quarta-feira, 24 de março de 2010

O Grande Útero do Rio Grande do Sul!

Nesta semana, comemoramos o aniversário de Porto Alegre. Com saudade, passei a semana escutando Kleiton e Kledir e Isabella Fogaça...
Dia 26 de março, além do aniversário da capital dos gaúchos, é pessoalmente uma data de absoluta importância para mim, e como é pessoal, as explicações ficam para a próxima vez...
Reproduzo hoje, uma coluna que escrevi em 2008, e que foi publicada como um projeto piloto que eu mesmo abortei  por amar demais a cidade. Me senti incapaz de fazer uma análise cotidiana, pois neurótica e provincianamente, acredito que Porto Alegre é o melhor de todos os lugares...
Enfim...
" A saudade é demais... é lá que eu vivo em paz!"
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Porto Alegre No Divã (1)

Quando te vi ali, na entrada do consultório, sentadinha, cabeça baixa e olhos fixados no jornal de ontem, tremi ao pensar no que podias querer.

Tenho estado contigo nos últimos 40 anos, e jamais me passou pela cabeça que precisasses de meus ouvidos de psicanalista lacaniano.

Um rastro de luz me transportou num "flashback" delirante para o início de nosso amor, onde eu, ainda no colo do avô, velho portoalegrense, criei aquela que seria a primeira lembrança que levarei até o último pensamento consciente.

Era um final de tarde qualquer perdido num inverno dos meados da década de 60. Lembro com nitidez branquíssima, das luzes amarelas da Borges, por onde passava o nosso transporte - talvez um dos últimos bondes elétricos.

Lembro do gosto do diamante negro e da mancha que ele produziu na camisa volta ao mundo branca de meu avô.

Passei a te amar naquele dia, e acho que ali decidi que serias minha, uma vez que tu ali me encantaste.

Na infância, pouco te vi. Mas te amando ao longe, sabia meu inconsciente, que viveríamos juntos, meus sonhos, meus pesadelos e um pouco da tua e tudo da minha futura história.

Adolescente, te fiz minha enfim, e acho que sequer percebeste que eu te invadia com todo meu desejo recalcado e juvenil...

Me sinto ainda percorrendo teu centro, como se teu útero fosse. Eu entre milhões buscando o caminho de tua fecundação? ( Ainda hoje caminhando na Andradas gosto de fantasiar com isso...)

Naquele tempo, tudo me era esperança e fé. Lembro de me benzer ao passar na catedral da praça da matriz, pedindo bênçãos antes de chegar no Água na Boca da praça Conde.

E tinha a feirinha da Ladeira, com os hippies que faziam bolsas, cintos e chinelos que deixavam expostos nas vitrines de concreto, e pintavam à mão camisetas com o rosto do Che que deixavam ocultas dentro de sacolas, que naquele tempo, mesmo que moribunda, a “Dita” ainda era dura...

Nos 80, deu pra ti (no bom sentido!)... Lembro da fila do táxi na frente da OSPA, saindo da Papagayus, indo pra velha New Looking e seus ambientes.. ali... passando a Ipiranga.

E tinha teu cotidiano arrabalero, que mesmo sendo metropolitano vestia-se de interior nos domingos do Cristal, do Partenon, da Zona Norte, onde nos churrascos de passeio público, riam Maria que trabalhava na loja do centro, o Carlos mecânico da Azenha, o Paulinho do SulBrasileiro, etc, todos esperançosos mas com saudades de suas cidades de origem.

Mas.... espera ai! Isso tudo é até que bem recente! Não vejo razão pra demandas melancólicas.

Ainda temos o pôr do Sol (e o gasômetro está mais bonito!), temos os domingos da redenção, ainda temos GRENAL, e temos.... Ah! Um monte de coisas TRI ainda...

Ta certo... tens razão! Tem uma neurose te afetando.

Há poucos dias, vi meu filho, somando-se a muitos de teus filhos, naquele mesmo centro que eu fantasiei de útero materno, sangrado por uma faca impulsionada pela miséria e pelo crak por não querer voltar pra casa sem os Nike e o telefone (mas não exagera!! o atendimento no HPS foi rápido e o guri ficou bem).

Tens razão.... novamente! Minha mulher, como todas as tuas filhas, não pode mais olhar as vitrines da Rua da Praia tranqüila ( é... mas tens o Praia de Belas, Iguatemi, e os outros, e logo logo também o Barra Shoping ali do Cristal, acho que estás exagerando e se queixando de barriga cheia...).

Era só o que faltava! Estás te queixando porque o arrabalde mudou????É claro... isso é fruto de teu crescimento, é uma tendência mundial desde a revolução industrial. Ah??? Não é isso???

Mais uma vez tens razão...

As Marias, Carlos, e todos os outros não habitam mais os domingos festivos e milongueiros... O arrabalde é território... território da boca, do patrão, do gerente da boca, do aviãozinho, do mula, do tecasso e do menino morto esperando o DML e com sorte, uma lágrima da mãe.

Tentei evitar te aceitar como paciente. Acho que meu amor por ti desencadeou um impedimento inconsciente de te analisar...

Mas me entrego!

Vem cá ...ocupa meu divã freudiano. Me fala de tuas dores, de tuas faltas, de teus sonhos. Fica bem à vontade Porto Alegre! Vamos conversar um pouquinho????

09 de setembro 2008.

terça-feira, 16 de março de 2010

Me Caiu os Butiás do Bolso!

Confesso que estou assustado. Penso em parar com a rotina de ler os jornais, e dar um tempo numa doce alienação que me faça pensar somente nas maravilhas do verão que está acabando. Aliás, acho que o inverno será rigoroso aqui no Sul do sul do Brasil...
Notaram que escrevi Sul (com maiúscula) do sul (minúscula) do Brasil??? Acho que é uma manifestação inconsciente (?) de gaúcho que se vê diferenciado ante aos naturais de outros países... Ops!!! Quis dizer estados...risos (vou deixar isso como uma brincadeirinha e provocação aos críticos... mas é BRINCADEIRINHA).
Mas... vamos aos fatos que me fizeram dizer estar assustado:
Leio na Folha de São Paulo de ontem (15/03/2010) no caderno Cotidiano, página C1:
" Cadu estava afastado há cerca de 8 meses da igreja Céu de Maria, fundada pelo cartunista Glauco e baseada nos princípios do Santo Daime, quando disse eu seu amigo que precisava ir a um lugar para esclarecer que era Jesus Cristo reencarnado. Chegando ná chácara que Glauco morava, apontando uma pistola, tornou o cartunista e toda a sua família em reféns.... 
....Cadu dispara várias vezes, acertando Raoni (filho de Glauco) e o cartunista, cada um com quatro tiros.
A igreja fundada por Glauco, se baseia em princípios do Danto Daime, uma bebida alucinógena feita com plantas da Amazônia."
Prossegue a reportagem da Folha:
" Paoletti (um dos advogados de um dos suspeitos) não nega nem confirma que seu cliente seja usuário de drogas apenas diz que: " No meu tempo, bebia-se. Hoje, fuma-se maconha. Não me parece que ele pratique nada que exceda a conduta normal de um jovem hoje."
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Então... pego a Zero Hora... Hoje 16/03/2010... página 24/
" Nova Febre. A pulseira que tira o sono dos professores. 
Depois de causar controvérsia na Inglaterra, onde surgiu, e de se espalhar pelo Brasil, onde virou mania, uma brincadeira envolvendo sexo,  adolescentes e pulseiras coloridas invadiu as salas de aula do Rio Grande do Sul. 
Conhecido como Snap, o jogo chegou a ser proibido em Santa Catarina e agora preocupa pais e educadores gaúchos - embora muitos estudantes usem os adereços por modismo, sem saber o significado.
A brincadeira foi difundida na web por jovens ingleses. Segundo as regras, cada tira representa um ato afetivo, conforme a cor. Os atos vão de um singelo abraço até relações sexuais completas. O adolescente que tiver o adereço rompido pelo pretendente terá de cumprir o que determina a cor."

Não me contive e fui à campo pesquisar. Entrevistei informalmente um guri de 15 anos sobre a tal "moda", e como ele mesmo diria - "Me caiu os butiás do bolso!!!"
Diz o guri:
" É o seguinte: cada pulseira significa uma coisa conforme a cor, por exemplo: a branca é um beijo de língua, a rosa é um boquete, a amarela é um arreto até o fim (sic), e assim por diante. Ninguém pede abraço. O mínimo é um beijo de língua. E tem a vermelha... A vermelha é uma descabaçada!!"
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Senhor diretores de assinaturas dos jornais Folha de São Paulo e Zero Hora... por favor cancelem minhas assinaturas.... 

Fraterno abraço
André   
      
       

quinta-feira, 4 de março de 2010

Uma Batalha para Combater o Bom Combate!

O guerreiro se aproxima do campo de batalha pensativo e munido de todas as suas armas. O caminho é silencioso e pelo seu pensamento milhares de coisas vão passando como se estivesse recapitulando cada momento de sua existência.
Em breve chegaria ao local da batalha, onde certamente seu adversário já estava. Na verdade sabia que o adversário conhecia bem o terreno, afinal era nativo dali. Ali estava desde o seu nascimento e conhecia cada acidente geográfico, cada curva e cada detalhe enfim.
A calmaria que antecede o combate é algo que tranquiliza e excita.
Na verdade não sabe muito sobre o seu adversário naquela que promete ser uma batalha de vida e morte. Sabe que está sozinho, mas nada sabe de seu adversário. Será apenas um??? Serão dezenas?? Centenas?? De qualquer forma, o guerreiro sente-se preparado. Uma batalha de vida e morte.
Programou-se durante meses para aquele momento. Ná véspera, reuniu suas armas, lubrificou-as e testou-as. Preparou-se física e espiritualmente.
Chegando no front, depara-se com a mansidão da natureza e escolhe criteriosamente sua trincheira. 
Uma larga margem coberta de vegetação e terra úmida, e uma vasta quantidade de água calma limitam os dois espaços do campo de batalha.
O guerreiro atento e em silêncio prepara-se para o confronto.
Uma fina linha verde fosfuorescente separa o guerreiro de seu adversário. A linha é tecnologicamente testada. De procedência japonesa, foi elaborada para começar a vibrar assim que o combate se inicia-se.
Silêncio no front... a linha verde permanece imóvel... o guerreiro aguarda quase em transe. Medita em plano nirvânico...
Naqueles momentos que antecedem o combate pensa nas outras questões de sua vida. Será que todos os outros conflitos foram assim como este? Neste, sabe-se, combaterá o bom combate. Existe um respeito mútuo entre os antagônicos. Será que sempre foi assim? 
A noite cai, e somente a linha verde brilha sob as águas separando os guerreiros...
O momento seria de oração se o guerreiro não fosse ateu. Os animais da mata proferem uma sinfonia selvagem por vezes assustadora, por vezes mágica e iluminada.
A linha verde começa a tremer sutilmente. O guerreiro prepara-se, pois sabe que em breve começará a luta. Aguarda imóvel.... 
A linha verde treme frenéticamente. O guerreiro salta de seu abrigo, e de arma em punho começa a guerra. Destrava sua Cougart fabricada em fibra de carbono, libera o gatilho e parte para o ataque.
Passam-se dois.. três minutos naquele combate de guerreiros...Quem vencerá??
Perto da margem, por força do combate, ambos se encaram num duelo mortal. Olho no olho. Em breve vida ou morte...
Eis que então....
O peixe esperto livra-se do anzol levando consigo a isca...a linha se solta deixando o pescador rindo de si mesmo, feliz pela aventura, e maldizendo desportivamente a traíra que nada livre pelos aguapés...
Como é doce a aventura de poder pescar...risos

Fraterno abraço
André 
   

  

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Do sonho ao desastre!

Pois bem...me explico quanto a Grande cafetina:

Nos idos de 2004, na sede de uma sociedade Psicanalítica, estávamos reunidos eu e alguns colegas, recepcionando um outro que havia chegado da Europa por aqueles dias, e surgiu o assunto da existência de um site de relacionamentos e pesquisas, onde comunidades eram criadas, e os participantes assim, tinham um forum de fácil acesso para tudo aquilo que fizesse questões fosse amplamente discutido e reverberado à nivel mundial. 
Ná época, o site era exclusivamente em inglês,  e de certa forma era pouco popular, até porque as comunidades que iam surgindo eram de assuntos técnicos e científicos.
O colega recém chegado da Europa propusera que criássemos comunidades que unissem os interessados em psicanálise lacaniana e em filosofia, para que "trocassemos" figurinhas com colegas de outros continentes, e isso foi absolutamente importante para um grupo cada vez mais crescente de membros que iam se somando numa progressão geométrica.
Era a chegada do Orkut no Brasil.
Quanto mais crescia o número de pessoas, mais felizes ficávamos pois as discussões acadêmicas, o aprendizado e sobretudo o livre acesso nos fazia gozar como partícipes de uma utopia verdadeira e possível. Vanguarda tecnológica e cultural!!!!!!! 
Cheguei a escrever para um artigo que foi publicado na época da seguinte forma:

" Nunca pensei que pudessemos atingir níveis de evolução tecnológica voltadas para a cultura e ciências (inclusive as sociais e da filosofia) da forma que atingímos com o surgimento do Orkut. Trata-se de um site de relacionamentos criado pelo engenheiro de computação turco chamado Orkut Buyukkokten, que especializando-se na Universidade de Starford na Inglaterra, criou um jeito de interagir com todos aqueles que tinham algo em comum com sua ciência em todo o globo terrestre.
Recentemente aderi ao Orkut, e participo de comunidades voltadas para minha área, e conheço gente que recebe conclusões de vários seminários e congressos que se realizam mundo afora. Muito bom. Recomendo."

Bem.... isso foi o começo! 
E agora?? Como funciona o orkut??
Vamos aos resultados:
Se fizermos uma busca por "garotas de programa porto alegre", teremos em segundos cerca de 1.279 resultados.
Se quisermos saber das comunidades, teremos cerca de 266 criadas exclusivamente para divulgar os serviços de meretrizes (lá chamadas de garotas de programa).
E se... buscarmos simplesmente "acompanhantes para sexo pago", teremos cerca de 10.303 (DEZ MIL TREZENTAS E TRÊS) ofertas somente no Rio Grande do Sul.
Com isso, eu se fosse o Sr. Orkut, me sentiria o próprio pai da grande cafetina.
Conheço casos (clínicos) onde a orkuteira viciada oferece serviços de prostituta à clientes relacionados, por troca de buchas de cocaína ou por pedras de crack.
A impresa já publicou casos de tarados homicidas que induzem adolescentes perturbados a cometerem suicídio, e nestes casos relatam on line seus derradeiros momentos.
Ainda bem, que na maioria dos perfis e páginas observa-se a não menos perigosa(na minha opinião) social futilidade.
Os partícipes, na sua grande maioria utiliza uma linguagem  cheia de KKKKKKKs e SHSHUASHs (que o retardado aqui demora pra entender) e assim, cada vez mais vão surgindo "gênios" que acreditam que o Orkut nasceu da fusão da Danone com a Nestlê uma vez que ambas são marcas de iogurte.
P.S.: Ainda tenho perfil no orkut.

Fraterno Abraço
André          

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A Grande Cafetina e O Grande Ditador!

Convido os amigos, a revirerem duas reflexões de dois textos que escrevi em meados de 2008...
Trata-se de a Grande Cafetina, e do Grande Ditador!
Atentem aos dois textos, que amanhã publico os porques de minha necessidade de fazer uma releitura ...
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A Grande Cafetina!


Lá pelo início da década, um colega meu, grande psicanalista e filósofo, numa sala de estudos de nossa associação, me formulou um convite para participar de um site de relacionamentos onde discutiríamos com colegas e amigos da Europa, questões da psicanálise e da filosofia.
Lembro-me que de início, fundamos 3 comunidades cujos objetivos eram a psicanálise freudiana e lacaniana, e filosofia de Nietzche e os ensaios de Michel Foucault.
Tratava-se do orkut no ano 2004....
Bem.... ou ando meio careta e fora de qualquer conexão sensata, ou o orkut se transformou em poucos anos na mais barata, vulgar e traiçoeira cafetina do planeta!
Será que são meus olhos degenerados que estão vendo pornografia barata onde só existe uma fraterna e comunitária rede de amigos???
Por favor, nada tenho contra! É que não quero parecer pedante ou mesmo patético, o que diga-se de passagem acontece quando eu escrevo sobre ética platônica ou socrática, e me oferecem na contrapartida uma loura e uma morena que não devem ser lá essas coisas, pois elas vem acompanhadas de uma kaiser quente grátis!
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O Grande Ditador!

Recentemente, assistindo à um daqueles canais alternativos da tv à cabo, revi o Grande Ditador com o Chaplin. Na década de 30, o gênio da grande arte conseguiu descrever na minha opinião, algo mais do que o horror da guerra e dos regimes autoritários!

Chaplin aborda com sua sátira, os horrores da banalização do próprio ser humano!
"Homens! Homens! Não sois máquinas! Homens é o que sois!"
Com essa fala do filme, Chaplin apela pra consciência humana chamando atenção para o fato de que os homens estavam perdendo o seu referencial mais característico que é a sua capacidade de conceitualizar padrões de fraternidade, justiça, humanidade, igualdade....
Passados mais de 60 anos, o Grande Discurso do "ditador", deve ter perdido o contexto e eu me recoloco na posição de um retardado social e cultural, pois na verdade entendo que esse filme poderia ter sido feito ainda ontem...
A globalização que nos uniu, é a mesma que nos escraviza com seus apelos midiáticos transformando à todos em frustrados que necessitam ter! E olha que nem importa mais o que ter... é necessário TER!
O progresso, que nos banha de tecnologia hight tech, é o mesmo que transforma homens em máquinas!
Máquinas de soluções, máquinas de produção, máquinas de consumo, máquinas neuróticas enfim!
As verdades mal elaboradas e aproveitadas, matam a filosofia e transformam a cada dia nossas meninas e mulheres em bifes pendurados em açougues fétidos e são cada vez mais invadidas por moscas sociais asquerosas que lhes contaminam a alma, endurecendo-lhes os músculos, transformando-as em máquinas! Máquinas do sexo banalizado!
A internet que é um instrumento indescritivel de diminuição de distâncias sociais e culturais, ao invés de facilitar o ensino e a produção intelectual, transforma cada vez mais nossas crianças em zumbis compulsivos e mecânicos e na verdade, se vista bem de perto, a rede mundial na verdade, é um grande prostíbulo que funciona num mundo nem tão virtual!
Sou um livre pensador... e acho que a tendência dos livres pensadores é o exílio numa cauda de cometa cuja órbita seja qualquer uma desde que longe do universo conhecido.... risos
Com certeza, devo estar errado. Devo ter produzido esse texto sob o efeito de uma crise depressiva própria dos retardados sociais e culturais, e que um dia terão escrito nas suas lápides a identificação de " Homens e mulheres que não conseguiram suportar a realidade!"

fraterno abraço
André

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Começou o Ano???? Quero voltar às águas!

Finalmente inicia-se de fato o nosso ano da graça de 2010. Coisas boas me aconteceram nestes primeiros dias onde quase tudo foi à beira da água, cercado de amigos e família.
Num exercício de esperança, procurei começar meu ano com otimismo e fé de que tudo será melhor.
Enfim, passaram-se as festas de final de ano, o veraneio já descamba pro fim, e até na Bahia o carnaval já terminou e todos os orixás de Salvador já deixaram a orla e voltaram para seus terreros da periferia soteropolitana.
Esperem.....leio num jornal local, que em XYZ do Centro, o carnaval ainda não acabou.
Lembram desta cidade?? Em setembro do ano passado publiquei algo sobre ela com o título de "Como Morre uma Cidade".
Leio que por discordância dos resultados, a comunidade carnavalesca de XYZ está em guerra, até porque entre outros idílios, um dos jurados deu nota 15 para certa agremiação. Eu disse nota 15!!!!!!!!
Fico imaginando a Globo transmitindo a apuração dos votos:
- Unidos da Tijuca - 15... NOTA 15...!
E tem mais...
Leio que na noite da quarta de cinzas, o Presidente da Liga das entidades carnavalescas de XYZ, maior autoridade carnavalesca local, provavelmente democraticamente eleito, cansado de tanto conflito pensou em "tomar uma decisão sumária" (sic) proclamando:
"EU JÁ TÔ A FIM DE CARCÁ O VERDITO!!!!"
Acredito que o carnavalesco tenha expressado que estava prestes a proferir um veredito mesmo sem a concordância dos demais... mas enfim...sabe-se lá...   
Está tudo lá... no jornal. Aos interessados, me solicitem que eu mando a referência de como conferir o que estou reproduzindo.
Com isso, repenso que o ano ainda não começou...
Tenho vontade mesmo é de ficar à beira da água, de molinete, esperando o peixe que não vem.
Reproduzo o texto que escrevi sobre XYZ do Centro para todos aqueles que como eu, desejam que a cidade não morra!   
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Hoje recebi um email de um amigo. Esse amigo, na minha opinião uma das mais brilhantes mentes e vozes que o Direito e a Justiça gaúcha tem, cada vez mais me chama a atenção pela sua sensibilidade e sobretudo pela maneira de demonstra-la.

Eis que, trocando idéias a cerca de uma cidade a qual ambos temos afeto especial, o grande advogado me escreve:

"Pois é, amigo André. XYZ do Centro (obviamente esse nome eu inventei porque vou propositalmente omitir o nome da cidade),hoje, é um vasto cemitério de pessoas vivas. Dormem, acordam, vestem-se, vão ao trabalho, mas é uma cidade de seres perdidos. Nada cresce, nada progride, apenas vegeta. Esta manhã, na rádio Gaúcha, ouvi informes sobre o tempo de mais de 50 cidades. Nem falaram de XYZ do Centro. Ficamos ilhados, esquecidos, perdemos a auto-estima, a vontade de progredir. Pobre XYZ! Não encontrei em nenhum lugar algo como o nosso ......(aqui o advogado cita um lindo monumento artístico que existe na praça matriz da cidade).Mas nem isso festejamos mais. Tristeza."

Depois de ler o email de meu amigo, fiquei pensando como pode uma cidade morrer ou deixar de viver, e lembrei que tempos atrás, outros dois amigos me falaram que XYZ do Centro, deveria ir para o Divã.
Naqueles tempos, escrevi algumas crônicas, mas os editores locais me censuraram dizendo que meu texto era elitista, e que somente meia dúzia de pessoas entenderiam meus escritos.
Joguei fora as mais de 10 crônicas, mas, gostando da idéia, escrevi a série "Porto Alegre no Divã", que aliás andei publicando aqui no ano passado e que ainda está à disposição de quem quiser ler.
Entretando, vou reproduzir algumas coisas que escrevi na época e que foram classificadas de elitistas, para que meu amigo citado e os demais leitores possam saber do porque na minha opinião uma cidade morre ou deixa de viver.

Acho que tudo se origina da falta de estima popular, uma vez que a massa que deveria evoluir se escraviza ao não poder, e aos vícios culturais de uma burguesia falida e há muito ultrapassada em seus conceitos de sociedade.

Noto que em XYZ, o jovem que quiser estar dentro do contexto da dita "alta sociedade local", só será aceito pela dita, se dirigir carro zero (de preferência com placa de Porto Alegre), gostar de péssima música que em volumes estratosféricos poluem toda a cidade, especialmente onde tenha Postos de Gasolina, e invariavelmente tem que ser da tribo daqueles adeptos do famigerado "pó de reboco".

No passado, os jovens de XYZ sonhavam apenas em se tornarem sargentos do exército ou funcionários do Banco do Brasil.

Também vejo que o povo de XYZ, não se dá o devido respeito e acho que nem sabe da força que pode ter um povo que se forma a partir de sua cidadania.

Todos dão muita importância à questão de nomes. Por exemplo: Ouço dizer que XYZ, existem apenas 3 sobrenomes que são importantes, e o resto é pura vassalagem que segue a rotina conforme a vontade do senhor de cada um dos 3 feudos.

Corre a língua solta, que pela vontade dos senhores feudais locais, até bem pouco tempo atrás um ser extraordinário, mago, bruxo, sei lá, mandava em tudo. Ele detinha a chave do cofre do povo, mas só do cofre do povo, pois os cofres dos burgos dependiam de outras esferas, como o crédito rural do Banco do Brasil. Parece que até museu do além e aeroporto da ET o tal alcáide pretendia fazer.

Menos mal, que o mago se foi. Deixou o cofre do povo vazio. Mas se foi.

Em XYZ, existe uma forte aversão ao novo. Vejamos:

Nada funciona do meio dia até às 13.30. E depois das 20 horas, pouco se vê. E o que se vê não é legal, pois se vê andarilhos escravos do crack habitando as abandonadas praças, e alguns pedintes ambulantes que pensam num jeito de arrumar dinheiro pra também se tornarem escravos da pedra maldita.

Comércio aberto fim de semana???? Nem pensar!!! E se for decisão judicial, daremos um jeito de burla-la, afinal o domingo é sagrado pra se afogar na caña e sequer sonhar com um mundo melhor.

É verdade.... caríssimo Doutor. TRISTEZA.

Mas... ainda acredito que outros nomes vão aparecer ou se fazerem notar. Nomes que carreguem consigo os sobrenomes de LIBERDADE, IGUALDADE E HUMANIDADE, e que não sejam meros dizeres esquecidos numa sagrada bandeira que é desfraldada apenas nos 20 de setembro do alto de um cavalo cagão.

E que estes nomes germinem que nem erva daninha braba, e que depois de crescidos todos saibam que na verdade, são belas flores da campanha.

Fraterno abraço
André

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Veneno da Cobra Cipó!

Era um momento de absoluto envolvimento nas questões ambientais. Fazia parte de uma equipe que vivia 24 horas por dia e 7 dias da semana em função da causa ambiental e sobretudo com dedicação exclusiva à preservação das espécies e à  causa da manutenção do planeta.
Aprendi muito naqueles anos. E tenho muitas histórias pra contar.
Tem a história do leão baio (puma americano) que resgatamos nas margens do Rio Jacuí e que vinha assombrando os moradores e inclusive tal assombro deixava os apenados das Penitenciárias de Charqueadas sem vontade de empreenderem fugas pela beira do rio.
Tem aquela da jaguatirica na Zona Sul que teimava em frequentar os banheiros das casas à beira do Guaiba.
A mais hilária das histórias, foi a do bugio assustado comigo, que me fez pular nas águas profundas e poluídas do Guaíba para evitar que o danado morresse afogado, e cujo evento me fez virar até charge de jornal.
Tem muitas histórias...
Mas hoje, vou contar uma história envolvendo uma serpente. Até hoje tenho a marca desta história "tatuada" na minha mão esquerda entre os dedos polegar e indicador.
Eis que era um novembro mormacento na Porto Alegre de meus risos e lágrimas.
Nesta época, com o aumento das temperaturas, até as cobras procuram melhores lugares para seus cochilos vespertinos, e os banheiros dos bairros da Zona Sul parece que são preferência dos ofídeos que deveriam estar nos seus ambientes naturais da mata de Itapuã e do Morro do Osso. Não fosse a invasão humana jamais sairiam de lá....
Mas no caso, uma serpente alojou-se  num vaso sanitário de um banheiro de piscina na Zona Sul... e lá fomos nós...
O bixo estava calmo e foi logo identificado: Era uma cobra Cipó, verde e fininha com  cerca de 1 metro de comprimento.
A técnica diz que para se capturar um animal destes, pega-se ela pelo rabo e se fica impulsionando para baixo mantendo-a com a boca longe e livrando-se da mordida.
Desatento por qualquer questão que não lembro, acabei mordido pela serpente que ficou furiosa em ser pega pelo rabo.
Sentindo certa dor (nada de absurdo pois a dor era suportável), fiquei tranquilo pois sabia que aquela espécie de cobra não era venenosa, e na sua boca, apenas pequenas serrilhas faziam as vezes de dentes, com ausência de presas inoculadoras.
Bem... na sequência dos fatos, depois de limpas as escassas gotas de sangue da mão, a cobra embalada para viagem, seguimos caminhos para entregá-la aos cuidados dos técnicos da Fundação Zoobotânica. 
Aqueles 15 ou 20 kilômetros que percorremos da Zona Sul ao Jardim Botânico foram de absoluta tranquilidade para todos, inclusive para mim, recém mordido de cobra.
Sem dor, pensava em milhares de outras coisas. Na conta do banco, nos planos de fim de semana, na rotina da vida, enfim... outras coisas que me fizeram até esquecer da serpente fujona que se refrescava num vaso sanitário da Dea Coufal.
Chegando na Fundação, surge uma sorridente e simpática bióloga encarregada das serpentes e ela já vai dizendo:
"- Que legal... resgataram uma Cipó!!!"
E assim, ela descreve o animal que segundo ela tem o nome de Cipó por que gosta de frequentar os galhos das árvores. Com mais técnica e com luvas, ela continua a descrição mostrando-nos as características da serpente:
"- Olha essa mancha marron que ela tem na cabeça! Não fica lindo esse contraste amarronzado com o verde limão brilhante??? E olha as serrilhas! Indicam que é um animal adulto!"
Confesso que eu já estava ficando meio nervoso, pois a cobra estava dando sinais de poucos amigos, e manifestei para a bióloga que mesmo sem peçonha, aquelas serrilhas me deixaram as marcas na mão e narrei mostrando o ferimento, minha experiência de 30 minutos atrás.
Ela me olha com uma seriedade que me gelou até a última gota de sangue e professou:
"- Deixa eu te mostrar uma coisa." 
Nisso, a técnica abre ainda mais a boca da serpente, e neste movimento, do céu da boca da Cipó, basculantemente surge uma única presa que parecia uma agulha daquelas que se tira sangue para exames laboratoriais, pingando  gotas de um líquido meio transparente, meio amarelado.
Meus joelhos começaram a tremer, e já a cabeça começou a pesar enquanto eu ouvia à distância a voz didática da bióloga:
"- Recentemente, a Biologia identificou que a cobra Cipó tem veneno. É inoculado por essa única presa que tem lá atrás... no céu da boca ! É assim que ela mata os pássaros. E é por isso que ela gosta de caçar nos galhos de árvores. Os pássaros a confudem com cipós!"
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Me recuperei em poucas horas, sem nenhuma sequela que não fosse devidamente tratada no divã.
E vocês meus amigos???? Teem encontrado muitas "Cipós" pelas suas vidas??? Daquelas que não parecem, mas que em algum lugar no fundo de suas bocas guardam presas que inoculam  veneno???


Fraterno abraço
André