quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Veneno da Cobra Cipó!

Era um momento de absoluto envolvimento nas questões ambientais. Fazia parte de uma equipe que vivia 24 horas por dia e 7 dias da semana em função da causa ambiental e sobretudo com dedicação exclusiva à preservação das espécies e à  causa da manutenção do planeta.
Aprendi muito naqueles anos. E tenho muitas histórias pra contar.
Tem a história do leão baio (puma americano) que resgatamos nas margens do Rio Jacuí e que vinha assombrando os moradores e inclusive tal assombro deixava os apenados das Penitenciárias de Charqueadas sem vontade de empreenderem fugas pela beira do rio.
Tem aquela da jaguatirica na Zona Sul que teimava em frequentar os banheiros das casas à beira do Guaiba.
A mais hilária das histórias, foi a do bugio assustado comigo, que me fez pular nas águas profundas e poluídas do Guaíba para evitar que o danado morresse afogado, e cujo evento me fez virar até charge de jornal.
Tem muitas histórias...
Mas hoje, vou contar uma história envolvendo uma serpente. Até hoje tenho a marca desta história "tatuada" na minha mão esquerda entre os dedos polegar e indicador.
Eis que era um novembro mormacento na Porto Alegre de meus risos e lágrimas.
Nesta época, com o aumento das temperaturas, até as cobras procuram melhores lugares para seus cochilos vespertinos, e os banheiros dos bairros da Zona Sul parece que são preferência dos ofídeos que deveriam estar nos seus ambientes naturais da mata de Itapuã e do Morro do Osso. Não fosse a invasão humana jamais sairiam de lá....
Mas no caso, uma serpente alojou-se  num vaso sanitário de um banheiro de piscina na Zona Sul... e lá fomos nós...
O bixo estava calmo e foi logo identificado: Era uma cobra Cipó, verde e fininha com  cerca de 1 metro de comprimento.
A técnica diz que para se capturar um animal destes, pega-se ela pelo rabo e se fica impulsionando para baixo mantendo-a com a boca longe e livrando-se da mordida.
Desatento por qualquer questão que não lembro, acabei mordido pela serpente que ficou furiosa em ser pega pelo rabo.
Sentindo certa dor (nada de absurdo pois a dor era suportável), fiquei tranquilo pois sabia que aquela espécie de cobra não era venenosa, e na sua boca, apenas pequenas serrilhas faziam as vezes de dentes, com ausência de presas inoculadoras.
Bem... na sequência dos fatos, depois de limpas as escassas gotas de sangue da mão, a cobra embalada para viagem, seguimos caminhos para entregá-la aos cuidados dos técnicos da Fundação Zoobotânica. 
Aqueles 15 ou 20 kilômetros que percorremos da Zona Sul ao Jardim Botânico foram de absoluta tranquilidade para todos, inclusive para mim, recém mordido de cobra.
Sem dor, pensava em milhares de outras coisas. Na conta do banco, nos planos de fim de semana, na rotina da vida, enfim... outras coisas que me fizeram até esquecer da serpente fujona que se refrescava num vaso sanitário da Dea Coufal.
Chegando na Fundação, surge uma sorridente e simpática bióloga encarregada das serpentes e ela já vai dizendo:
"- Que legal... resgataram uma Cipó!!!"
E assim, ela descreve o animal que segundo ela tem o nome de Cipó por que gosta de frequentar os galhos das árvores. Com mais técnica e com luvas, ela continua a descrição mostrando-nos as características da serpente:
"- Olha essa mancha marron que ela tem na cabeça! Não fica lindo esse contraste amarronzado com o verde limão brilhante??? E olha as serrilhas! Indicam que é um animal adulto!"
Confesso que eu já estava ficando meio nervoso, pois a cobra estava dando sinais de poucos amigos, e manifestei para a bióloga que mesmo sem peçonha, aquelas serrilhas me deixaram as marcas na mão e narrei mostrando o ferimento, minha experiência de 30 minutos atrás.
Ela me olha com uma seriedade que me gelou até a última gota de sangue e professou:
"- Deixa eu te mostrar uma coisa." 
Nisso, a técnica abre ainda mais a boca da serpente, e neste movimento, do céu da boca da Cipó, basculantemente surge uma única presa que parecia uma agulha daquelas que se tira sangue para exames laboratoriais, pingando  gotas de um líquido meio transparente, meio amarelado.
Meus joelhos começaram a tremer, e já a cabeça começou a pesar enquanto eu ouvia à distância a voz didática da bióloga:
"- Recentemente, a Biologia identificou que a cobra Cipó tem veneno. É inoculado por essa única presa que tem lá atrás... no céu da boca ! É assim que ela mata os pássaros. E é por isso que ela gosta de caçar nos galhos de árvores. Os pássaros a confudem com cipós!"
........................................
Me recuperei em poucas horas, sem nenhuma sequela que não fosse devidamente tratada no divã.
E vocês meus amigos???? Teem encontrado muitas "Cipós" pelas suas vidas??? Daquelas que não parecem, mas que em algum lugar no fundo de suas bocas guardam presas que inoculam  veneno???


Fraterno abraço
André   
  
                   

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Judas Ou Pedro???

Bem... que inicie-se o 2010 de todos os nossos sonhos e de todas as nossas esperanças.
E só pra começar o ano, depois de ter admitido que saudei Iemanjá na primeira madrugada, sigo no campo das interpretações religiosas (só para provocar a ira de mais alguns... risos).
Segundo consta, Jesus de Nazaré tinha muitos discípulos, e na verdade nem todos eram humildes pescadores analfabetos e desprovidos de recursos.
Alguns até eram ricos e pelo que consta eram os que bancavam as pelegrinações, etc...
Elias Marcos, José de Arimatéia e Lázaro só para citar exemplos de magnatas que sustentavam o movimento liderado por Jesus. Movimento aliás,que originariamente era revolucionário. Daí parto para as seguintes premissas:
O povo de Israel estava submetido ao Império Romano, sob o jugo de Tibérius Cesar e da maior força militar de todos os tempos: As Legiões Romanas.
A justiça era feita de maneira romana para os romanos, e celeremente cruel para os judeus.
A miséria era aumentada pelo tributo cesáreo. Enfim...era tudo um flagelo.
O povo sucumbia a cada dia. Centanas de crucificações diariamente. 
Eis que surge uma promessa. Um libertador oriundo do seio de Israel.
Todos os oprimidos de todas as classes sociais apostaram neste ícone libertário.
Contudo, o discurso do filho da promessa foi diferente daquele que toda Israel esperava.
Queriam revolução. Queriam liberdade. Queriam sua pátria de volta.
E "ele" disse: "Dai a Cesar o que é de Cesar!" "Meu reino não é desse mundo"!...
Mas o povo queria o que Cesar tinha lhes tomado e  agora que estavam todos mobilizados o "cara" vem e diz: " Ofereça a outra face!"
E o resto todo mundo conhece. Ou pensa que conhece... sei lá.
Meu texto de hoje, tem a ver com dois personagem dessa história.
O primeiro é Judas. Judas entregou seu mestre. Mas entregou depois de ter se decepcionado com o discurso entreguista e com a não possibilidade de promover a revolução que libertaria seu povo.
Traiu... sacaneou...
E tem o Pedro...
Pedro saiu de bonzinho de toda a história, sendo inclusive herdeiro das chaves do céu e pedra fundamental da igreja que estava nascendo.
Mas... Pedro negou! Negou três vezes antes mesmo que cantasse o galo.
Então eu me pergunto:
Quem eu iria preferir??? 
O traidor  previsível, aquele que eu soubesse antecipadamente que não me apoiaria?
Ou aquele que quando eu mais precisei me negou covardemente?
Não sei... risos
Ainda bem que não tenho discípulos... risos
Fraterno abraço
André      
    

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Semeando a Paz no Balanço das Ondas!

Faltavam alguns minutos para que chegasse ao fim o ano da graça(??) de 2009. Eu estava entre todos aqueles que me são caros. Compartilhávamos irmanados a expectativa da chegada de 2010 e a areia do litoral mais reto que o google earth mostra.
O cheiro da maresia, a brisa marinha e a multidão de pré grenal me deixavam eufórico. Eu fui encarregado de estourar o espumante no exato momento da virada, e na minha cabeça matemática eu queria que isso estivesse sincronizado com o primeiro brilho do primeiro fogo de artifício que aparecesse no céu.
Naqueles minutos, mesmo preocupado com a possibilidade de algum dos meus rolarem pela duna, me entreguei à poesia dos últimos momentos do ano velho e à magia do parto de um ano novo.
Meu povo já estava em festa faziam alguns dias. Minha família é festeira. Festeira e musical. Então, lá pelas 23:35 horas, os Lacerda ocuparam seu espaço naquela duna praiana cantando:

"... que tudo se realize no ano que vai nascer...".
  
O mar nos contagiando, e meu guri ao violão me chama :
- André!!!! canta aquela!
Ele acorda um ré menor no seu eagle preto e eu emendo:

"Ela mora no mar, ela brinca na areia. No balanço das ondas, a paz ela semeia..."

Me peguei cantando a música da Marisa Monte, e a multidão veio junto...
Pensei no meu ateísmo, e na frase do Freud em sua carta ao seu amigo Oscar Pfister :

" Descrente inveterado, não tenho ninguém a quem acusar pelas minha perdas, e compreendo que não há lugar  onde eu pudesse  apresentar queixa por elas."

Pensei em parar de cantar aquela música que falava de mitos religiosos, e lembrei de outra máxima do próprio Freud:

" Mesmo descrente, sem religião ou fé dogmática, acho que é saudável o respeito pelas exigências éticas da cultura humana."( Carta enviada à AJLBB , 1926).

Assim... continuei cantando:

"Oguntê, Marabô, Caiala e Sobá,
Oloxum, Ynaê, Janaina e Yemanjá
São rainhas do mar."

E assim, alguém me avisa que soou o alarme do celular ligado ao satélite e era exatamente meia noite.
Explodimos todos de alegria, esperança e votos de saúde pra dar e vender.
Acho que beijei e fui beijado por quase toda a multidão de pré grenal.
A música da Marisa não saia da minha cabeça...

" Olha o canto da sereia,
lalaô, oquê, ialoá    
Em noite de lua cheia
Ouço a sereia cantar..."

Nos vinte minutos seguintes, acho que ninguém ficou olhando pro mar. O show de fogos estava lindo.
Minha loura camaleoa sentiu minha inquietação, pois eu não conseguia desviar os olhos do mar. De mãos dadas fomos em direção à água, e ela pergunta:
-Tens certeza de que queres? A água está gelada!
E ela viu. Só ela viu.
Entrei no mar gaúcho, pedindo licença à Ogum Beira Mar e a Yemanjá implorando que no balanço das ondas eles semeassem a paz.
Pulei as sete ondas e lavei minha alma.
A Loura me esperava na praia, segurando um casaco, prevendo que eu sairia da água batendo queixo de frio.
Tremendo de frio, abracei a loura e disse:
- Que venha 2010! Estou pronto!
Naquele momento decidi que não quero mais sair de perto do mar...
Fraterno abraço
André


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Cartão de Natal de um Ateu!

Então chegamos no final do ano.
Na publicação de hoje, encerro as atividades deste 2009 que os pariu, e vamos dar uma pausa e revigorar as energias com muitas sessões de descarrego nas águas do mar.
Termino meu ano engasgado com um monte de coisas e até acho que não preciso citar.
Contudo, exteriorizarei meus desejos para o natal que se avizinha e o ano novo que já vai sendo parido neste apagar de luzes no velho ano.
Como não sou religioso, não posso desejar nem pedir nada que não seja de cunho agnóstico, portanto eis meus pedidos:
1)  Por crer na essência humana, desejo que os homens descubram neste natal, que o homem não é o lobo do homem, e sim, que o homem é irmão do homem. Assim, não precisaremos de mitos e lendas para que sigamos norteados pela fraternidade, pela humanidade e pela boa vontade.
2) Por crer na capacidade da minha raça de sobreviver, desejo que tenhamos todos consciência de que nossa casa está pegando fogo, e que se dependemos da boa vontade de meia dúzia de cretinos para apagar o fogo, é porque nós mesmos lhes demos o poder inclusive, de nos matar queimados.
3) Por crer na liberdade, desejo que todos os fascistas (de todos os gêneros) se agrupem num único lugar e que lá confraternizem uns com os outros da maneira que mais gostam, ou seja, se exterminando.
4) Por crer na inteligência, desejo que a ignorância seja banida do planeta, e assim, NINGUÉM ignore que se estamos na merda, é porque tem indivíduos que ignoram nossas vidas, e primeiro nos botaram na merda, e depois nos avisam que a médio prazo pretendem nos tirar da merda.
5) Por crer na verdade, desejo que todos nós sejamos contagiados por ela de uma maneira clara e pragmática, assim a verdade (ou a luz) não será apenas uma promessa para usufruirmos em vidas ou paraisos futuros, de onde nunca ninguém mandou notícia.
6) Por crer no amor, desejo que todos amem uns aos outros de uma maneira humana, e sendo humana, não precisaremos crer em símbolos divinos que saem espalhando espermatozóides pelo mundo fecundando virgens incautas.
7) Por crer na evolução, desejo que todos tenhamos olhos de ver para que vejamos aqueles que cegos nos fazem, atolarem-se nos seus poços entupidos com seus trinta dinheiros.
8) Por crer na justiça, desejo que em todas as nuances de nossas vidas, seja dado à César o que é de César.
9) Por crer na paz, desejo que sejam retiradas de nossos corpos indefesos, todas as agulhas que foram introduzidas em nome dos desejos perversos, dos deuses, da maldade e da paixões doentias.
10) Por crer na VIDA, desejo por fim, que a essência dela, expanda-se atingindo a todos nós, e que as luzes do natal que representam isso, nunca se apaguem  em 2010.

Feliz natal! Feliz ano novo!
Até 2010...
Fraterno abraço
André          

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Em qual M... nos afogaremos primeiro??

Vejo nos jornais que o presidente do Brasil brada que quer tirar o povo da merda.
Como isso só pode ser mais um dos arroubos populistas do Sr Lula da Silva, penso que não vou cansar meus amigos leitores comentando isso. Lembro que o Stanislau Ponte Preta já preconizava que o povo brasileiro iria morrer afogado na dita pelo presidente, mas que isso era mais uma atirada irônica do popular(não populista)  Stanislau, e enfim...
Vejo nos jornais, que um médico será indiciado no inquérito que apura o assassinato de outro médico e penso que isso é assunto que ainda vai se desenrolar.
Contudo, um fato na notícia me chamou a atenção. Parece estar envolvido no caso, um indivíduo conhecido das forças policiais gaúchas e indentificado como chefe do tráfico de drogas de uma das "bocas" mais evidentes de Porto Alegre, que funciona no Campo da Tuca.
E lendo a notícia, penso que o "poder" do tráfico atua em mais frentes do que se pode imaginar, e quem sabe até entre os segmentos sociais que pessoas de bem circulam sem a mínima noção da presença daqueles.
Em meu livro "EU NÃO POSSO FALAR - A TRISTE HISTÓRIA DOS ESCRAVOS DA PEDRA", que encontra-se em fase de conclusão, dedico um capítulo (o primeiro) para contar (e se conto é porque ouvi como demanda clínica) como os "patrões"  de bocas cobram de seus clientes depois que já levaram dinheiro, carro, etc...
Vou reproduzir aqui, um trecho à título de "amostra grátis", para que todos entendam o que estou escrevendo, ressaltando que mesmo sendo inspirados em fatos absolutamente verdadeiros, todos os personagem do livro são fictícios, portanto são também impessoais.
........
"Passavam de 4 horas daquela madrugada perdida. Ela estava nua... extendida numa cama redonda sob espelhos...espelhos que não à refletiam... ela não se reconhecia olhando o reflexo dos espelhos.

Estava naquele motel desde às dezenove horas do dia anterior. Chegara sozinha. Rasgara o pretinho básico ao fechar a cortina de lona da garagem da suíte que iria ocupar.
Às dezenove e cinco, deitada numa cama exageradamente grande para ela, abriu uma lata de cerveja e bebeu apenas um gole....jogou o resto do conteúdo no vazo sanitário, pois precisava mesmo, era da lata...
Às dezenove e dez, ascendeu a primeira pedra de crack. Seria a primeira de uma série de muitas que havia comprado à pouco no seu “fornecedor” habitual.
Conhecia pelo primeiro nome os traficantes de todas as “bocas” que margeavam Porto Alegre, e tinha fácil acesso quando tinha dinheiro, ou quem sabe, algo que fosse de valor.
Muitas vezes tinha se utilizado dos motéis, onde entrava e saía sozinha, pra aplacar a terrível vontade de fumar o crack. Entrava sozinha, dirigindo o carro da mãe ou do pai, drogava-se ao seu limite, dormia e depois ia embora. Sempre encontrava seu filho dormindo, e seus pais, embora preocupados com a demora, pensavam que ela estava apenas numa noite romântica com algum namorado.
Agora... estava alí... nua .... e nem sentia mais que desde às 21 horas do dia anterior, estava se submetendo aos caprichos e desejos totais do traficante que chamara logo que suas primeiras pedras foram consumidas.
Sentia apenas os efeitos da droga... e a vontade de querer mais.
Conscientemente, sabia que estava no fundo do poço. Estava se entregando à horas, atendendo à todos os pedidos de um homem que julgava, pela sua formação familiar e acadêmica, como um bandido.
Mas o bandido tinha as pedras, e ela precisava das pedras.
Pensou consigo mesma: - Fodam-se todos! Pai, Mãe e filho! Amanhã eu vejo o que vair dar.
E o bandido lambuzou-se. A cada pedra era uma fantasia nova.
- “Chupa aqui.... deixa eu meter ali....agora me chama de cavalo....então??? cala a boca e chupa aqui de novo, porque quero meter com força ali....”
Ela se submeteu à tudo....até às quatro horas da manhã... e então... pediu mais!
Entregou as chaves do carro ao bandido, e com a promessa de muito mais, convenceu ao próprio que fosse na “boca” buscar mais pedras.
Então descansou. Descansou do crack e do desejo insaciável do bandido, seu fornecedor."
.............

Espero que todos tenham um ótimo fim de semana,
Fraterno abraço
André
        

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Coisas que me irritam!

Reta final deste 2009 que ficará marcado por ter sido um ano de muitos acontecimentos importantes, tristes e alegres. Na minha opinião, mais do que os últimos anos.
Pessoalmente tive minhas perdas, tive meus ganhos e acho até que muito mais perdas, mas com certeza, os ganhos serão minhas grandes lembranças deste aninho safado que já vai tarde. Entenderam???
Ano que tenho que renovar minha CNH... e assim reencontrei um amigo que não via desde os tempos de segundo grau ( no meu tempo era assim que se chamava...risos).
Mas o meu amigo, é o meu professor de trânsito, naquilo que ele chama de manutenção do direito de dirigir.
Algumas coisas me aborrecem muito na minha rotina de acompanhar o sofrimento daqueles que buscam na minha atividade, o consolo e que muitas vezes não consigo dar.
Dentre estas coisas, certamente uma me irrita profundamente: A Ignorância que se torna perversão. Vejamos:
1) Em época de aquecimento global, degradação ambiental, e principalmente de certeza de que o mundo em que vivemos está sendo destruído por nós mesmos, a ignorância de uma dona de casa a transforma numa perversa poluidora quando despeja no ralo da pia os ressíduos da fritura de seu pastel que foi feito com todo o carinho;
2) O pai ausente, por ignorar que a vida não se resume em festivais de perfumaria, se torna um perverso quando para suprir suas faltas, arma seus filhos adolescentes com carros, motos e falta de referencial simbólico (metáfora do pai = lei), e assim ou os transforma em suicídas mortos no trânsito ou na boca de fumo, ou em homicídas atropeladores, esfaqueadores de professoras e perturbadores sociais;
Estes dois tipos citados, seriam os perigosos.
E tem aqueles, que são uma afronta ao bom gosto e por isso não são mais engraçados. Concordam comigo??? Vejamos o exemplo:
Existe coisa mais brega, nojenta, ridícula e certamente de extremo mau gosto do que o "magal" ( na minha adolescencia chamávamos de cafona) andando de carro???
- Ele não respeita as regras de trânsito por ser ignorante;
- Ele fala errado, veste errado, bebe errado, come errado, e só não faz sexo errado porque certamente (?????) nenhuma mulher vai dar a mínima para o inconsciente andrógino que de tão iluminado de falsas luzes parece uma árvore de natal decadente;
- Ele atrapalha o trânsito e o passeio público;
- Ele polui a cidade com seu equipamento de som que só roda música de péssima qualidade;
- Ele polui a cidade com o seu péssimo gosto extravagante.

Enfim... certas coisas me irritam muito...
Mas segue o baile, e até amanhã.
Fraterno abraço
André          

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Do Divã à Cozinha!

Semana no fim. Ainda bem. Perdi a esperança de já ter visto tudo no que se refere ao cenário político nacional, e na verdade, enchi o saco de falar de certas coisas. Não vou falar de mensalão com meias recheadas do dinheiro que falta pra saúde, segurança, educação, etc...
E atendendo a pedidos, hoje vou  ser suave e nada crítico e acho que até vou me alienar...portanto, "sem stress"! Ok???   
Como hoje é Sexta vou ser dietético... vou escrever sobre a nobre arte da França: A Culinária.
Hoje meu caros, saio da poltrona que fica atrás do divã, e vou me aventurar pela cozinha.
Vou  repassar para meus amigos, queridos leitores do Criador e da Criatura, a receita da especiaria com a qual vou tornar a noite de hoje muito agradável para todas as pessoas que comigo.
Contudo, em se tratando de mim, não posso deixar de lado meu lado pedante e chato, como aliás já fui taxado e até acho que escrevi sobre isso.
Vou escrever a receita em francês. Mas não se preocupem aqueles que não dominam o idioma da Carla Bruni, pois logo abaixo vou fazer constar a tradução. Espero que apreciem, e quem sabe com o décimo terceiro chegando, talvez se inspirem e façam da minha receita o prato principal de sua seia natalina.
O prato é muito apreciado no Mediterrâneo Europeu, e é conhecido como "Queue de Boeuf".
Eis a receita:

Chers amis je n'ai jamais lu et de savoir l'importance que donnait toujours à la souffrance humaine. Je ne veux pas croire que je suis d'être méchant, mais je veux que vous sachiez que, aujourd'hui surtout, je refuse de parler la même langue des salauds corrompus et ignorants qui ont subi des gens envorganham bonne bête, qui sont le plus au Brésil. Alors je vais avec la blague: Ingrédients: poivre de queue de bœuf ou de bœuf, l'ail, sel, au goût, le persil, la coriandre moulue, le basilic et à mon avis, le secret est de romarin. Personnellement, je préfère le pot de fer qui, au début , faire fondre le beurre et la cassonade pour sucrer et laisser flammé tous les ingrédients que j'ai mentionnés. Après tout couleur d'or, après la comparution est quatre-vingt dix pour cent de la bonne cuisine, versez-en une bonne quantité d'eau. Donc je pars pour une quarantaine d'années et cinq minutes. Puis, quand je vois que la queue est déjà douce, ajoutez une quantité généreuse de manioc hachées cubes pas si petit. Prêt. Nourriture des dieux, qui mai être accompagné de riz blanc et un vin rouge de Rio Grande do Sul. Voir que, pour quatre personnes, ne dépensent pas plus de vingt réel, et comme mon ami aurait couler le Itaqui Benicio, "un enfer de la nourriture traditionnelle"! Juridique né?? (Rires)

Agora traduzo:

Prezados amigos que me leem e sabem da importância que sempre dei ao sofrimento humano. Não quero que pensem que estou sendo debochado, mas quero que saibam que hoje especialmente, me recuso sequer a falar no mesmo idioma dos corruptos, canalhas e ignorantes metidos à besta que envorganham as pessoas de bem que são a maioria no Brasil.

Por isso, sigo com a brincadeira:
Ingredientes:
Rabo de boi ou vaca, alho, pimenta, sal à gosto, salsa, coentro moído, manjericão e na minha opinião, o segredo é o alecrim.
Particularmente, eu prefiro a panela de ferro onde num primeiro momento, derreto a manteiga com açucar mascavo para dourar e deixo flambando todos os ingredientes que já mencionei.
Depois de tudo douradinho, afinal a aparência é noventa por cento da boa cozinha, derramo uma boa quantidade de água.
Assim deixo por mais ou menos uns quarenta e cinco minutos.
Depois, quando vejo que o rabo já está macio, acrescento uma quantidade generosa de mandioca picada em cubos não tão pequenos.
Pronto. Manjar dos deuses, que pode ser acompanhado por arroz branco e um vinho tinto da serra gaúcha. Vejam que para quatro pessoas, não se gasta mais de vinte reais, e como diria meu amigo piá Benício do Itaqui, "uma baita comida campeira"!
Legal né??? ( muitos risos )

Fraterno Abraço

André