domingo, 16 de junho de 2024

Era Pra Ser Apenas Um Texto Lúdico...

 Era pra ser uma crônica colorida e cheia das alegrias que minha filha me proporciona todo dia, toda hora, a cada segundo, e que certamente mostra QUE O MEU LUGAR É ONDE A MINHA FILHA ESTEJA.

Ela passou pela semana de adaptação, e é uma feliz aluna da Rede Marista de escolas, onde alias, o papai aqui teve o início ( no século passado chamávamos de primeiro e segundo graus) de uma vida acadêmica, social e cultural, e que faz ser agradecido sempre aos meus pais que me proporcionaram.

A Escola Marista, me fez (através de atividades muito além das extra classes) quem eu sou...conheci o Estado...o país é até quase toda a América Latina, sempre esplendorosamente guiado pelos professores e irmãos da congregação. 

Passaram-se milhares de anos, e já com carreira definida e sólida, por essas coisas da vida, reencontrei o meu primeiro Diretor, Irmão José Ewaldo Neys, que por ser informado de minhas atividades da época, me chamou pra palestrar para as mais diversas escolas da Rede. Foi no ano 2000. Eu fui muito feliz com isso.  O Irmão Ewaldo, morreu em 2018, e certamente sempre será um baluarte dos Maristas.

Pensei até em postar uma foto de Isabelle com uniforme da escola e em plena atividade...mas depois me lembrei do Umberto Ecco:

" A Internet deu voz à legiões de imbecis!"

À propósito disso, tudo que publico aqui no blog, compartilho das redes sociais. E são algumas centenas de milhares de seguidores considerando as minhas páginas pessoais e aquelas que sou criador de conteúdos. Então peço o que nunca foi pedido:

Se alguem nao ler o texto até o fim, nao curta.

se gostou apenas pela foto, curta mas deixe comentário dizendo que é somente pela foto.

Me explico:

Essa crônica, provavelmente será parte do projeto pro doutorado que pretendo apresentar ao meu sempre amado Conselho Brasileiro de Psicanálise Clinica, e a estatística vai ajudar. Desde que verdadeira.

A crônica estava pronta..e seria apenas um textinho pra marcar a Isabelle na escola e tal...

Mas...

Ela chega:

"Papai...porque Fulano chamou sicrano de IDIOTA??." "O que é IDIOTA papai?"

Me assustei. Afinal nao uso essa palavra desde a adolescência quando li "Ninguem é uma Ilha" do JM Simmel, que alias penso que todo pai, toda mãe,  e todo mundo enfim deveria de ler...

Expliquei (querendo mudar de assunto) que isso significa aquele que é incapaz de se comunicar com outras pessoas, mas que isso era pra ela esquecer e nunca chamar ninguém de idiota.

Ela fez um muxoxo, e seguiu a vida feliz dela...espero que tenho esquecido ter visto alguem chamar outro alguém de idiota.

Então...pra não perder o costume, evolui no tema...espero que gostem...


“O pior analfabeto 

É o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala

Nem participa dos acontecimentos políticos.

Não sabe que o custo de vida,

O preço do feijão, do peixe,

De farinha, do aluguel, do calçado

E dos medicamentos

Dependem de decisões políticas”.

Esse analfabeto político do poema atribuído ao dramaturgo alemão Bertolt Brecht é, por outras palavras, um idiota, em seu sentido quase original.

A palavra ‘idiota’ vem do grego ἰδιώτης idiṓtēs e originalmente não era um adjetivo desrespeitoso, depreciativo ou um insulto.

Mas como os gregos valorizavam muito a participação cívica, reconhecendo que sem ela a democracia entraria em colapso, era esperado que todos os cidadãos estivessem interessados ​​e familiarizados com os assuntos públicos. Ou seja, eles não deveriam ser idiotas

É nesse contexto que, com o passar do tempo, idiṓtēs começou a adquirir uma conotação negativa, e se transformou um termo de reprovação e desdém.

Viver apenas uma vida privada não era ser plenamente humano.

“Se o comportamento e o discurso de um homem deixavam de ser políticos, ele se tornava idiota: egocêntrico, indiferente às necessidades do próximo, inconsequente em si mesmo”, explica Christopher Berry em seu livro A Ideia de uma Comunidade Democrática.

E esse tipo de idiotice talvez fosse mais grave do que aquela que resultou da metamorfose que teve início e que levaria a palavra a se tornar o que hoje, conforme a definição em português, por exemplo, do dicionário Michaelis:

Adj m+f sm+f

1 Diz-se de ou o que demonstra falta de inteligência, de discernimento ou de bom senso; estúpido, imbecil, tanso, tantã, tolo, zote.

2 Diz-se de ou pessoa que se considera superior aos outros; arrogante, presunçoso.

3 Diz-se de ou o que é tolo ou ingênuo

Depois de se tornar um termo pejorativo para quem se recusava a participar da política, passou a definir alguém como ignorante, grosseiro e sem instrução.

Com essa interpretação, chegou ao latim no século 3°, e daí para outras línguas.

Embora o significado político tenha sobrevivido por algum tempo, à medida que a cultura e as tradições da Grécia antiga ficaram para trás, o novo significado o substituiu. 

Logo, outro fato reforçou ainda mais o significado atual.

No início do século 20, os psicólogos franceses Alfred Binet e Theodore Simon criaram o primeiro teste de inteligência moderno, que calculava o QI com base na capacidade das crianças de realizar tarefas como apontar para o nariz e contar moedas.

Os psicólogos ficaram tão apaixonados pela natureza científica dos testes que criaram sistemas de classificação.

Qualquer pessoa com QI acima de 70 era considerada “normal” e qualquer pessoa acima de 130 era considerada “superdotada”.

Para lidar com pessoas com QI inferior a 70, inventaram uma nomenclatura.

Um adulto com idade mental inferior a 3 anos foi rotulado de “idiota”; entre 3 e 7, para “imbecil”; e entre 7 e 10, “débil mental”.

“Idiota” então se tornou um termo técnico usado em contextos jurídicos e psiquiátricos.

Usar essa palavra, como aconteceu com o latim ‘imbecil’ para descrever graus de deficiência psíquica, fez com que ela também acabasse sendo um insulto que se refere aos dons mentais do insultado.

Em algumas culturas, “idiota”, assim como “imbecil”, caiu em desuso na medicina algumas décadas depois porque foi considerado ofensivo.

Desde o século 19, há pensadores que defendem que a palavra seja usada de forma mais ampla, mas recuperando o seu significado original.

Um deles é Walter C. Parker, professor emérito da Universidade de Washington, para quem essa antiga etimologia pode ser uma ferramenta valiosa para uma compreensão contemporânea da democracia e da cidadania.

“Nesse sentido, podemos voltar a Aristóteles, há 2 mil anos, que costumo citar quando escrevo sobre idiotice. Para ele, idiota é alguém cuja vida privada é sua única preocupação, alguém que não toma iniciativa na política.”

“São pessoas imaturas, com desenvolvimento truncado, que podem ter vida social, mas não vida pública.”

“Portanto, existe uma vida privada, uma vida social e uma vida pública, e para ser um indivíduo com objetivos e prosperar você precisa de todos os três.”

Tudo começa na escola, opina Parker.

“No ensino, devemos promover o debate de questões públicas polêmicas com outras pessoas, cujas opiniões sejam semelhantes ou não. Isso não importa.”

“Se você gosta ou não da opinião de alguém é importante na vida social, mas não na vida pública, onde temos que nos conectar, nos relacionar, conversar e ouvir outras pessoas, independentemente de elas concordarem com você.”

“Há sempre o perigo de o idiota levar a sua idiotice para a esfera pública, para usar os termos que usamos no contexto de que estamos a falar”, explica Parker.

Mas algo também “terrível”, lamenta o acadêmico, é a indiferença.

Está documentado que as novas (e não tão novas) gerações não estão interessadas nos acontecimentos atuais.

Apesar de viverem num mundo onde mais do que nunca as pessoas têm meios de acesso à informação, elas optam por não prestar atenção. Elas simplesmente não se importam.

“Na verdade, estamos recebendo cada vez mais pesquisas que mostram que os jovens têm uma vida privada e social ativa, mas não uma vida pública.”

“E esse é um terreno fértil muito perigoso para a demagogia”, explica.

Agora: a exaltação da vida pública não ocorre em detrimento das outras duas esferas, esclarece Parker.

“O objetivo de reivindicar o termo idiotice não é de forma alguma negar ou descartar a importância da vida privada ou social, que são tão cruciais para o nosso florescimento como seres humanos.”

“É lá que existe a nossa família, os nossos amigos e o nosso trabalho.”

“Mas a personalidade pública é o elo que falta, por assim dizer, para tornar possível vivermos juntos em sociedade com as nossas diferenças intactas.”

É nessa vida pública, salienta, que aprendemos a lidar com estranhos com ideologias diferentes em culturas diferentes.

“O objetivo é desenvolver um modus vivendi, do latim, um modo de vida que nos permita prosperar juntos sem nos matarmos.”

“Temos que cultivar o eu público e, para isso, não podemos ser idiotas”.

 Fraterno abraço à todos

André Lacerda - Psicanalista


 


sexta-feira, 19 de abril de 2024

Dia do Índio

 "...eu era o índio liberto

Barbaresco e peleador

Rei de mim mesmo, 

Senhor da natureza selvagem

Com a religião da coragem 

E o sol de bronze na cor..." ( J.C. Braun)


A data de 19 de abril foi proposta em 1940 pelas lideranças indígenas do continente americano que participaram do Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México. Eles haviam boicotado os dias iniciais do evento, temendo que suas reivindicações não fossem ouvidas pelos "não indígenas". Durante este congresso foi criado o Instituto Indigenista Interamericano, também sediado no México, que tem como função zelar pelos direitos dos indígenas na América. O Brasil não aderiu imediatamente ao instituto, mas, com a intervenção do Marechal Rondon, apresentou sua adesão e instituiu o Dia do Índio no dia 19 de abril, cumprindo a proposta do Congresso de 1940.

A data pode ser considerada um motivo de reflexão sobre os valores culturais dos povos autóctones e a importância da preservação e respeito a esses valores.

Hoje, falei de maneira lúdico (do lúdico psicanalítico claro...rs) a história do Charruas,  dos Minuanos e dos Guaranis, nossos ancestrais e povos Originários do nosso papa gaúcho. 


" e dentro desse contexto 

Não quero falar de novo 

Dos ancestrais do meu povo

MENDIGOS VENDENDO CESTOS..." ( J.C.Braun)


Fraterno abraço 

André Lacerda  - Psicanalista




sábado, 6 de abril de 2024

Fanatismo (Florbela Espanca)

 Feliz. Hoje fomos visitar a Maravenina Machado minha irmã, e entre outras coisas, falamos de quanto a minha filha mudou minha vidinha cigana.

E nós somos muito musicais. Ela canta o tempo inteiro...e eu as vezes canto pra ela...

E todo dia canto pra ela a belíssima Fanatismo, que o Fagner, lá nos anos 80 musicou. 

Aliás, musicou um poema lindo de uma mulher maravilhosa e além de seu tempo. 

Florbela Espanca, poetisa portuguesa, escreveu esse poema numa fase melancólica em que tentava se firmar no mundo acadêmico literário, que lá na velha Portugal era(??????) extremamente machista e misógina.

Morreu jovem a Florbela... 

Espero que eu tenha muitas manhãs pra cantar Fanatismo pra minha Isabelle, e ela me brinda com doçura e amor de verdade. 

Eis o poema original ...


"Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.

Meus olhos andam cegos de te ver.

Não és sequer razão do meu viver

Pois que tu és já toda a minha vida!


Não vejo nada assim enlouquecida…

Passo no mundo, meu Amor, a ler

No mist’rioso livro do teu ser

A mesma história tantas vezes lida!…


“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”

Quando me dizem isto, toda a graça

Duma boca divina fala em mim!


E, olhos postos em ti, digo de rastros:

“Ah! podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus: princípio e fim!…”


Fraterno abraço à todos



domingo, 17 de março de 2024

EGOÍSMO E ALTRUÍSMO!

 


Pasmem:

"segundo o pensamento de Comte 1798-1857, tendência ou inclinação de natureza instintiva que incita o ser humano à preocupação com o outro e que, não obstante sua atuação espontânea, deve ser aprimorada pela educação positivista, evitando-se assim a ação antagônica dos instintos naturais do egoísmo."


Pasmem,  porque essa a interpretação de ALTRUÍSMO do pensamento filosófico de Comte. O Augusto. O criador do Positivismo que inspirou muitos déspotas, cuja máxima entre colunas, era difundir a ideia de que " eu só desejo o melhor ao povo. Mas quem sabe o que é melhor ao povo sou eu."


Eu realmente tenho uma certa dificuldade pra entender uma dinâmica acadêmica que vá buscar no Positivismo (o mesmo aquele do Júlio de Castilhos, do Golpe de Getúlio de 1930, a Constituição Polaca de 37 e seu Estado Novo do mesmo castilhista Vargas, etc).


Penso que o Freud renomeu os instintos primitivos e nos ofereceu a ampla e prazerosa leitura e análise das pulsões. Mas isso é coisa pra muita conversa, que alias, pra quem se interessar, o blog está recheado de material à respeito.


Neste domingo enfarruscado, eu só queria tirar o foco de minha publicação anterior onde identifiquei o "grande mal estar do momento atual do país " , e queria abordar o altruísmo e seu antagônico egoísmo.


Tanto um como o outro, pra nós que ousamos despertar demônios adormecidos, são ambientais e fruto de experiências de vida, com o manejo das pulsões e com a capacidade individual de escolher ou ser um ou outro. Ou ainda quando ser um ou outro. Ou quem sabe, estampar ser um e na verdade ser outro. 

Personas...


Mas... deixa pra lá...é domingo e daqui a pouco tem futebol...


Fraterno abraço 

André Lacerda  - Psicanalista



sábado, 16 de março de 2024

UM PAÍS CHAMADO CARNAVAL



O título se refere à uma peça que escrevi na adolescência, e me foi lembrada por um amigo querido, e que vai virar série. Quem sabe livro.

E isso se deu em 1981. Em plena ditadura daquele que João que batia e prendia...

Por falar nisso...

Em 2018 eu estava no fundo do poço de uma depressão extrema. Fazendo muitas besteiras...só pensava em fazer besteiras mais graves do que aquelas que eu fazia...

Mas me lembro de imerso na tristeza, ter ficado mais triste ainda com a vitória "dele" nas eleições. Triste não...com nojo. 

Naquela época vi um entrevista dele mostrando um porrete e dizendo ser aquele pedaço de madeira, o psicólogo que ele indicava...

Deve ter usado várias vezes pra amenizar suas pulsões....

Mas aceitei. Afinal, DEMOCRACIA é isso. E fiquei torcendo pelo país, afinal eu não tinha esquecido do "petrolão" e nem de todos os mal feitos que a centro esquerda tinha feito pelo Brasil afora. E o pior mal feito da esquerda,  foi abrir espaço pra essa figura desprezível, ignóbil, e tudo de ruim que se possa pensar, assumir o país. 

Mas veio 2019 e minha Ana e minha filha me buscaram do inferno da doença (simmm..Depressão é uma doença senhores e senhoras terraplanistas), e eu estava ainda torcendo pelo país.

Mas ainda com muito nojo do Bozo. 

E veio a pandemia.

E o Bozo estava lá, no mínimo, debochando daqueles que morriam sufocados pela falta de oxigênio e pela maldade do desgraçado negacionista, fascista, infame e tudo o mais que todo mundo sabe.

E tudo o mais aconteceu. 

Agora tudo vem à tona.

E tem muito mais que vai emergir tal qual o antigo "monstro da lagoa" ...

E eu que não esqueci e não vou esquecer do "petrolão", e toda aquela sacanagem que só não foi levada ao cabo por conta da canalhice de outros golpistas ( Moro e a gangue de Curitiba), não fico feliz por isso.

Muito triste pelo monte de gente de bem que aderiu à tudo que envolve esse asqueroso golpista e genocida que nem sei se vai pagar por tudo que fez...

Na verdade... muito triste pelo Brasil estar passando por isso...


P.s: a foto é de 2018...



quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

O Pão com Ovo !

 Realmente tenho escrito pouco.

Penso que o algoritmo não sente muita falta de minhas crônicas, uma vez que não vou falar da luta entre Popó X Bambam...

À propósito: Esse Bambam não era um cara que ganhou um dinheiro do Big Brother da Globo porque casou com uma vassoura?

E o Popó não é aquele que foi multi campeão de Box?

Tchê...passamos 4 anos da mais absoluta treva e agora temos que nos submeter à isso??

Sem contar que o outro lá, que estava indo mais ou menos, já começou com aquela diarreia verbal falando de genocídio e tal.

Por favor assessoria...te liga!!!!

E tem aquela briga das duas irmãs que cantavam juntas e uma diz que a outra era uma e que a uma era outra e tral e tal...

Realmente o algoritmo não está sentindo falta de minhas crônicas...

Por aqui, a principal preocupação tem a ver com a textura da gema do ovo.

Não pode passar um milionésimo de segundo do ponto certo em que a gema flua tal como rio de ouro sobre a batata palha...

E isso me faz lembrar que a diferença da riqueza e da pobreza pode estar nas palavras ( até porque sou psicanalista...rs).

O pobre fala que só tem pão com ovo.

O rico fala que não existe maior prazer do que furar o ovo e deixar aquele fio dourado escorrer pela ponta fria do garfo, e logo embeber um pedaço de alvo pão e quem sabe, o ouro até escorra pelo lado da boca. ..

Notaram a diferença????


Fraterno Abraço 

André e Isabelle Lacerda

Psicanalista e Inspiração



segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

O Ballet das Lagartixas



Hoje, como todos os outros dias quando se é pai, foi um dia de coisas novas.

Logo cedo, descobri que os senhores Mark Suckerberger e Ellon Musk, dois dos homens mais ricos do planeta, estão numa disputa onde buscam novos tesouros: criadores de conteúdo. 

Me causou espécie. 

Seguindo o exemplo de vários amigos, professores, mestres de todo gênero que desde os tempos do Orkut criavam conteúdos psicanalíticos, filosóficos, tratados de saúde, promoviam debates sobre geopolítica, me tornei criador de conteúdo.

Primeiro foi no meu blog " O criador e a criatura" ( que ainda está on line mesmo que adormecido por razões absolutamente pessoais), e depois nas páginas do Facebook cujos donos generosamente me chamaram pra reproduzir minhas crônicas. Uma delas aliás, até meu nome tem e esse fato eu agradeço a deferência à Laura Nunes da Cunha minha editora poço de paciência que é a dona da página.

Anos atrás, num daqueles exercícios que não levam a nada, por curiosidade fiz uma estatística e vi que minhas crônicas já tinham sido lidas por mais de 400 mil pessoas...

Não acreditei na época e hoje nem sei o que pensar...mas ...nesse mundo de redes sociais tudo pode acontecer afinal...

Então me peguei pensando hoje:

Que tipo de criador de conteúdo os senhores donos do Facebook e do Twitter podem estar buscando hoje???

E pensei... e pensando ...deprimi.

Jamais eu ou meus mestres, professores, colegas todos dinossauros herdeiros dos ensinamentos de Freud, Lacan, Copenhaguen, Roterdan, Nietzsche e etc, estariam sequer nos pesadelos do Sr Zuckerberg ou do Sr Musk. 

Nossos conteúdos não interessam mais.

E estava entrando numa tristeza média quando ela me salva:

- Papaaaaiii!!!!! Acordei!!!!

Isabelle me salvou pela bilhonésima vez de cair num estado melancólico. 

E logo de cara, ela me lembra de nossa conversa da noite anterior:

- Porque nós não vemos as Lagartixas de dia papai?

- Porque elas só dançam pelas nossas paredes brancas à noite?

- Eu posso botar nome nas minhas Lagartixas papai???

Ela tem o dom de me desconsertar com tantas perguntas...

Não sou muito conhecedor da vida desses simpáticos bichinhos, mas explico que durante o dia elas dormem, e à noite saem para ensaiar seu ballet, comer e pra descobrir as coisas que possam existir entre as paredes brancas da casa.

Aproveito e digo que elas são nossas amigas, e que comem os mosquitos que nos atormentam e causam doenças, e como são nossas amigas, acho que podemos das nome à elas...

Deixo ela por uns minutos sozinha, e logo volto com o iogurte e o mamão do ritual matinal e ela está ajoelhada perto das floreiras com os olhos cheios de lágrimas...

E quando me vê chora. 

Mas não era o choro do dodói ou a manha natural...

Era um choro de tristeza. Pude sentir a tristeza dela...

Ela não conseguia falar e com a mãozinha trêmula me indicava o motivo de tamanha tristeza.

Uma lagartixa morta já parcialmente devorada por minúsculas formigas...

- Ela morreu papai! Ela está morta. 

Não me contive e tive que chorar também...

Me controlei. 

Expliquei o ciclo da vida e que na natureza é assim...

- Minha filha...a natureza é quem manda nessa aventura que chamamos de vida...

Não sei se ela entendeu tudo que falei... e falei... e falei...e falei.

E ela me surpreendeu novamente porque nunca tínhamos falado disso:

- Papai...eu tenho que botar uma roupa preta porque a Lagartixa morreu?

A vontade foi de gargalhar, mas me contive e falei que não precisava não...

E fiquei triste vendo ela sentir a dor do luto pela primeira vez...

E fui mudando de assunto torcendo pra que as formigas fizessem logo seu trabalho...

E fomos brincar. ...

Passaram-se uns bons 60 minutos...

E ela novamente me desconserta:

- Papai! Promete pra mim que tu nunca vai morrer?????

- Prometo minha filha. Vou estar sempre contigo.


Fraterno abraço

André Lacerda 

Psicanalista