição.
Mas... não ficaram satisfeitas. Queriam porque queriam que o tal filósofo errasse ( isso é próprio dos sem noção) pelo menos em um questionamento formulado e assim começaram a pensar(??) num jeito de induzir o mestre recluso ao erro.
Uma delas tem a idéia. E combina com a amiga:
"- Vamos fazer o seguinte: Subiremos a montanha, e eu vou levar uma borboleta viva que vou manter entre minhas mãos. Quando chegarmos, direi ao mestre, que entre minhas mãos tem uma borboleta, e perguntarei se ela está viva ou morta. Desta vez, ele erra com certeza, pois se ele disser que a borboleta está morta, eu abro as mãos e a deixo voar. E se ele disser que está viva, aperto as mãos e mato a borboleta. Assim ele vai errar com certeza, e como levaremos a imprensa todos saberão que o mestre é um charlatão e nós vamos nos divertir muito com o escândalo. "
Jornais e TV acionados, verdadeira comitiva sobe a montanha seguindo as duas mocinhas que queriam diversão.
De chegada, a autora da idéia já sai chutando com tudo o sóbrio pensador:
" Tu que à tudo opinas, e a quem todos recorrem nos seus idílios por acreditarem na tua sabedoria, diga-me: A borboleta que está entre minhas mãos está viva ou morta??"
O mestre, homem de livres pensamentos e de alma serena, olha no fundo dos olhos da moça, e depois de alguns minutos responde:
"Minha filha porque me perguntas??? Nós dois sabemos que essa resposta está nas tuas mãos!"
É verdade...
Tudo está nas nossas mãos...
Fraterno abraço
André

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O Louva a Deus e a Anêmona!

Conheço uma mulher! Uma mulher que não conheço. E das mulheres que não conheço, talvez esta, seja a que eu mais conheça!
Ela se veste com a mesma dificuldade com que se despe, pois a cada peça de roupa, ela projeta um estratagema. Assim, quando acaba de se vestir, ou de se despir, ela está perfeita. Perfeita pra ela mesma. Por isso talvez, sua estima seja absolutamente estratosférica.
Pobre mulher essa que não conheço e que de não conhecer, sei de todas as suas fraquezas e principalmente reconheço nela, uma fortaleza inexpugnável.
Grande mulher essa que tão bem conheço e que de conhecer, fico aturdido e cego no que se refere aos seus desejos e vontades, portanto sem saber de nada.
Ela é uma mescla de fêmea de louva- a - deus e anêmona. A primeira, depois de sentir-se fecundada, logo depois da cópula, arranca a cabeça do macho e come. A segunda, um ser assexuado, meio macho e meio fêmea que se auto engravida.
Conheço um mulher que não se conhece. E se se conhece, esconde de si própria a sua essência. E por isso não ri e não chora ( goza???).
Alguém conhece ela????

Fraterno abraço
André

terça-feira, 14 de abril de 2009

De César à César!

Tibério, imperador de Roma, chamado de "o velhinho", talvez tenha sido uma dos mais terríveis tiranos da história humana.
Foi de Tibério César, a idéia de oferecer ao povo faminto, a diversão dos estádios onde gladiadores matavam gradiadores. Calígula, sucessor deste, utilizou-se dos mesmos estádios, utilizando como atrações leões que comiam cristãos, oponentes políticos ou mesmo amantes de qualquer gênero ou sexo os quais ele havia enjoado.
Calígula, enquanto César, pras elites que o apoiavam, ainda promovia orgias onde tudo valia. Inclusive assassinatos por pura diversão. E com requintes de crueldade, utilizando máquinas de tortura, esquartejamento, apaleamento, etc.
Um bom referencial pra conferir isso, é a obra de Flávio Josefo, historiador judeu romanizado, que sob as ordens de Roma escreveu "A Guerra dos Judeus", que aliás deveria ser livro obrigatório para algumas instituições.... ( melhor voltar ao curso anterior antes que pinte um processo de excomunhão....que medo!!!!)
Pois como se verifica, aqueles que estão no poder, em qualquer tempo ou lugar, sempre estimulam o circo ao povo. Os artistas circenses que me entendam, pois não é bem o Circo daqueles que estou falando.
Falo dos espetáculos que são fabricados para iludir o povo de que ele pode passar sem o pão.
Falo dos espetáculos onde aparecem octagenárias egocêntricas, com seus truques de culinária que tornariam dispendiosos e exagerados, mesmo para a corte da Maria Antonieta antes da Revolução Francesa.
E tem aqueles mercadores de falsas esperanças, que gozam com a desgraça alheia, e se mantém no poder pelos revezes da idiotização que produzem, e se divertem aos domingos, jogando dinheiro aos miseráveis que ainda aceitam topar tudo dinheiro.
E aqueles patéticos fantasiados de cowboys americanos??? Falo fantasiados, porque mesmo pra pobre cultura que acabou com a rica cultura sioux, cheyenne e apache, os nossos cowboys superam em péssimo gosto.
Diante do espetáculos atuais, acho que os tiranos da atualidade fazem os césares parecerem aprendizes de perversos. Os leões, meros bichinhos de pelúcia, e os temíveis gladiadores, inofensivos soldadinhos de chumbo.
Mas... enfim... daí a césar o que é de césar.



Fraterno abraço à todos!
André