quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Agosto del diablo viejo!

Lá se vai o Agosto se despedindo com dias de primavera no sul do mundo. Os especialistas dizem que o Setembro vai trazer mais frio.
Ontem, vi a lua cheia que estava vermelha. Vermelha pela fumaça produzida pela quantidade enorme de desgraçadas queimadas que somam-se em todo o território brasileiro. Quisera eu que a lua estivesse vermelha saudando meu Inter, campeão da Libertadores.  
Eu que não creio, peço a deus por minha gente... Acho que já passou da hora de termos adquirido consciência ambiental...enfim!
Sempre gostei e acreditei no novo. Acho, como já contou Belchior, que o novo sempre vem, e estarmos vinculados aos mesmos ídolos de nossos pais só vai nos mostrar ali adiante que estes estão em casa, guardados por deus contando o vil metal.
Mas... "El diablo sabe por diablo, pero mas sabe por viejo!!!"
Então, acredito que toda a experiência de vida é válida, sobretudo se aprender-mos com base nos erros do passado, para que nosso futuro seja realmente novo e de esperança.
Por isso, quando Setembro entrar, quero que todas as minhas flores explodam pelos meus jardins e pelas minha alamedas.
Não vejo a hora de poder acompanhar o alarido frenético dos beija flores em busca do néctar das pitangueiras, larajeiras e pessegueiros floridos.
Não vejo a hora de chegar Setembro, e que se vá esse Agosto brado que os pario. Agosto da polícia filipina que resolve o sequestro matando os reféns. Agosto do tarado do Irã (e de seus amigos e companheiros) cujo maior prazer é apedrejar e lapidar mulheres sob a suposta égide saneadora da "deplorável civilização judaico cristã ocidental".
Que venha o Setembro da primavera que me dá vontade de voltar para um lugar onde nunca estive... para a Passárgada de meus sonhos onde sou amigo do rei.
Esperaças enfim, num setembro que na verdade só existe no imaginário de minhas fantasias, assim como o lugar que nunca estive  e que pretendo voltar... assim como a Passárgada e seu rei.
Mas... que bom que tudo isso está ai... e que o Agosto já está indo embora... 
Pelo menos, não teremos Agosto até o ano que vem...(muitos risos)
Fraterno abraço
André

          
    

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Pequeno Burguês No Inverno da Província!

Recentemente encontrei um velho amigo no Super Mercado. Médico célebre, intelectual com crônicas de sucesso, na minha opinião um dos ícones da cardiologia moderna, meu amigo é a imagem da simpatia em forma de gente.
Falamos do quanto (nós gaúchos) gostamos da "província" e o quanto ela nos aconchega e reconforta. Falamos do frio que de certa forma caracteriza a têmpera do homem do sul e dai eu acho que tive um rompante digno de pequeno burguês metido à besta, pois naturalmente (?!) eu falei que nestes dias de muito frio, me bastava a casa com lareira ascesa e um cálice generoso de cabernet sauvignon.  Nos despedimos, e já no carro, manobrando no estacionamento, eu pensei e eu mesmo me mandei ao raio que me partisse.
Como pode um cara que busca entender a frágil alma humana e que por consequência de seu ofício tenta ser consolador das dores das pessoas, falar que lhe basta uma lareira ascesa e vinho chileno para as noites do inverno provinciano???
Omito o nome do meu amigo por razões óbvias de preservação dele, e imaginei que se ele pensasse que eu me transfornei num babaca fútil, eu mesmo o avalizaria em sua tese.
Guiei até em casa pensando naquilo e martirizando a mim mesmo. Percebi que estava realmente frio pois as pessoas nas paradas de ônibus estavam encasacadas e batiam os pés para espantar a sensação gelada. O ar condicionado do carro me deixava numa situação agradável, mas eu percebi que estava frio.
Não saia da minha cabeça a babaquice burguesa na fila do caixa...
Em casa, o fogo da lareira já estava vivo e da porta do carro até a porta da casa, senti o gelo do agosto riograndense...
Ainda abalado com minha insensibilidade social, manipulando três controles remotos, já sentado no meu sofá predileto, liguei uma tela de tv que ocupa metade de uma parede, e pensei em selecionar entre meus arquivos de vídeo, algum que me resgatasse de meu rompante pequeno burguês. 
Escolhi o vídeo em que traz o Jair Rodrigues, defendendo no festival, a Disparada do Geraldo Vandré.
Ele começa:

"Prepare seu coração pras coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão e posso não lhe agradar..."

Pensei que eu não era digno da música do Vandré, pois eu não vinha do sertão e mesmo assim insistia em contar coisas que não agradam. Mas deixei rolar...
   
" Então não pude seguir, valente lugar tenente
De dono de gado e gente,
porque gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata
mas com gente é diferente..."

Cacete... pensei eu! Me enchi de culpa ao mesmo tempo em que enchia o copo com o cabernet sauvignon chileno. Eu precisava da calma que viria do vinho... e segue a música compassada com os maxilares de um burro...

"Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu, por qualquer coisa de seu
Querer ir mais longe que eu!"

Não sei ao certo, mas acho que lágrimas desoladas começaram a cair sob meu rosto que eu amanhã vou ter de polir com lustra móveis ou oléo de peroba...
Pensei nas pessoas com frio e com fome e me calei com a boca de filé grelhado com sete ervas e arroz selvagem cozido com cogumelos, enquanto o home teather reproduzia em qualidade quadrifônica pelos 6 cantos da sala:

"Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei." 

Pedindo perdão pela ironia, desejo um bom final de semana...
P.S.: Pode nevar no RS neste final de semana. Alguém sabe de algum hotel com vagas na serra?

Fraterno Abraço
André  




       

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O GAUDÉRIO SOCIALISTA CRENTE!

Tudo bem!! Me desculpem pelos dias em que não publiquei. Estou envolvido em projetos de cunho profissional e acadêmico, mas agora, tudo serenado, volto a publicar no mínimo semanalmente.
Então... segue o baile!
Tchê guris e gurias!!!! Acho que essa estrela gigante que descobriram recentemente está afetando a coerência humana. Ou, peremptoriamente, eu sou um retardado que está iludido desde sempre.
Me explico:
Desde criança minha simpatia e afetividade pelas esquerdas libertárias sempre estiveram explícitas. Nos filmes americanos da idolatrada 7ª cavalaria do Custer, eu sempre torcia para que os índios ganhassem, e sempre preferi Cavalo Doido e Touro Sentado ao famigerado general.
Mesmo no comum desejo armamentista de guri (todo menino quer ser soldado), quando me perguntavam o que eu queria ser, respondia: "Soldado e GAITEIRO DA ZONA"(saudades de meu velho pai que me ensinou esse bordão)!
Não podendo ser diferente, na segunda metade da década de 70, ainda adolescente (naquilo que chamavam de segundo grau escolar) , eu já militava a esquerda do Brasil.
Um velho médico de nome Luiz, que tinha um prédio no centro, perto da Praça da Alfândega, cedeu o espaço (que era embaixo da escada, numa sala de máquinas) para que os "subversivos comunistas" se reunissem. 
Lembro que eu era o mais novo e nas reuniões de quinta à noite, vinham os rapazes mais velhos (universitários) para doutrina esquerdista.
O pessoal do exílio estava voltando para o Brasil,  e o clima era de euforia pela aberturinha que a ditadura estava começando a produzir(!? não acredito nisso, pois democracia não é coisa pra qualquer João dar... democracia é desejo e vontade do povo, e só o povo conquista).
E naquelas noites de quinta, debatíamos a teoria de Marx, as teorias revolucionárias do Chê, a revolução francesa e até a constituição dos Estados Unidos. Queríamos viver num país livre e democrático, onde os direitos e as leis fossem para todos, assim como o pão e a cultura.
Lembro que na escola, essa coisa toda era nítidamente verificada. Tinha a turma dos subversivos e a turma dos alienados. Os primeiros eram identificados porque sempre estavam portando livros que haviam sido proibidos ou que eram censurados. Os segundos eram os queridinhos dos padres do colégio, e eram os bambambans nos esportes. 
Tinha um professor de geometria, que era militar aposentado e malvado ao extremo. Era perverso mesmo. Imagina um professor de geometria perverso??? O supra sumo da tortura!!!!!
Eu criei uma alcunha pro dito: Agente do Dops!
Um dia, resolvi irritar o cara. Na saída da sala, quando deveria mostrar ao agente do dops os exercícios feitos, premeditadamente (como um criminoso) tirei um livro antes do caderno e botei na mesa à pretexto de procurar o caderno dentro da pasta. Título do livro: SANDINO - O GENERAL DE HOMENS LIVRES. Era o relato da revolução sandinista. 
O professor ficou vermelho, e eu fiquei com medo. Pensei que o cara fosse me bater. Mas o cara engoliu seco e me deixou em paz ( eu acho que os padres do colégio freavam um pouco as explosões docentes, afinal era colégio pago, etc...).
Mas então, numa daquelas noite de quinta, quando falávamos que o pensamento socialista tinha que ser laico, materialista e etc, eis que surge uma figura que jamais esquecerei. O nome esqueci, mas o jeitão e a estampa jamais.
Era bem mais velho que todos e devia andar pela casa dos trinta anos. Apareceu vestido de bota, bombacha, lenço vermelho no pescoço e um chapéu de abas largas, e trazia consigo o mate pronto e uma garrafa térmica com água quente, e já foi diretamente ao ponto:
- É aqui que se junta o pessoal do MDB que não gosta dos milicos???? 
Gelamos todos. Pensei que a casa tinha caído e que aquilo só podia ser um agente do dops e que iria passar a madrugada no pau de arara da delegacia da  Rua Riachuelo.
O coordenador do grupo, um alemãozinho que fazia engenharia, tremendo, saiu na frente dizendo que éramos um grupo de estudos, e que alí debatiamos a abertura política no Brasil, e etc...
O personagem troveja entre um gole e outro de chimarrão:
- Pois então estou no lugar certo. Sou metalúrgico e dizem que um colega meu de São Paulo é do grupo de vocês, e eu quero participar. E tem mais. Minha mãe hoje, é a luta pela democracia!
Bah!!! Fizemos uma festa pro gaudério!!! 
Passadas  umas horinhas de fervoroso debate ateu/socialista/revolucionário/democrático, o gaudério levanta-se e pede a palavra.
- Olha gurizada... ( e sorveu um longo trago de seu mate) Eu até gostei do assunto de vocês e podem contar comigo se houver peleia. Até vou ler estes livros que me deram. E até me convenci de tudo que vocês falaram. Mas já vou avisando: SE ME PROIBIREM DE IR NA MISSA DA IGREJA SÃO JORGE COMO EU FAÇO TODOS OS DOMINGOS... EU JURO... ASSINO FICHA NA ARENA!!!!!   
Tá André, me pergunta o leitor amigo: Onde está a falta de coerência humana nisso???
Eu respondo meio zonzo por ser um retardado iludido:
Sabem o metalúrgico de São Paulo que o gaudério falou que lhe espelhou na luta pela democracia no final da década de 70?????
É o mesmo que nesta semana, no alto de seu cargo de Presidente da República do Brasil, se disse amigo, irmão e companheiro do sanguinário Ahmadinejad, o terrível tirano ditador do Irã.  
Fraterno abraço
André
       


       

terça-feira, 20 de julho de 2010

O Jogo da Roleta Russa!

Os que acompanham O Criador e a Criatura nesses quase três anos, sabem que muitas vezes já falei (alguém pode até me achar chato e/ou demagogo) da importância da mulher no desenvolvimento humano dos últimos 50 anos.
Quisera eu ter tido a oportunidade de presenciar "in loco" toda aquela movimentação da revolução feminista dos anos 60 e seguintes. A queima dos sutiens provavelmente foi a metáfora que representava o rompimento com a aceitação passiva do poder do "mais forte" sob o "mais fraco", e principalmente a declaração de que relacionamentos entre homens e mulheres não mais seriam admitidos por elas, como instalação de um regime de poder controlador numa instituição total onde existiriam controladores e controlados.
Pra quem não se lembra ou não sabe, o americando Irwing Goffman escreveu sobre o tema na sua obra "Manicômios, Prisões e Conventos", que aliás eu acho que já recomendei aqui.
Enfim... que bom que as mulheres estão ai cada vez mais ativas e participantes, livres de preconceitos e não são mais usadas conforme a vontade dos senhores feudais. 
Ou não?? Será que ainda existe um ranço primitivo na sociedade contemporrânea ?
Vejamos informações contidas na imprensa brasileira:
Caso 1: Fulana ganha a vida protagonizando filmes de conteúdo sexual (pornográficos) e muitas vezes arrecada vultuosas quantias de dinheiro participando de festas onde os limites são aqueles estabelecidos pela vontade daqueles que patrocinam as ditas festas e isso tem a ver com a quantidade de pó ou de bebidas que estes consomem. Está desaparecida, e segundo a polícia, seu corpo foi esquartejado, descarnado, comido por cães e os ossos concretados numa lage periférica. 
Caso 2: Sicrana de 16 anos envolve-se com homem mais velho, e aceita o convite para uma volta de carro e quando nega os carinhos, recebe 6 tiros no rosto e milagrosamente sobrevive e clama justiça. Seus vizinhos protestam contra o sistema e  manifestam que sentem vontade de justiçarem com próprias mãos o homicida.
Caso 3: Outrana vive um relacionamento conturbado há 3 anos com homem violento que invariavelmente, por ciúmes e por insegurança, a agride, privando-a do convívio com sua família. Ela sucumbe à razão, e mesmo que esporadicamente ainda sai com seu amante agressor. Dia chega, em que mergulhadores a encontram morta no fundo de uma lagoa qualquer com um tiro no queixo. 
Ora, prezados amigos!!!! Principalmente as prezadas amigas!
Está em cartaz num desses canais de filmes da TV à cabo, o filme "IN LIVE", tendo o título aqui no Brasil de "Ao Vivo". 
No filme, a bela Eva Mendes é uma produtora de TV que para tirar sua emissora do buraco, precisa criar um programa que bate todos os recordes de audiência. Então ela cria o programa In Live, onde seis participantes devem jogar o jogo da roleta russa, o que significa que somente cinco sobreviverão. Estes, ganham 5 milhões de dólares cada. Não vou contar o fim do filme, e recomendo à todos. 
Pensei :
Será que nossas amadas filhas, irmãs, amigas e desconhecidas, herdeiras da Simone de Bevoir libertária, não estão inconscientemente jogando o perigoso jogo da roleta russa?
Pensemos...
Fraterno abraço
André     


  
     

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Do Açougue Virtual Para O Canil!

O Einsten já tinha referido que a estupidez humana é a única coisa certamente infinita.
O Jayme Caetano, poeta de meu Estado, dizia que: "Tenho visto coisa feia! Tenho visto judiaria!!"
Séculos atrás, quando eu fazia parte de uma instituição centenária, ouvia muito de meus veteranos colegas, a expressão: " Vou doar meus olhos para continuar vendo mesmo depois de morto!"
Então acho que por mais chocante que seja, o caso do goleiro que (se comprovado) mandou matar a mãe de seu filho e jogar suas carnes (dantes objeto de seu desejo e de seu gozo) para que os cães comessem, não é de causar tanta surpresa assim.
Via de regra, a fórmula para que eventos dessa natureza sejam desencadeados, é simples e assustadoramente corriqueira no nosso meio social.
Eis a fórmula:

O poder (oriundo do vil metal) adicionado à despreparo psicossocial, multiplicado pela glamourização da truculência dos poderosos e elevado a enésima potência pela mídia idiotizante que cria ídolos levianos e perversos.

É simples e matemático isso.
Me perdoem os crédulos, mas não consigo compartilhar da opinião de que tudo é vontade de deus. E se é, com todo o respeito aos religiosos, parafraseando o Saramago em Caim, está na hora de mandar deus à merda.
Mas... vamos aprofundar a análise?
Vivemos de maneira de tem dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu como cantou o Chico Buarque.
Que ídolos nascem  em civilizações onde as pessoas divertem-se enchendo a cara em postos de gasolina para depois conduzirem seus veículos na caça de postes, árvores e pedestres e tudo isso tendo como trilha sonora a duvidosa poesia intitulada Rebolation???
Que mães e esposas originam-se num meio social onde as meninas orgulham-se de se oferecerem como se fossem suculentos bifes que são devorados em troca de uma pedra e de um cachorro quente (não necessariamente nesta ordem)??  Do açougue virtual (as chamadas redes sociais) para o canil é um pulinho!!!
Insisto no tema, não por ser o assunto do dia. Insisto por tentar entender essa realidade, e adoraria que isso acontecesse antes que meus olhos, doados há muito tempo, vissem pelos sentidos de um ex cego.
Fraterno Abraço
André 
    

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O Terror do TCC

Tenho acompanhado efetivamente e as vezes até afetivamente, o sofrimento a que se submetem acadêmicos que na fase final de seus respectivos cursos de graduação devam produzir e defender os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC).
Caramba!!!!! Que crueldade!!!!
Me explico:
O graduando, depois de cinco, seis, e as vezes até 10 anos (o preço do ensino superior faz com que cursos praticamente se extendam por muitos anos...), coerentemente tem que apresentar-se como apto para o desenvolvimento de sua atividade de nível superior. 
Nada mais justo. Acho muito boa essa forma de avaliação final.
Acho que o exercício da escrita é extremamente válido e a sabatina por parte de uma banca deve até ser o primeiro ato de um rito de passagem fundamental para o formando.
Ok. Assunto encerrado. Infelizmente não.
Eis que, parte da avaliação, é feita pela forma de como é feito e digitado o dito trabalho.
É lógico que defendo que a forma de apresentação deva ser padronizada, limpa e sobretudo feita de maneira que torne compreensiva e explicativa a visão do aluno que termina seus estudos.
Contudo.... pelamordedeus!!!!!!!
O que se vê é extremamente cruel e eu diria até perverso. 
Vi e vejo verdadeiras sessões de tortura por parte de certos orientadores que num preciosismo descabido, fazem com que seus alunos percam o foco do verdadeiro objetivo da monografia.
Vi um orientador ameaçar com reprovação uma aluna porque um dos sub títulos do TCC estava alguns centrímetros fora do ditado pela ABNT.
Fiquei obviamente calado observando aquilo.... cena de opressão, de violência e dor... e famigeradamente ( como se fosse possível ser pior) aos olhos de todos os que estavam nos corredores da faculdade.
O que vi me fez pensar...
Se eu fosse um graduando em por exemplo, Direito, e se no meus anos de estudo eu desenvolvesse uma tese que tornasse a justiça mais acessível, mas celere e mais humanitária, esta não teria o valor devido se o quinto sub título do TCC não estivesse oito centímetros da margem superior, e meu mérito seria diminuído pois eu, mentecapto, digitei contando apenas seis centímetros. Errei por dois centímetros!
Se eu fosse um graduando em Biologia ou Bio Medicina, e no decorrer de meus estudos eu criasse uma fórmula para frear o desenvolvimento do vírus da SIDA ou do Câncer, isso teria menos importância se no meu TCC de apresentação, eu não tivesse inserido os dois pontos depois do local da publicação citada na penúltima referência bibliográfica.
Se eu fosse um formando em Odontologia e tivesse criado um sistema de saúde bucal para as vilas marginais de minha cidade, eu seria classificado como inapto se ao digitar o TCC eu tivesse dado um espaço (0,5 cm) no quinto parágrafo da minha conclusão.
Com certeza, eu que não creio, peço à deus por minha gente... 
Ah... já ia esquecendo... a frase acima é do BUARQUE, Chico. Rio de Janeiro: Poligram, 1972. f. 5.

Fraterno abraço
André              

terça-feira, 8 de junho de 2010

Política - Origens e Escolha.

Depois de muito falar, escrever e principalmente de ouvir sobre os problemas sérios e definitivos que avassalam a nossa vida cotidiana, resolvi me envolver de corpo e alma na tentativa de ajudar a melhorar as coisas.
Contudo, meu alcance pessoal creio que não seja suficiente para fazer alguma diferença.
Como psicanalista, acho que fiz e continuo fazendo a minha parte, o que, no universo de sofrimentos constatados no campo da saúde psíquica, humildemente reconheço que é muito pouco.
Como aspirante à escritor, procuro fazer com que meus textos sejam fonte de questionamentos aproveitáveis, e principalmente que meus escritos carreguem os sentimentos de todos que não tem voz e espaço.
Acho também muito pouco!
Então... resolvi militar! E hoje, me declaro um militante ativo da política, e assim, devo inexoravelmente me explicar e defender minhas crenças e esperanças num futuro que se avizinha, afinal em outubro temos eleições. 

Vamos começar entendendo a política. Para isso, vamos ao google, que ao meu ver é cultura democrática e acessível.
A palavra política é grega: ta politika, vinda de polis.
Polis significa cidade, entendida como a a sociedade ambientada e organizada, formada pelos habitantes cidadãos (politikos), isto é, pelos homens nascidos no solo da Cidade, livres e iguais, portadores de dois direitos inquestionáveis, a isonomia (igualdade perante a lei) e a isegoria (o direito de expor e discutir em público opiniões sobre ações que a Cidade deve ou não deve realizar).
Ta politika são os negócios públicos dirigidos pelos cidadãos: costumes, leis, erário público, organização da defesa e da guerra, administração dos serviços públicos (abertura de ruas, estradas e portos, construção de templos e fortificações, obras de irrigação, etc.) e das atividades econômicas da Cidade (moeda, impostos e tributos, tratados comerciais, etc.).
Civitas é a tradução latina de polis, portanto, a Cidade como ente público e coletivo. Res publica é a tradução latina para ta politika, significando, portanto, os negócios públicos dirigidos pelo populus romanus, isto é, os patrícios ou cidadãos livres e iguais, nascidos no solo de Roma.
Polis e civitas correspondem (imperfeitamente) ao que, no vocabulário político moderno, chamamos de Estado: o conjunto das instituições públicas (leis, erário público, serviços públicos) e sua administração pelos membros da Cidade.
Ta politika e res publica correspondem (imperfeitamente) ao que designamos modernamente por práticas políticas, referindo-se ao modo de participação no poder, aos conflitos e acordos na tomada de decisões e na definição das leis e de sua aplicação, no reconhecimento dos direitos e das obrigações dos membros da comunidade política e às decisões concernentes ao erário ou fundo público.( Fonte: http://www.google.com/)

Pois bem...
Gosto da teoria da antropologia social que conta a seguinte história:
No começo, as tribos que formavam as polis, viviam na perfeita harmonia, onde os frutos do trabalho de todos, serviam à todos, e eram divididos isonomicamente. 
Contudo, num determinado momento, foi observado que o conteúdo do trabalho de todos (tesouro público), estava sendo misteriosamente roubado. Os cidadãos então, resolveram escolher entre eles mesmo, alguém que cuidasse de todos os bens da polis, assim como de seus tesouros. Assim, nomearam a POLITEIA (polis = cidade, e teia = administração), que latinizado o termo virou POLITIA.
Os homens e mulheres nomeados para a politeia, não precisariam mais plantar, caçar, pescar ou ter qualquer atividade para produzir o tesouro da polis. O seu sustento seria por conta da Polis, e seu trabalho seria proteger e administrar a coisa pública.
Num exercício transcedental, tal como nossos ancestrais de antanho, estou procurando meus canditatos para a eleição de outubro.
Nessa busca, encontrei meus candidatos à Deputado Federal e Estadual. 
Encontrei  homens populares que demonstraram conhecer os sofrimentos de seu povo e a vontade (clínica, diria eu) de buscar alternativas para as curas das feridas;
Encontrei dois políticos inseridos no contexto do cotidiano social, sem a demagogia e o populismo que nos afeta tanto quanto a incapacidade e a corrupção que são "bens" comuns dos demagogos e dos populistas.
Encontrei dois representantes com capacidade legislativa e administrativa, preparados e instruídos, mas comprometidos em ouvir os anseios da "Civitas".
Encontrei enfim, meus candidatos. Tenho certeza que meus candidatos eleitos, vão saber dizer SIM e NÃO quando forem me representar. E suas linguagens serão claras e precisas. E eles não ficarão cheios de dedos (ou com dedos a menos) para representar as bandeiras de justiça, da humanidade e do progresso.
Meus candidatos, são LUIZ FERNANDO ZÁCHIA ,para Deputado Federal, e CAIO ROCHA, para Deputado Estadual  e eu os recomendo à todos, com a responsabilidade que sempre tive com meus pacientes, amigos e leitores.
Fraterno abraço
André