sábado, 21 de fevereiro de 2009

O Estandarte do Sanatório Geral

Palmas pra alas dos barões famintos... o bloco dos napoleões retintos, e os pigmeus do boulevard..
Enfim, é caranaval nesse sábado da graça.
E em todas as avenidas do Brasil, o estandarte do sanatório geral vai passar como disse o Chico.
E se não temos o pão que venha o circo.
Nos próximos quatro dias o país viverá letárgicamente de felicidade intensa, de como já disse, veremos somente bundas e peitos lindos, sorrisos absolutamente contagiantes, garis transformados em celebridades, e todos seremos felizes até o raiar do sol da quarta feira de cinzas.
Meus amigos... divirtam-se!
Contudo, não esqueçamos que vivemos no Brasil. Um país de miseráveis famintos, e estamos cheios de problemas e precisamos ter consciência de que a melhoria só virá, de nós mesmos, daquilo que lemos, daquilo que ouvimos e sobretudo daquilo que falamos!
Fraterno Abraço
André

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Sem Noção!

Vivemos numa realidade onde efetivamente se apresenta cotidianamente a tribo dos "sem".
Temos o telefone sem serviço;
Temos trabalhadores sem terra;
Temos políticos sem ética;
Temos os homens e mulheres sem vergonha;
Temos uma reserva enorme dos sem...
Na modesta opinião do psicanalista aqui, os mais temerários são os sem noção.
O sem noção é aquele que está completamente fora de qualquer contexto, ou por ignorância ou por descaso, e quando se manifesta, o faz como se fosse expert em tudo...
O problema, é que o sem noção se manifesta sempre. Sempre e à cerca de tudo.
Na maioria das vezes é engraçado, mas o ruim disto é que outras tantas vezes, o sem noção é maldoso e destrutivo.
A ignorância do sem noção, muitas vezes ultrapassa o limite do cômico, de passa a ser avassaladora para a vítima incauta.
Por sorte, a grande maioria dos sem noção, não tem voz e seu poder destrutivo é de baixo potencial ofensivo. Mas, cuidado!!!
Tem alguns sem noção, que apesar de seu estado de absoluta falta de contexto, muitas vezes são dotados de espaço. E eles usam esse espaço de maneira dantesca.
São aqueles que lêem somente as sinopses dos livros, se interam de assuntos apenas de ouvir falar ( e eles tem uma percepção!!!!!), são fãs incondicionais de televisão, sabem tudo das fofocas (normalmente inofensivas), e seus maiores ídolos estão entre a Oprah e o Silvio Santos, isso conforme e seu desejo de abrangência.
Bem.... nesta sexta de carnaval, além de desejar tudo de bom à todos, aconselho à ficarem atentos aos sem noção.
Se estiveres no clube, pulando a marchinha da colombina e do pierrot e alguém te passar a mão na bunda, fique em alerta e não dá ouvidos nem palavras, pois corres o risco de seres vítima do sem noção carnavalesco, que esse é invencível!
Fraterno abraço à todos...
André

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Vaca Amarela!

É muito bom voltar ao hábito de escrever todo o dia aqui e sentir-me acompanhado por todos meus amigos e visitantes que leem meus escritos!
Prometo, que como de costume, as atualizações serão diárias, e a cada letra escrita, e a cada palavra pensada, estará um pouco da minha própria subjetividade, que eu, sinceramente espero que possa ajudar a cada um dos leitores nas suas próprias.
Nesse meu período de afastamento, pensei muito... e pensei nas coisas mais simples ( e nem por isso de menos importância ) que fazem parte de nosso cotidiano e que as vezes deixamos passar à lo largo.
Eu falo das brincadeiras de criança, e das coisas que, em tese ( eu disse em tese!!), não requerem tanto do nosso saber filosófico.
Já observaram, com olhos de entender, o brilho no sorriso de uma criança nas brincadeiras de "vaca amarela"??? Nada é tão sincero e tão verdadeiro.
E a brabeza na hora de um gol com a bolinha de meia ou de papel??? O menino pode fazer qualquer neurótico obcecado se sentir a própria madre Tereza de Calcutá!
Mas são dessas coisas que é feito o verdadeiro mundo real. E quando falo real, logicamente me refiro à tríade da teoria lacaniana que aborda os registros Simbólico, Real e Imaginário.
Lá se pode ver o que Lacan disse do Real: " O real não existe!"
E como é bom, rir das coisas que não existem como o resultado da brincadeira de "vaca amarela";
Que delícia, ver a brabeza cômica de um menino quando leva um gol...
E como é bom, viver nesse real inexistente, por mais que tenhamos a certeza de um dia, termos que voltar ao simbólico (que é a lei) e viver inexoravelmente do duro e cruel imaginário que nossa razão obliterada estabelece como a única opção de nossas vidas.
Fraterno abraço
André

Juntando os Pedaços no Carnaval!

Estou juntando os pedaços, e pensei que seria pior. Estou amparado e amparado por aqueles que sabem de todas as minhas verdades e pouco se importam com aqueles pedaços que foram quebrados...
Não preciso me defender no aqui e no agora onde estou, e aqui e agora, encontro subsídios que certamente originarão todas as minhas vitórias futuras.
Mas enfim... estou juntando os pedaços, e quase tudo está reconstituído e muita coisa boa vai acontecer brevemente.
É carnaval....e me vem o Chico Buarque na cabeça, inexoravelmente: "... e um dia afinal, tinha direito à uma alegria fugaz... uma ofegante epidemia, que se chamava carnaval!!!!"
A festa da carne, onde todos os diabos se soltam, e quase tudo vale ( lembram da antropolia Freudiana e a história da horda e de pai primevo??).
Provavelmente não participarei dos folguedos e meu único contato com a festa será a telinha mágica, onde principalmente no carnaval, todas as mulheres são lindas e estrelam o maior festival de bundas e peitos do cosmos.
Contudo meus amigos, não esqueçam de que como tudo, a caravana passa e os cães ladram...
Deixem que os vestígios sejam somente saudade e cansaço do bom...
Feliz carnaval à todos, e que a quarta feira de cinzas não seja o início de uma parada para colar pedaços...
Fraterno abraço!
André

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Dando Pérolas à Porcos!

Bem... pra todos aqueles que falam que eu sou propagador da cultura alienígena, escrevo o texto de hoje.
Acho que a mais pura manifestação cultural, está no Rio grande do Sul.
Freud disse que se quisessemos conhecer o Homem, deveríamos conhecer o Mito! O mito é a origem da informação que nos leva a entender a evolução e todo o processo cultural.
Através de um amigo, conheci a poesia de Mauro Moraes. Esse amigo, milongueiro, roqueiro, e umgrande parceiro, é Bebeto Alves, nos últimos anos conhecido como o pai da Mel Lisboa ( sacagem Bebeto...risos).
Ouvi o Bebeto cantando a poesia do Mauro, e cheguei a conclusão que era uma das mais belas manifestações poéticas em todos os idiomas...
Estou vivendo a letra dessa música...
Fraterno Abraço!

FULANOS E SICRANOS
Mauro Moraes

Pensei que fosse um galope, um sonho de-à-trote,
acariciando de toda esta milonga sem rima,
que enrudilhada nas clinas, rejeita tudo que sobra...
Podia ser de-à-cavalo, este entono de galo,
este manejo de freio, este olhar de posseiro,
que amadrinhado nos tentos, estima o suor que lhe sobra.
Pensei que fossemos cúmplices, múltiplos, meigos,
mansos, soltos, vagos, cabeça de gado,
potro e rodeio, na leva dos arremates...
Pensei que fossemos caça, várzea, rio cheio,
campo, quebranto, blanco, chimango,
peão e chibeiro, no aparte do buenas-tarde.
Ai! milonga... milonga "buena".
Podia haver mais um catre, uma rodada de mate,
uma noitada, um afeto, um bem-me-que descoberto,
uma qualquer novidade, alheia a nossa vontade...
Podia haver mais que terra, pouca miséria,
junta, carreta, soga e soiteira,
canga e arado,benfeitoria e machado.
Pensei que fossemos fruto, suco, bagaço,
lenha, coivara, verde, queimada,
na alienação das porteiras do mata-burro a estrada!
Pensei que fossemos bando, nômades, músicos,
mouros e manos, fulanos, sicranos,
sábios paisanos, no despertar da manada!
Ai! milonga.... milonga "buena".
Talvez me faça costado outra milonga ou gateado,
outra figueira, outra sombra, outra paixão sem delongas,
outra carícia antiga, mimosa como a saudade!
Talvez nem seja preciso usar o mesmo alarido,
do quero-quero teatino, do boi-tá-tá de mangueira,
pra afugentar as ovelhas arrebanhadas pro gasto!
Preciso acostumar meu dom, aperfeiçoar a voz,
fortalecer o rebanho...
ah! que tolice a minha,
fazendo minha vidinha, ensimesmado de abraços!
Preciso amamentar a fome toda dos guachos,
regar a sede dos pastos, dar "pérolas aos porcos",
fazer tudo que gosto, pra dar porfia ao pasto!
Ai!milonga.... milonga "buena".

Coma Ideológica!

Estou em coma ideológica. Deliberadamente me desencantei com coisas que eu acreditava serem inquestionáveis, e portanto, nunca a mim foram sequer postas à provas de veracidade.
Eis que vem o desencanto, e a poesia perde a rima e o contexto.
Acho que é um bom momento para um descanso... Lamber as feridas... Buscar novos sonhos que sejam tão emblemáticos quanto aqueles que se revelaram pesadelos.
Eis que inexoravelmente a dura realidade se impõe sobre nossas cabeças, e ela desce como se fosse uma espada cega e afiada que na sua cegueira, decepa o trigo e o joio.
Bendito janeiro de nossas vidas.
Que bom que logo no início, ficaram estabelecidas todas as cores que pintaram nossas telas cotidianas.
E vamos à luta!
Fraterno abraço;
André

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Ne Me Quitte Pas!

Em tempos de Maysa... um presente aos que gostam...risos
Aos interessados, posso mandar por email o vídeo da Maysa cantando essa que era a música prefira de Lacan...

Fraterno abraço!

NE ME QUITTE PAS

Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Non, je ne pourrai jamais vivre sans toi
Je ne pourrai pas, ne pars pas, j'en mourrai
Un instant sans toi et je n'existe pas
Oh mon amour, ne me quitte pas!
Mon amour, je t'attendrai toute ma vie
Reste près de moi, reviens, je t'en supplie
J'ai besoin de toi, je veux vivre pour toi
Oh! mon amour, ne me quitte pas
Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où je serai reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Oh non, je ne pourrai jamais vivre sans toi
Je ne comprends plus rien, je ne suis rien sans toi
Oh je t'aime, ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Tradução
Não me deixes,Não me deixes,
É preciso esquecer,Tudo se pode esquecer
Que já para trás ficou.
Esquecer o tempo dos mal-entendidos
E o tempo perdido a querer saber como
Esquecer essas horas,
Que de tantos porquês,
Por vezes matavam a última felicidade.
Não me deixes,Não me deixes,Não me deixes,Não me deixes.
Te oferecerei Pérolas de chuva
Vindas de países Onde nunca chove;
Escavarei a terra Até depois da morte,
Para cobrir teu corpo
Com ouro, com luzes.
Criarei um país
Onde o amor será rei,
Onde o amor será lei
E você a rainha.
Não me deixes,Não me deixes,Não me deixes,Não me deixes.
Te Inventarei
Palavras absurdas
Que você compreenderá;
Te falarei
Daqueles amantes
Que viram de novo
Seus corações ateados;
Te contarei
A história daquele rei,
Que morreu por não ter
Podido te conhecer.
Não me deixes,Não me deixes,Não me deixes,Não me deixes.
Quantas vezes não se reacendeu o fogo
Do antigo vulcão
Que julgávamos velho?
Até há quem fale
De terras queimadas
A produzir mais trigo;
Que a melhor primavera
É quando a tarde cai,
Vê como o vermelho e o negro
Se casam
Para que o céu se inflame.
Não me deixes,Não me deixes,Não me deixes,Não me deixes,Não me deixes.
Não vou chorar mais,
Não vou falar mais,
Escondo-me aqui
Para te ver
Dançar e sorrir,
Para te ouvir
Cantar e rir.
Deixa-me ser a sombra da tua sombra,
A sombra da tua mão,
A sombra do teu cão.
Não me deixes,Não me deixes,Não me deixes,Não me deixes.