sábado, 16 de outubro de 2010

Um Rescaldo das Eleições!

Confesso que fiquei abobalhado com os últimos acontecimentos do Brasil e do mundo e fiz uma pausa nas publicações, e me recolhi sob o pretexto de reinicializar o conjunto de meus sistemas, que inexoralmente se corrompem quando afetados pelos vírus da tristeza e da desesperança.
Acompanhei nos últimos meses, a jornada política e eleitoral de forma efetiva e me envolvi totalmente no processo.
Andei pelas ruas e conheci gente. E quanto mais gente eu conhecia mais eu me conflitava comigo mesmo e com as certezas de minhas próprias limitações.
Fiz amigos verdadeiros e tenho certeza que essas amizades sempre serão motivos impulsionadores para a confirmação da minha crença na causa dos povos.
E no meu passeio idealista, surgiram pessoas que somaram muito na minha sempre exagerada vontade de expandir minha experiência de vida.
Surgiu o Caio que me deu a oportunidade de exercitar minha cidadania. Homem de bem o meu amigo, e estou certo de que nenhuma administração pública ou parlamento estará completo sem a sua presença. A ele Caio, agradeço publicamente a chance que recebi de conhecer melhor as pessoas e as realidades. Nossa luta apenas está começando.
Ressurgiu o Ronaldo, a quem eu destino o título de Lord. Meu amigo há décadas, Ronaldo certamente ocuparia lugar de destaque na Távola Redonda de Arthur, se Arthur fosse o personagem de minhas fantasias de justiça, liberdade e humanidade.
Surgiu Vanderlei, que sendo um técnico financista, consegue ser brilhante profissional por entender os sofrimentos da alma humana e com seu sotaque fronteiriço semea amizade e simpatia resolvendo os problemas dos outros mesmo que isso já tenha lhe causado perdas que o tempo, senhor de todos os julgamentos, fará a devida justiça.
E foi muita gente e coisa boa que surgiu... e eu fiquei feliz...
Mas eu vi muita coisa triste...
Eu vi meu povo desdentado e bêbado rindo de sua própria miséria e fazendo graça de seu próprio vício.
Vi os humildes e humilhados iludidos pelos fisiologistas, fascínoras repaginados pela luz da democracia que eles insistem em escurecer e que nunca defenderam.
Vi cafetinas e proxenetas vendendo a "hermana muy hermoza" por trinta dinheiros tirados dos cofres da fé e da bolsa da usura.
E vi o que os jornalistas chamaram de voto de protesto. 
Mas minha visão, que meus críticos chamam de turva por ser elitizada (?????), não viu o voto de protesto com o mesmo entendimento.
O que vi, é que a candidatura mais vencedora no Brasil, foi exatamente aquela protagonizada por um palhaço desdentado e analfabeto, que por legítimo representante de seu povo, deverá assumir o cargo, e jamais será chamado de um mero sobproduto dos fascínoras usurpadores da dignidade da nação.

Fraterno Abraço
André       
            

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Uma Exclamação!!!

Os meus amigos leitores mais antigos que acompanham há mais tempo meus escritos, devem hoje prestar atenção na descrição que inclui no título do blog.
É uma frase do Freud e acho que todo psicanalista deveria ter isso em mente em todo o qualquer exercício que tenha que ser desenvolvido em decorrência de seu ofício, inclusive o ato de escrever sobre outros assuntos não relacionados à atividade clínica.
Então... à todos aqueles que de alguma forma ou de outra sentem-se desconfortáveis com certos fatos que publico aqui, não me justifico.
Quando falo negativamente de algo (pessoas, lugares, atitudes, etc), busco sobretudo ajudar no credenciamento que dá acesso aos questionamentos, pois são deles que muitas vezes surgem soluções surpreendentes.
Então, recito o mestre:
" UMA PESSOA QUE, COMO EU, EVOCA O QUE HÁ DE MAIS PERVERSO DENTRE OS DEMÔNIOS PARCIALMENTE DOMADOS QUE HABITAM A BESTA HUMANA, E TENTA ENFRENTÁ-LOS, NÃO PODE ESPERAR SAIR INCÓLUME DESTA BATALHA." 

Fraterno abraço, 
André    

terça-feira, 21 de setembro de 2010

De Princesa Dourada do Jacuí a XYZ do Centro!

Há exatos 12 meses, produzi um texto onde citava minha preocupação com o declínio econômico, cultural e social de uma cidade, que acabei apelidando de XYZ do Centro.
Eis o texto publicado aqui no blog, em 24 de setembro de 2009:


 A Morte de Uma Cidade!

Hoje recebi um email de um amigo. Esse amigo, na minha opinião uma das mais brilhantes mentes e vozes que o Direito e a Justiça gaúcha tem, cada vez mais me chama a atenção pela sua sensibilidade e sobretudo pela maneira de demonstra-la.
Eis que, trocando idéias a cerca de uma cidade a qual ambos temos afeto especial, o grande advogado me escreve:

"Pois é, amigo André. XYZ do Centro (obviamente esse nome eu inventei porque vou propositalmente omitir o nome da cidade),hoje, é um vasto cemitério de pessoas vivas. Dormem, acordam, vestem-se, vão ao trabalho, mas é uma cidade de seres perdidos. Nada cresce, nada progride, apenas vegeta. Esta manhã, na rádio Gaúcha, ouvi informes sobre o tempo de mais de 50 cidades. Nem falaram de XYZ do Centro. Ficamos ilhados, esquecidos, perdemos a auto-estima, a vontade de progredir. Pobre XYZ! Não encontrei em nenhum lugar algo como o nosso ......(aqui o advogado cita um lindo monumento artístico que existe na praça matriz da cidade).Mas nem isso festejamos mais. Tristeza."

Depois de ler o email de meu amigo, fiquei pensando como pode uma cidade morrer ou deixar de viver, e lembrei que tempos atrás, outros dois amigos me falaram que XYZ do Centro, deveria ir para o Divã.
Naqueles tempos, escrevi algumas crônicas, mas os editores locais me censuraram dizendo que meu texto era elitista, e que somente meia dúzia de pessoas entenderiam meus escritos.
Joguei fora as mais de 10 crônicas, mas, gostando da idéia, escrevi a série "Porto Alegre no Divã", que aliás andei publicando aqui no ano passado e que ainda está à disposição de quem quiser ler.
Entretando, vou reproduzir algumas coisas que escrevi na época e que foram classificadas de elitistas, para que meu amigo citado e os demais leitores possam saber do porque na minha opinião uma cidade morre ou deixa de viver.
Acho que tudo se origina da falta de estima popular, uma vez que a massa que deveria evoluir se escraviza ao não poder, e aos vícios culturais de uma burguesia falida e há muito ultrapassada em seus conceitos de sociedade.
Noto que em XYZ, o jovem que quiser estar dentro do contexto da dita "alta sociedade local", só será aceito pela dita, se dirigir carro zero (de preferência com placa de Porto Alegre), gostar de péssima música que em volumes estratosféricos poluem toda a cidade, especialmente onde tenha Postos de Gasolina, e invariavelmente tem que ser da tribo daqueles adeptos do famigerado "pó de reboco".
No passado, os jovens de XYZ sonhavam apenas em se tornarem sargentos do exército ou funcionários do Banco do Brasil.
Também vejo que o povo de XYZ, não se dá o devido respeito e acho que nem sabe da força que pode ter um povo que se forma a partir de sua cidadania.
Todos dão muita importância à questão de nomes. Por exemplo: Ouço dizer que XYZ, existem apenas 3 sobrenomes que são importantes, e o resto é pura vassalagem que segue a rotina conforme a vontade do senhor de cada um dos 3 feudos.
Corre a língua solta, que pela vontade dos senhores feudais locais, até bem pouco tempo atrás um ser extraordinário, mago, bruxo, sei lá, mandava em tudo. Ele detinha a chave do cofre do povo, mas só do cofre do povo, pois os cofres dos burgos dependiam de outras esferas, como o crédito rural do Banco do Brasil. Parece que até museu do além e aeroporto da ET o tal alcáide pretendia fazer.
Menos mal, que o mago se foi. Deixou o cofre do povo vazio. Mas se foi.
Em XYZ, existe uma forte aversão ao novo. Vejamos:
Nada funciona do meio dia até às 13.30. E depois das 20 horas, pouco se vê. E o que se vê não é legal, pois se vê andarilhos escravos do crack habitando as abandonadas praças, e alguns pedintes ambulantes que pensam num jeito de arrumar dinheiro pra também se tornarem escravos da pedra maldita.
Comércio aberto fim de semana???? Nem pensar!!! E se for decisão judicial, daremos um jeito de burla-la, afinal o domingo é sagrado pra se afogar na caña e sequer sonhar com um mundo melhor.
É verdade.... caríssimo Doutor. TRISTEZA.
Mas... ainda acredito que outros nomes vão aparecer ou se fazerem notar. Nomes que carreguem consigo os sobrenomes de LIBERDADE, IGUALDADE E HUMANIDADE, e que não sejam meros dizeres esquecidos numa sagrada bandeira que é desfraldada apenas nos 20 de setembro do alto de um cavalo cagão.
E que estes nomes germinem que nem erva daninha braba, e que depois de crescidos todos saibam que na verdade, são belas flores da campanha.
Fraterno abraço
André     

Passado 1 ano... revelo que na verdade, XYZ do Centro refere-se à tradicional cidade de Cachoeira do Sul, outrora conhecida e reconhecida como Capital Nacional do Arroz, princesa dourada cujo resplendor era refletida nas águas do Rio Jacuí.
Acho que movido pelo “vício” clínico psicanalítico/sociológico/antropológico ( putz...peguei pesado..risos), pela neurose de entender, pelo delírio de querer saber e, sobretudo pelo desejo hipocratesiano de sempre consolar aos que sofrem, mesmo que não se possa amenizar a dor, resolvi me preocupar mais efetivamente com a cidade, e até porque tenho vivido mais em seu seio, mesmo que temporariamente. 
Tal vontade originou-se com maior força, quando recebi um email de um amigo pessoal, filho de Cachoeira, homem de leis e com sensibilidade hiper aflorada que reproduzo abaixo:

"Pois é, amigo André. Cachoeira, hoje, é um vasto cemitério de pessoas vivas. Dormem, acordam, vestem-se, vão ao trabalho, mas é uma cidade de seres perdidos. Nada cresce ; nada progride, apenas vegeta. Esta manhã, na rádio Gaúcha, ouvi informes sobre o tempo em cerca de 50 cidades. Nem falaram de Cachoeira. Ficamos ilhados, esquecidos, perdemos a auto-estima, a vontade de progredir. Pobre Cachoeira ! Não encontrei em lugar nenhum algo como nosso chateau-deau. Mas nem isso festejamos mais. Tristeza."



De: André Lacerda [mailto:andrelacerda15@gmail.com]

Enviada em: quarta-feira, 23 de setembro de 2009 14:11

Para: Undisclosed-Recipient:;

Assunto: Fw: DANÇA DE ÁGUA

Conheço uma cidade que foi pioneira da dança de água.

Encaminho o anexo, pra matar saudades do que foi perdido!

Abraço



Como podem reparar, o email do meu amigo, foi em resposta a uma mensagem que eu enviei mostrando uma fonte de águas de Barcelona, e fiz uma alusão a Cachoeira.

Então, percorri e observei...

Comecei a andar pela cidade. Percorri os bairros mais afastados, andei pelos bairros mais elegantes e tradicionais, e caminhei pelo centro.

Eu queria era observar gente, e como o acróbata demente do Piazzolla, saltei dentro do abismo daquelas pessoas que me deram ouvidos e me brindaram com suas falas.

Foram seis semanas que me dei de presente, e fui a campo conhecer a Cachoeira que lá no século passado ( to velho..risos) foi cenário de quase dois anos de minha adolescência.

Resolvi dividir em 3 fases minha andança: 1) arrabalde, 2) bairros de classes a e b, 3) centro (que em Cachoeira é social e comercial num mesmo espaço).

Não quero ser enfadonho e me coloco à disposição para os detalhes, portanto vou direto ao resultado de meu aprendizado sobre a cidade:


1) Arrabalde (vilas: Noêmia, Quinta B Vista, Cohab, Carvalho, N.Srª Fátima, Cristo Rei e proximidades do Morro da Cruz ( não sei o nome do lugar):

Metodologia aplicada: Abordagem direta (isso significa frequentar botecos, mercadinhos e transeuntes sob a alegação de necessidade de informação sazonal);

Clientela: 70 pessoas (10 em cada vila) acima de 14 anos;

Objetivo: Verificar satisfação das pessoas com relação ao ambiente que vivem (cidade) e testar o nível de consciência cidadã.

Conclusão:

1.1 Quesito inclusão: 93 % das pessoas observadas ainda não foram atingidas pelos benefícios do avanço tecnológico dos últimos 15 anos uma vez que:

- Nunca tiveram acesso à informática; ( muitos não sabem como o computador funciona, e teve um caso em que uma senhora de 38 anos está decepcionada por não conseguir um emprego administrativo, e olha que ela me apresentou um diploma de datilografia da Escola Cira Willig (acho que é este o nome da escola, mas não tenho certeza).

- Não sabem o que pode vir a ser TV à cabo;

- Dependem da ajuda de funcionários do banco para operar nos terminais;

- Não se preocupam com a questão ambiental e não sabem o que significa ecologia, nem mesmo aqueles que trabalham com lixo reciclado ( latas, pets, etc...)

- Desconhecem o sistema de saneamento básico que abrange seu local de domicílio;

- 97% dos indivíduos não tem concluído o ensino fundamental;

- Não se interessam (muitos não sabem se existe ) por movimentos ou associações comunitárias;


1.2 Quesito Qualidade de Vida: Utilizei aqui parâmetros que são utilizados por organismos internacionais ( ONU e suas seccionais)

- 65% dos indivíduos vivem de sub empregos, sem carteira assinada;

- 100% (dos observados) ganham menos de 1.000 reais ( destes, 90 % 1 salário mínimo );

- Não planejam e nem pensam em atividades de lazer;

- Desconhecem o funcionamento e a estrutura do sistema de saúde;

- Não consideram prioridade a atividade educacional, priorizando sim, a sobrevivência;


1.3 Quesito Cidadania:

- Completo desinteresse (desesperança??) pela administração pública ( municipal, estadual e federal);

- Desconhecem ou não sabem opinar sobre obras e projetos do executivo e legislativo municipal;

- Não elencam diferenças entre governo atual e anterior ( município);

- Acham o prefeito atual simpático e povão (???) e por isso gostam dele;

- Não sabem quem são ou como trabalham os membros de governo ( ministros, secretários, etc)

- Temem perder o Bolsa família/escola;

- Interesse superficial de política e gestão;

 
2) Bairros classe A,B e C:

Me reservo expor detalhes oportunamente, com apenas uma observação que considero grave:

- Aumento substancial do consumo de crack por adolescentes e jovens adultos destas camadas sociais, o que pode vir a ser um sério problema ( vide bairros nobres de Porto Alegre e SP);

- Elevado índice de endividamento ( tornando-se comum a existência do agiota no âmbito comercial);


3) Centro ( social e comercial )

Reflexo progressivo e multiplicado dos itens anteriores.

Contudo observei:

- Não estão felizes, mas não tem razão pra estarem tristes ( comodismo)

- Não fazem planos (os jovens) de ficarem na cidade, e sonham com Porto Alegre, Santa Cruz ou Santa Maria; (sobra ilusão fadada ao fracasso)

- Não acreditam no progresso da cidade, mas acham que isto sempre foi assim e nunca vai mudar.( falta estima e perspectiva)

- Existe em todos os lugares uma melancólica saudade do meio rural que reflete na desesperança urbana; ( a cidade precisa de sonhos para o futuro).

Com os devidos pedidos de perdão a quem se julgar ofendido, e com os votos de que Cachoeira do Sul volte a brilhar e a evoluir, 
Fraterno Abraço

André 

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Dai Eu Rezo!

Acordei nesta manhã quase primaveril com a antiga música do poeta mineiro:
 "Quando entrar Setembro, e a boa nova andar nos campos, quero ver brotar o perdão, onde a gente plantou..."!
Sinto que o Setembro de nossas esperanças vai nos render luz e serenidade para que nossos demônios agostinos sejam exorcizados.
Setembro nos iluminará e em Outubro teremos a lucidez necessária para redefinir-mos o nosso destino.
Mas neste começo de Setembro ainda me arrepio com "las brujas del viejo Agosto", e penso que só pode ser devaneio meu quando imagino que:
- Como pode um tarado fascista que se diz evangélico, com seus parcos seguidores (menos de cinquenta  perturbados), ganhar a mídia e a atenção dos governantes mais influentes do planeta ameaçando queimar sessenta exemplares do alcorão?
Isso só seria mais um besteirol de mau gosto americano digno de piada e muitos risos se não houvesse do outro lado, milhares de outros fascistas perturbados dispostos à explodir seus corpos (e o mundo todo) em troca de 70 virgens para usufruirem quando chegassem ao paraiso.
Dai eu rezo: " Ala meu bom Ala... mande água pra iôiô...mande água pra iáiá..."  
- Como pode alguém ainda se surpreender com a quebra dos sigilos fiscais às vésperas de eleições na sagrada terra que diz ter parido a própria divindade (afinal dizem que deus é brasileiro)??? Escândalo????
E porque ninguém se escandaliza quando no sábado pela manhã as agências de tele marketing interrompem teu não menos sagrado sono, oferecendo tudo (desde contribuições para crianças carentes a ferventes estadas em paraisos infernais da prostituição e da degredação humana), e fazem questão de salientar:
" A gente poderíamos (sic) estar cadastrando o senhor??? Sabemos que o senhor tem conta no banco tal, sua renda é de tantos reais mensais e seu cpf está liberado conforme nosso sistema!"
Caramba!!! De onde essa gente tem essas informações??? Quantas milhares de vezes quebram nosso sigilo bancário e fiscal??? Onde se pega senha pra entrar na fila para participar dessa guerra de bugios???
Dai eu rezo: "Pai!!! Afasta de mim esse cálice de vinho tinto de sangue..."

Enfim; Me depura Oh Setembro de minhas esperanças!!! Afinal, em 3 de Outubro vou ter um dia de glória.

Por fim, desejo à todos belos dias setembrinos.

Fraterno abraço
André 

  

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Agosto del diablo viejo!

Lá se vai o Agosto se despedindo com dias de primavera no sul do mundo. Os especialistas dizem que o Setembro vai trazer mais frio.
Ontem, vi a lua cheia que estava vermelha. Vermelha pela fumaça produzida pela quantidade enorme de desgraçadas queimadas que somam-se em todo o território brasileiro. Quisera eu que a lua estivesse vermelha saudando meu Inter, campeão da Libertadores.  
Eu que não creio, peço a deus por minha gente... Acho que já passou da hora de termos adquirido consciência ambiental...enfim!
Sempre gostei e acreditei no novo. Acho, como já contou Belchior, que o novo sempre vem, e estarmos vinculados aos mesmos ídolos de nossos pais só vai nos mostrar ali adiante que estes estão em casa, guardados por deus contando o vil metal.
Mas... "El diablo sabe por diablo, pero mas sabe por viejo!!!"
Então, acredito que toda a experiência de vida é válida, sobretudo se aprender-mos com base nos erros do passado, para que nosso futuro seja realmente novo e de esperança.
Por isso, quando Setembro entrar, quero que todas as minhas flores explodam pelos meus jardins e pelas minha alamedas.
Não vejo a hora de poder acompanhar o alarido frenético dos beija flores em busca do néctar das pitangueiras, larajeiras e pessegueiros floridos.
Não vejo a hora de chegar Setembro, e que se vá esse Agosto brado que os pario. Agosto da polícia filipina que resolve o sequestro matando os reféns. Agosto do tarado do Irã (e de seus amigos e companheiros) cujo maior prazer é apedrejar e lapidar mulheres sob a suposta égide saneadora da "deplorável civilização judaico cristã ocidental".
Que venha o Setembro da primavera que me dá vontade de voltar para um lugar onde nunca estive... para a Passárgada de meus sonhos onde sou amigo do rei.
Esperaças enfim, num setembro que na verdade só existe no imaginário de minhas fantasias, assim como o lugar que nunca estive  e que pretendo voltar... assim como a Passárgada e seu rei.
Mas... que bom que tudo isso está ai... e que o Agosto já está indo embora... 
Pelo menos, não teremos Agosto até o ano que vem...(muitos risos)
Fraterno abraço
André

          
    

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Pequeno Burguês No Inverno da Província!

Recentemente encontrei um velho amigo no Super Mercado. Médico célebre, intelectual com crônicas de sucesso, na minha opinião um dos ícones da cardiologia moderna, meu amigo é a imagem da simpatia em forma de gente.
Falamos do quanto (nós gaúchos) gostamos da "província" e o quanto ela nos aconchega e reconforta. Falamos do frio que de certa forma caracteriza a têmpera do homem do sul e dai eu acho que tive um rompante digno de pequeno burguês metido à besta, pois naturalmente (?!) eu falei que nestes dias de muito frio, me bastava a casa com lareira ascesa e um cálice generoso de cabernet sauvignon.  Nos despedimos, e já no carro, manobrando no estacionamento, eu pensei e eu mesmo me mandei ao raio que me partisse.
Como pode um cara que busca entender a frágil alma humana e que por consequência de seu ofício tenta ser consolador das dores das pessoas, falar que lhe basta uma lareira ascesa e vinho chileno para as noites do inverno provinciano???
Omito o nome do meu amigo por razões óbvias de preservação dele, e imaginei que se ele pensasse que eu me transfornei num babaca fútil, eu mesmo o avalizaria em sua tese.
Guiei até em casa pensando naquilo e martirizando a mim mesmo. Percebi que estava realmente frio pois as pessoas nas paradas de ônibus estavam encasacadas e batiam os pés para espantar a sensação gelada. O ar condicionado do carro me deixava numa situação agradável, mas eu percebi que estava frio.
Não saia da minha cabeça a babaquice burguesa na fila do caixa...
Em casa, o fogo da lareira já estava vivo e da porta do carro até a porta da casa, senti o gelo do agosto riograndense...
Ainda abalado com minha insensibilidade social, manipulando três controles remotos, já sentado no meu sofá predileto, liguei uma tela de tv que ocupa metade de uma parede, e pensei em selecionar entre meus arquivos de vídeo, algum que me resgatasse de meu rompante pequeno burguês. 
Escolhi o vídeo em que traz o Jair Rodrigues, defendendo no festival, a Disparada do Geraldo Vandré.
Ele começa:

"Prepare seu coração pras coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão e posso não lhe agradar..."

Pensei que eu não era digno da música do Vandré, pois eu não vinha do sertão e mesmo assim insistia em contar coisas que não agradam. Mas deixei rolar...
   
" Então não pude seguir, valente lugar tenente
De dono de gado e gente,
porque gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata
mas com gente é diferente..."

Cacete... pensei eu! Me enchi de culpa ao mesmo tempo em que enchia o copo com o cabernet sauvignon chileno. Eu precisava da calma que viria do vinho... e segue a música compassada com os maxilares de um burro...

"Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu, por qualquer coisa de seu
Querer ir mais longe que eu!"

Não sei ao certo, mas acho que lágrimas desoladas começaram a cair sob meu rosto que eu amanhã vou ter de polir com lustra móveis ou oléo de peroba...
Pensei nas pessoas com frio e com fome e me calei com a boca de filé grelhado com sete ervas e arroz selvagem cozido com cogumelos, enquanto o home teather reproduzia em qualidade quadrifônica pelos 6 cantos da sala:

"Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei." 

Pedindo perdão pela ironia, desejo um bom final de semana...
P.S.: Pode nevar no RS neste final de semana. Alguém sabe de algum hotel com vagas na serra?

Fraterno Abraço
André  




       

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O GAUDÉRIO SOCIALISTA CRENTE!

Tudo bem!! Me desculpem pelos dias em que não publiquei. Estou envolvido em projetos de cunho profissional e acadêmico, mas agora, tudo serenado, volto a publicar no mínimo semanalmente.
Então... segue o baile!
Tchê guris e gurias!!!! Acho que essa estrela gigante que descobriram recentemente está afetando a coerência humana. Ou, peremptoriamente, eu sou um retardado que está iludido desde sempre.
Me explico:
Desde criança minha simpatia e afetividade pelas esquerdas libertárias sempre estiveram explícitas. Nos filmes americanos da idolatrada 7ª cavalaria do Custer, eu sempre torcia para que os índios ganhassem, e sempre preferi Cavalo Doido e Touro Sentado ao famigerado general.
Mesmo no comum desejo armamentista de guri (todo menino quer ser soldado), quando me perguntavam o que eu queria ser, respondia: "Soldado e GAITEIRO DA ZONA"(saudades de meu velho pai que me ensinou esse bordão)!
Não podendo ser diferente, na segunda metade da década de 70, ainda adolescente (naquilo que chamavam de segundo grau escolar) , eu já militava a esquerda do Brasil.
Um velho médico de nome Luiz, que tinha um prédio no centro, perto da Praça da Alfândega, cedeu o espaço (que era embaixo da escada, numa sala de máquinas) para que os "subversivos comunistas" se reunissem. 
Lembro que eu era o mais novo e nas reuniões de quinta à noite, vinham os rapazes mais velhos (universitários) para doutrina esquerdista.
O pessoal do exílio estava voltando para o Brasil,  e o clima era de euforia pela aberturinha que a ditadura estava começando a produzir(!? não acredito nisso, pois democracia não é coisa pra qualquer João dar... democracia é desejo e vontade do povo, e só o povo conquista).
E naquelas noites de quinta, debatíamos a teoria de Marx, as teorias revolucionárias do Chê, a revolução francesa e até a constituição dos Estados Unidos. Queríamos viver num país livre e democrático, onde os direitos e as leis fossem para todos, assim como o pão e a cultura.
Lembro que na escola, essa coisa toda era nítidamente verificada. Tinha a turma dos subversivos e a turma dos alienados. Os primeiros eram identificados porque sempre estavam portando livros que haviam sido proibidos ou que eram censurados. Os segundos eram os queridinhos dos padres do colégio, e eram os bambambans nos esportes. 
Tinha um professor de geometria, que era militar aposentado e malvado ao extremo. Era perverso mesmo. Imagina um professor de geometria perverso??? O supra sumo da tortura!!!!!
Eu criei uma alcunha pro dito: Agente do Dops!
Um dia, resolvi irritar o cara. Na saída da sala, quando deveria mostrar ao agente do dops os exercícios feitos, premeditadamente (como um criminoso) tirei um livro antes do caderno e botei na mesa à pretexto de procurar o caderno dentro da pasta. Título do livro: SANDINO - O GENERAL DE HOMENS LIVRES. Era o relato da revolução sandinista. 
O professor ficou vermelho, e eu fiquei com medo. Pensei que o cara fosse me bater. Mas o cara engoliu seco e me deixou em paz ( eu acho que os padres do colégio freavam um pouco as explosões docentes, afinal era colégio pago, etc...).
Mas então, numa daquelas noite de quinta, quando falávamos que o pensamento socialista tinha que ser laico, materialista e etc, eis que surge uma figura que jamais esquecerei. O nome esqueci, mas o jeitão e a estampa jamais.
Era bem mais velho que todos e devia andar pela casa dos trinta anos. Apareceu vestido de bota, bombacha, lenço vermelho no pescoço e um chapéu de abas largas, e trazia consigo o mate pronto e uma garrafa térmica com água quente, e já foi diretamente ao ponto:
- É aqui que se junta o pessoal do MDB que não gosta dos milicos???? 
Gelamos todos. Pensei que a casa tinha caído e que aquilo só podia ser um agente do dops e que iria passar a madrugada no pau de arara da delegacia da  Rua Riachuelo.
O coordenador do grupo, um alemãozinho que fazia engenharia, tremendo, saiu na frente dizendo que éramos um grupo de estudos, e que alí debatiamos a abertura política no Brasil, e etc...
O personagem troveja entre um gole e outro de chimarrão:
- Pois então estou no lugar certo. Sou metalúrgico e dizem que um colega meu de São Paulo é do grupo de vocês, e eu quero participar. E tem mais. Minha mãe hoje, é a luta pela democracia!
Bah!!! Fizemos uma festa pro gaudério!!! 
Passadas  umas horinhas de fervoroso debate ateu/socialista/revolucionário/democrático, o gaudério levanta-se e pede a palavra.
- Olha gurizada... ( e sorveu um longo trago de seu mate) Eu até gostei do assunto de vocês e podem contar comigo se houver peleia. Até vou ler estes livros que me deram. E até me convenci de tudo que vocês falaram. Mas já vou avisando: SE ME PROIBIREM DE IR NA MISSA DA IGREJA SÃO JORGE COMO EU FAÇO TODOS OS DOMINGOS... EU JURO... ASSINO FICHA NA ARENA!!!!!   
Tá André, me pergunta o leitor amigo: Onde está a falta de coerência humana nisso???
Eu respondo meio zonzo por ser um retardado iludido:
Sabem o metalúrgico de São Paulo que o gaudério falou que lhe espelhou na luta pela democracia no final da década de 70?????
É o mesmo que nesta semana, no alto de seu cargo de Presidente da República do Brasil, se disse amigo, irmão e companheiro do sanguinário Ahmadinejad, o terrível tirano ditador do Irã.  
Fraterno abraço
André