sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Nada de Novo no Céu!

Sejamos pois, bem vindos ao ano de 2011.
Acho que vou abrir as publicações do ano que se inicia, fazendo questionamentos que talvez passem uma impressão pessimista e que meus críticos somem ao monte de adjetivos atribuidos à mim, o de arautro da desgraça...
Na verdade, não vejo nada de novo sob os céus desse pequeno grão de terra universal, que aliás os megalomaníacos acreditam ser o centro do mundo  que esse mundo gira em torno de seus umbigos.
Exemplo disso, é que nos primeiros dias do ano a mídia divulgou a notícia de que artístas e celebridades foram confraternizar com o povo do Complexo do Alemão no Rio de onde saiu a seguinte pérola:
"- Sempre gostamos de estar junto das pessoas normais para que elas não se sintam sozinhas nas suas lutas e dificuldades!" 
Isso foi dito por um casal com mais de 50 anos de telenovelas ....
Me perguntei:
Será que eles não se consideram pessoas normais? Será que eles acreditam mesmo que são o supra sumo da natureza humana e que são deuses entre primatas?
Me respondi:
Sim! E fiquei repetitivamente chocado....

Menino dando tiro à rodo e matando gente inocente ou não, nos Estados Unidos requer um minuto de silêncio nos jardins da Casa Branca...
Menino cracolento que mata pais e irmãos na periferia do Brasil, já não é novidade e não cobre o custo de 2 linhas na crônica policial.

Tragédias naturais(???) já deixam um número de mais de 500 mortos na região serrana do Rio. Isso merece a plena cobertura da mídia, afinal, é novidade pois no ano passado o número de vítimas foi bem menor...( perdoem a ironia, mas assim é dose né??)

Ronaldinho Gaúcho, às vésperas da festa de boas vindas bota um chifre no Grêmio de fazer inveja ao mais chifrudo personagem de Jorge Amado. Isso é novidade???

E vamos falar das férias da família irreal no forte militar do litoral paulista com direito a panela de seis mil reais??? Não né?!

Enfim... não vejo nada de novo no céu desse ínfimo torrão...

Fraterno abraço
André
           

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Prenúncios de um Verão!

Nessa metade de novembro já sinto que o verão está se prenunciando. E mesmo atacado pelos demônios de minhas alergias primaveris vivo um momento de absoluto preparo para o verão que se avizinha.
Por certo ficarei dividido entre o desejo de permanecer sentindo o quente da areia e o frescor das ondas, e a necessidade das responsabilidades que crescem numa progressão geométrica com o advento do próximo solstício.
Já evoquei aqui, e evoco novamente o "São Oswaldo Montenegro" que profetiza:

"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio..."

Porque toda a mudança é traumática e os ambientes podem muito bem ser acolhedores como podem ser redutos  de sintomas que nunca senti e por isso não saberei identificá-los e...

"Que a morte de tudo que eu acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio..."

Porque o novo sempre vem (como disse o Belchior), não tenho certeza de ser capaz de domar os novos demônios que certamente surgirão e que minha tarefa mais difícil será identificá-los, e domados ou não terei que conviver com eles, porque vou desejar ...

" Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas 
Como a única coisa que resta  a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo..."

Porque por mais encantador que seja o brilho do sol, devo ter a convicção de que ele não é o deus dos Incas e Astecas mas pode sim produzir efeitos devastadores, e que se isso acontecer...

"Que a minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão..."

E tomara que eu não tenha que decidir entre fazer o bem ou o mal, porque se tiver de escolher entre o caminho do Direito e o caminho da Justiça, certamente vou optar pela segunda, e assim terei que honrar minha decisão em nome de tudo aquilo que me fez ser o que sou e assim...

" Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é lembrança do que fui
A outra metade não sei..."

Penso que no verão, será exigido de mim bem mais do que tentar prever se a chuva vai atrapalhar ou abrilhantar o banho de mar. E de tudo, pelo meu ateísmo, acho que meus apelos não serão atendidos pelos deuses da terra e da água, mas mesmo assim, não serão poucas minhas oferendas a Iemanjá e Ogum, e certamente na beira da água do reveillon, vestindo todo o branco do mundo, vou desejar ...

"Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito  
E que o silêncio me fale cada vez mais  
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço..."

E, se no verão, entre uma e outra tempestade vespertina eu enlouquecer e decepcionar...

" Que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também!"

Fraterno abraço 
André  
P.S.: Juntei no texto acima, pedaços do poema METADE do Oswaldo Montenegro. 

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Rescaldo das Eleições II

Findou-se o processo eleitoral do ano da graça de 2010 no território da República Federativa do Brasil. No balanço de quem ganhou ou de quem perdeu acho que todos ganharam, pois ganhar e perder é consequência do sistema democrático.
É óbvio que a democracia brasileira ainda precisa evoluir muito e muito, pois eu só acredito em democracia plena quando ela sustenta-se pelo livre acesso de todos à todo e qualquer patrimônio que democraticamente pertença a todos. 
Me explico:
Não é pura a democracia quando a liberdade de escolha é sufocada e chantageada pelo roncar de barrigas que vivem no limite da dor da fome...
Não é livre o sistema democrático em que as escolhas são feitas ou pelas oligarquias perversas ou pela ignorância de um povo cujo acesso à cultura, saúde e educação é arrancado violentamente pelas mãos gordas dos corruptos que locupletam-se as custas da miséria da massa humilde e humilhada.
Mas... ainda prefiro uma democracia que engatinha e  começa a aprender a ter voz, do que uma ditadura madura e poliglóta.
De qualquer forma, eu ganhei com as eleições.
Ganhei a experiência ímpar de trabalhar numa mesa receptora de votos. Meus amigos não acreditam, mas tenho em mãos uma declaração oficial da Justiça Eleitoral, dizendo que eu desempenhei com dedicação a função de segundo mesário nas eleições de 31 de outubro de 2010. E detalhe; Eu fiz questão disso.
Tá certo que eu era o último na hierarquia da seção, mas isso também pouco importou.
Tinha lá o Presidente Fábio. Jovem e dinâmico advogado e empresário, que com idealismo e destemor promoveu  harmonicamente o pleito. Nosso Presidente administrou com paciência e rigor os ébrios e os empastelados pela farinha maldita que chegavam para votar naquelas primeiras horas daquele domingo chicoteado pelo precoce vento dos finados.
E tinha a Adelaide primeira mesária. A super mãe do Pedro e super parceira do marido Diniel foi a digna representante do sexo feminino naquela que seria a eleição em que no final, a protagonista foi uma mulher. A Adelaide supriu nossa seção de sensibilidade e função materna com a mesma competência e criatividade que administra a melhor casa de carnes que eu já conheci.
E tinha lá o José secretário. Pelo que vi, o José é o representante comercial mais querido e festejado de sua região. Homem com história de dor e superação, o José foi o melhor exemplo de cavalheirismo, educação e civilidade.
São meus novos amigos, e à eles, eu agradeço pelos momentos em que estivemos juntos e sensibilizado, me orgulho muito de ter sido deles o mais humilde servidor. Certamente, O Fábio, a Adelaide e o José, serão personagens importantes em todos os meus sonhos onde a verdadeira e pura democracia for o objeto de meus desejos.

Fraterno abraço
André                     

sábado, 16 de outubro de 2010

Um Rescaldo das Eleições!

Confesso que fiquei abobalhado com os últimos acontecimentos do Brasil e do mundo e fiz uma pausa nas publicações, e me recolhi sob o pretexto de reinicializar o conjunto de meus sistemas, que inexoralmente se corrompem quando afetados pelos vírus da tristeza e da desesperança.
Acompanhei nos últimos meses, a jornada política e eleitoral de forma efetiva e me envolvi totalmente no processo.
Andei pelas ruas e conheci gente. E quanto mais gente eu conhecia mais eu me conflitava comigo mesmo e com as certezas de minhas próprias limitações.
Fiz amigos verdadeiros e tenho certeza que essas amizades sempre serão motivos impulsionadores para a confirmação da minha crença na causa dos povos.
E no meu passeio idealista, surgiram pessoas que somaram muito na minha sempre exagerada vontade de expandir minha experiência de vida.
Surgiu o Caio que me deu a oportunidade de exercitar minha cidadania. Homem de bem o meu amigo, e estou certo de que nenhuma administração pública ou parlamento estará completo sem a sua presença. A ele Caio, agradeço publicamente a chance que recebi de conhecer melhor as pessoas e as realidades. Nossa luta apenas está começando.
Ressurgiu o Ronaldo, a quem eu destino o título de Lord. Meu amigo há décadas, Ronaldo certamente ocuparia lugar de destaque na Távola Redonda de Arthur, se Arthur fosse o personagem de minhas fantasias de justiça, liberdade e humanidade.
Surgiu Vanderlei, que sendo um técnico financista, consegue ser brilhante profissional por entender os sofrimentos da alma humana e com seu sotaque fronteiriço semea amizade e simpatia resolvendo os problemas dos outros mesmo que isso já tenha lhe causado perdas que o tempo, senhor de todos os julgamentos, fará a devida justiça.
E foi muita gente e coisa boa que surgiu... e eu fiquei feliz...
Mas eu vi muita coisa triste...
Eu vi meu povo desdentado e bêbado rindo de sua própria miséria e fazendo graça de seu próprio vício.
Vi os humildes e humilhados iludidos pelos fisiologistas, fascínoras repaginados pela luz da democracia que eles insistem em escurecer e que nunca defenderam.
Vi cafetinas e proxenetas vendendo a "hermana muy hermoza" por trinta dinheiros tirados dos cofres da fé e da bolsa da usura.
E vi o que os jornalistas chamaram de voto de protesto. 
Mas minha visão, que meus críticos chamam de turva por ser elitizada (?????), não viu o voto de protesto com o mesmo entendimento.
O que vi, é que a candidatura mais vencedora no Brasil, foi exatamente aquela protagonizada por um palhaço desdentado e analfabeto, que por legítimo representante de seu povo, deverá assumir o cargo, e jamais será chamado de um mero sobproduto dos fascínoras usurpadores da dignidade da nação.

Fraterno Abraço
André       
            

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Uma Exclamação!!!

Os meus amigos leitores mais antigos que acompanham há mais tempo meus escritos, devem hoje prestar atenção na descrição que inclui no título do blog.
É uma frase do Freud e acho que todo psicanalista deveria ter isso em mente em todo o qualquer exercício que tenha que ser desenvolvido em decorrência de seu ofício, inclusive o ato de escrever sobre outros assuntos não relacionados à atividade clínica.
Então... à todos aqueles que de alguma forma ou de outra sentem-se desconfortáveis com certos fatos que publico aqui, não me justifico.
Quando falo negativamente de algo (pessoas, lugares, atitudes, etc), busco sobretudo ajudar no credenciamento que dá acesso aos questionamentos, pois são deles que muitas vezes surgem soluções surpreendentes.
Então, recito o mestre:
" UMA PESSOA QUE, COMO EU, EVOCA O QUE HÁ DE MAIS PERVERSO DENTRE OS DEMÔNIOS PARCIALMENTE DOMADOS QUE HABITAM A BESTA HUMANA, E TENTA ENFRENTÁ-LOS, NÃO PODE ESPERAR SAIR INCÓLUME DESTA BATALHA." 

Fraterno abraço, 
André    

terça-feira, 21 de setembro de 2010

De Princesa Dourada do Jacuí a XYZ do Centro!

Há exatos 12 meses, produzi um texto onde citava minha preocupação com o declínio econômico, cultural e social de uma cidade, que acabei apelidando de XYZ do Centro.
Eis o texto publicado aqui no blog, em 24 de setembro de 2009:


 A Morte de Uma Cidade!

Hoje recebi um email de um amigo. Esse amigo, na minha opinião uma das mais brilhantes mentes e vozes que o Direito e a Justiça gaúcha tem, cada vez mais me chama a atenção pela sua sensibilidade e sobretudo pela maneira de demonstra-la.
Eis que, trocando idéias a cerca de uma cidade a qual ambos temos afeto especial, o grande advogado me escreve:

"Pois é, amigo André. XYZ do Centro (obviamente esse nome eu inventei porque vou propositalmente omitir o nome da cidade),hoje, é um vasto cemitério de pessoas vivas. Dormem, acordam, vestem-se, vão ao trabalho, mas é uma cidade de seres perdidos. Nada cresce, nada progride, apenas vegeta. Esta manhã, na rádio Gaúcha, ouvi informes sobre o tempo de mais de 50 cidades. Nem falaram de XYZ do Centro. Ficamos ilhados, esquecidos, perdemos a auto-estima, a vontade de progredir. Pobre XYZ! Não encontrei em nenhum lugar algo como o nosso ......(aqui o advogado cita um lindo monumento artístico que existe na praça matriz da cidade).Mas nem isso festejamos mais. Tristeza."

Depois de ler o email de meu amigo, fiquei pensando como pode uma cidade morrer ou deixar de viver, e lembrei que tempos atrás, outros dois amigos me falaram que XYZ do Centro, deveria ir para o Divã.
Naqueles tempos, escrevi algumas crônicas, mas os editores locais me censuraram dizendo que meu texto era elitista, e que somente meia dúzia de pessoas entenderiam meus escritos.
Joguei fora as mais de 10 crônicas, mas, gostando da idéia, escrevi a série "Porto Alegre no Divã", que aliás andei publicando aqui no ano passado e que ainda está à disposição de quem quiser ler.
Entretando, vou reproduzir algumas coisas que escrevi na época e que foram classificadas de elitistas, para que meu amigo citado e os demais leitores possam saber do porque na minha opinião uma cidade morre ou deixa de viver.
Acho que tudo se origina da falta de estima popular, uma vez que a massa que deveria evoluir se escraviza ao não poder, e aos vícios culturais de uma burguesia falida e há muito ultrapassada em seus conceitos de sociedade.
Noto que em XYZ, o jovem que quiser estar dentro do contexto da dita "alta sociedade local", só será aceito pela dita, se dirigir carro zero (de preferência com placa de Porto Alegre), gostar de péssima música que em volumes estratosféricos poluem toda a cidade, especialmente onde tenha Postos de Gasolina, e invariavelmente tem que ser da tribo daqueles adeptos do famigerado "pó de reboco".
No passado, os jovens de XYZ sonhavam apenas em se tornarem sargentos do exército ou funcionários do Banco do Brasil.
Também vejo que o povo de XYZ, não se dá o devido respeito e acho que nem sabe da força que pode ter um povo que se forma a partir de sua cidadania.
Todos dão muita importância à questão de nomes. Por exemplo: Ouço dizer que XYZ, existem apenas 3 sobrenomes que são importantes, e o resto é pura vassalagem que segue a rotina conforme a vontade do senhor de cada um dos 3 feudos.
Corre a língua solta, que pela vontade dos senhores feudais locais, até bem pouco tempo atrás um ser extraordinário, mago, bruxo, sei lá, mandava em tudo. Ele detinha a chave do cofre do povo, mas só do cofre do povo, pois os cofres dos burgos dependiam de outras esferas, como o crédito rural do Banco do Brasil. Parece que até museu do além e aeroporto da ET o tal alcáide pretendia fazer.
Menos mal, que o mago se foi. Deixou o cofre do povo vazio. Mas se foi.
Em XYZ, existe uma forte aversão ao novo. Vejamos:
Nada funciona do meio dia até às 13.30. E depois das 20 horas, pouco se vê. E o que se vê não é legal, pois se vê andarilhos escravos do crack habitando as abandonadas praças, e alguns pedintes ambulantes que pensam num jeito de arrumar dinheiro pra também se tornarem escravos da pedra maldita.
Comércio aberto fim de semana???? Nem pensar!!! E se for decisão judicial, daremos um jeito de burla-la, afinal o domingo é sagrado pra se afogar na caña e sequer sonhar com um mundo melhor.
É verdade.... caríssimo Doutor. TRISTEZA.
Mas... ainda acredito que outros nomes vão aparecer ou se fazerem notar. Nomes que carreguem consigo os sobrenomes de LIBERDADE, IGUALDADE E HUMANIDADE, e que não sejam meros dizeres esquecidos numa sagrada bandeira que é desfraldada apenas nos 20 de setembro do alto de um cavalo cagão.
E que estes nomes germinem que nem erva daninha braba, e que depois de crescidos todos saibam que na verdade, são belas flores da campanha.
Fraterno abraço
André     

Passado 1 ano... revelo que na verdade, XYZ do Centro refere-se à tradicional cidade de Cachoeira do Sul, outrora conhecida e reconhecida como Capital Nacional do Arroz, princesa dourada cujo resplendor era refletida nas águas do Rio Jacuí.
Acho que movido pelo “vício” clínico psicanalítico/sociológico/antropológico ( putz...peguei pesado..risos), pela neurose de entender, pelo delírio de querer saber e, sobretudo pelo desejo hipocratesiano de sempre consolar aos que sofrem, mesmo que não se possa amenizar a dor, resolvi me preocupar mais efetivamente com a cidade, e até porque tenho vivido mais em seu seio, mesmo que temporariamente. 
Tal vontade originou-se com maior força, quando recebi um email de um amigo pessoal, filho de Cachoeira, homem de leis e com sensibilidade hiper aflorada que reproduzo abaixo:

"Pois é, amigo André. Cachoeira, hoje, é um vasto cemitério de pessoas vivas. Dormem, acordam, vestem-se, vão ao trabalho, mas é uma cidade de seres perdidos. Nada cresce ; nada progride, apenas vegeta. Esta manhã, na rádio Gaúcha, ouvi informes sobre o tempo em cerca de 50 cidades. Nem falaram de Cachoeira. Ficamos ilhados, esquecidos, perdemos a auto-estima, a vontade de progredir. Pobre Cachoeira ! Não encontrei em lugar nenhum algo como nosso chateau-deau. Mas nem isso festejamos mais. Tristeza."



De: André Lacerda [mailto:andrelacerda15@gmail.com]

Enviada em: quarta-feira, 23 de setembro de 2009 14:11

Para: Undisclosed-Recipient:;

Assunto: Fw: DANÇA DE ÁGUA

Conheço uma cidade que foi pioneira da dança de água.

Encaminho o anexo, pra matar saudades do que foi perdido!

Abraço



Como podem reparar, o email do meu amigo, foi em resposta a uma mensagem que eu enviei mostrando uma fonte de águas de Barcelona, e fiz uma alusão a Cachoeira.

Então, percorri e observei...

Comecei a andar pela cidade. Percorri os bairros mais afastados, andei pelos bairros mais elegantes e tradicionais, e caminhei pelo centro.

Eu queria era observar gente, e como o acróbata demente do Piazzolla, saltei dentro do abismo daquelas pessoas que me deram ouvidos e me brindaram com suas falas.

Foram seis semanas que me dei de presente, e fui a campo conhecer a Cachoeira que lá no século passado ( to velho..risos) foi cenário de quase dois anos de minha adolescência.

Resolvi dividir em 3 fases minha andança: 1) arrabalde, 2) bairros de classes a e b, 3) centro (que em Cachoeira é social e comercial num mesmo espaço).

Não quero ser enfadonho e me coloco à disposição para os detalhes, portanto vou direto ao resultado de meu aprendizado sobre a cidade:


1) Arrabalde (vilas: Noêmia, Quinta B Vista, Cohab, Carvalho, N.Srª Fátima, Cristo Rei e proximidades do Morro da Cruz ( não sei o nome do lugar):

Metodologia aplicada: Abordagem direta (isso significa frequentar botecos, mercadinhos e transeuntes sob a alegação de necessidade de informação sazonal);

Clientela: 70 pessoas (10 em cada vila) acima de 14 anos;

Objetivo: Verificar satisfação das pessoas com relação ao ambiente que vivem (cidade) e testar o nível de consciência cidadã.

Conclusão:

1.1 Quesito inclusão: 93 % das pessoas observadas ainda não foram atingidas pelos benefícios do avanço tecnológico dos últimos 15 anos uma vez que:

- Nunca tiveram acesso à informática; ( muitos não sabem como o computador funciona, e teve um caso em que uma senhora de 38 anos está decepcionada por não conseguir um emprego administrativo, e olha que ela me apresentou um diploma de datilografia da Escola Cira Willig (acho que é este o nome da escola, mas não tenho certeza).

- Não sabem o que pode vir a ser TV à cabo;

- Dependem da ajuda de funcionários do banco para operar nos terminais;

- Não se preocupam com a questão ambiental e não sabem o que significa ecologia, nem mesmo aqueles que trabalham com lixo reciclado ( latas, pets, etc...)

- Desconhecem o sistema de saneamento básico que abrange seu local de domicílio;

- 97% dos indivíduos não tem concluído o ensino fundamental;

- Não se interessam (muitos não sabem se existe ) por movimentos ou associações comunitárias;


1.2 Quesito Qualidade de Vida: Utilizei aqui parâmetros que são utilizados por organismos internacionais ( ONU e suas seccionais)

- 65% dos indivíduos vivem de sub empregos, sem carteira assinada;

- 100% (dos observados) ganham menos de 1.000 reais ( destes, 90 % 1 salário mínimo );

- Não planejam e nem pensam em atividades de lazer;

- Desconhecem o funcionamento e a estrutura do sistema de saúde;

- Não consideram prioridade a atividade educacional, priorizando sim, a sobrevivência;


1.3 Quesito Cidadania:

- Completo desinteresse (desesperança??) pela administração pública ( municipal, estadual e federal);

- Desconhecem ou não sabem opinar sobre obras e projetos do executivo e legislativo municipal;

- Não elencam diferenças entre governo atual e anterior ( município);

- Acham o prefeito atual simpático e povão (???) e por isso gostam dele;

- Não sabem quem são ou como trabalham os membros de governo ( ministros, secretários, etc)

- Temem perder o Bolsa família/escola;

- Interesse superficial de política e gestão;

 
2) Bairros classe A,B e C:

Me reservo expor detalhes oportunamente, com apenas uma observação que considero grave:

- Aumento substancial do consumo de crack por adolescentes e jovens adultos destas camadas sociais, o que pode vir a ser um sério problema ( vide bairros nobres de Porto Alegre e SP);

- Elevado índice de endividamento ( tornando-se comum a existência do agiota no âmbito comercial);


3) Centro ( social e comercial )

Reflexo progressivo e multiplicado dos itens anteriores.

Contudo observei:

- Não estão felizes, mas não tem razão pra estarem tristes ( comodismo)

- Não fazem planos (os jovens) de ficarem na cidade, e sonham com Porto Alegre, Santa Cruz ou Santa Maria; (sobra ilusão fadada ao fracasso)

- Não acreditam no progresso da cidade, mas acham que isto sempre foi assim e nunca vai mudar.( falta estima e perspectiva)

- Existe em todos os lugares uma melancólica saudade do meio rural que reflete na desesperança urbana; ( a cidade precisa de sonhos para o futuro).

Com os devidos pedidos de perdão a quem se julgar ofendido, e com os votos de que Cachoeira do Sul volte a brilhar e a evoluir, 
Fraterno Abraço

André 

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Dai Eu Rezo!

Acordei nesta manhã quase primaveril com a antiga música do poeta mineiro:
 "Quando entrar Setembro, e a boa nova andar nos campos, quero ver brotar o perdão, onde a gente plantou..."!
Sinto que o Setembro de nossas esperanças vai nos render luz e serenidade para que nossos demônios agostinos sejam exorcizados.
Setembro nos iluminará e em Outubro teremos a lucidez necessária para redefinir-mos o nosso destino.
Mas neste começo de Setembro ainda me arrepio com "las brujas del viejo Agosto", e penso que só pode ser devaneio meu quando imagino que:
- Como pode um tarado fascista que se diz evangélico, com seus parcos seguidores (menos de cinquenta  perturbados), ganhar a mídia e a atenção dos governantes mais influentes do planeta ameaçando queimar sessenta exemplares do alcorão?
Isso só seria mais um besteirol de mau gosto americano digno de piada e muitos risos se não houvesse do outro lado, milhares de outros fascistas perturbados dispostos à explodir seus corpos (e o mundo todo) em troca de 70 virgens para usufruirem quando chegassem ao paraiso.
Dai eu rezo: " Ala meu bom Ala... mande água pra iôiô...mande água pra iáiá..."  
- Como pode alguém ainda se surpreender com a quebra dos sigilos fiscais às vésperas de eleições na sagrada terra que diz ter parido a própria divindade (afinal dizem que deus é brasileiro)??? Escândalo????
E porque ninguém se escandaliza quando no sábado pela manhã as agências de tele marketing interrompem teu não menos sagrado sono, oferecendo tudo (desde contribuições para crianças carentes a ferventes estadas em paraisos infernais da prostituição e da degredação humana), e fazem questão de salientar:
" A gente poderíamos (sic) estar cadastrando o senhor??? Sabemos que o senhor tem conta no banco tal, sua renda é de tantos reais mensais e seu cpf está liberado conforme nosso sistema!"
Caramba!!! De onde essa gente tem essas informações??? Quantas milhares de vezes quebram nosso sigilo bancário e fiscal??? Onde se pega senha pra entrar na fila para participar dessa guerra de bugios???
Dai eu rezo: "Pai!!! Afasta de mim esse cálice de vinho tinto de sangue..."

Enfim; Me depura Oh Setembro de minhas esperanças!!! Afinal, em 3 de Outubro vou ter um dia de glória.

Por fim, desejo à todos belos dias setembrinos.

Fraterno abraço
André