sexta-feira, 19 de abril de 2013

Memórias de Um Tempo Bom!

Eis que eu, que aqui já me referi às redes sociais com os adjetivos de "Grande Meretriz", " Grande Cafetina"  e "Grande Açougue Virtual", devo morder a minha língua (dizem alguns que bifurcada) pois uma rede social nestes últimos dias me prestou um inestimável serviço. Meus amigos leitores entenderam, pois vou contar um pouco de minha história.
Devo ressaltar que não vou citar nomes como de praxe, e também não vou citar o nome de qualquer cidade pois a DITA anda DURA mesmo em tempos de liberdades totais(??).Lembro aos amigos leitores, que da última vez que citei o nome de uma cidade aqui, foi desejado por alguém, que um trem passasse por cima de meu odioso corpo, e que depois de rejuntados meus pedaços, o legista ainda comesse meu sacro santo rabo...então... o seguro morreu de velho né???
Mas vamos a história.
Eram meus anos dourados naquelas "lindas terras onde o louro imigrante andou". Eu era um dos meninos entre 8 e 13 anos (se bem me lembro) que formavam um grupo de pequenos cantores que compunham o Coral do tradicional educandário da cidade. 
Quem viveu sabe do que falo, pois esse coral foi um estrondoso sucesso no Brasil inteiro e partes da América Latina. Ainda lembro de meu pai e minha mãe emocionados vendo minha cara em tela cheia na TV numa manhã de domingo na parte mais meridional do Brasil.
Eramos diferenciados no colégio. Vivíamos sob cuidados e sob proteção extrema até. Éramos um grupo de talvez 20 meninos entre um universo de 400 ou 500  sei lá. Usávamos um gorro vermelho que nos identificava e nos protegia do Sol. E nada de sorvetes, chicletes ou chocolates pois estes danificavam a voz dos canoros pássaros como nos chamavam.
E tinha o Maestro. Italiano bonito e culto, que trazia a sensibilidade musical aflorada na própria pele. Nosso Regente, poucos meses depois de eu ter sido integrado ao grupo, abdicou do santo ofício que tinha em nome e por conta do mais santo dos votos... o voto do amor! Lembro que cantei no casamento. Lembro que vibrei com o casamento do Paizão! Lembro como adorávamos aquele sujeito que até palavrão dizia quando algo não dava certo. Lembro que a simples menção do nome dele nos tornava seguros. Era o Paizão mesmo!
Nos primeiros 3 anos, viajamos por quase todo o Brasil fazendo shows onde eramos recebidos como celebridades.
E tinha meu amigo e colega que hoje é mestre e baluarte da arte da percussão. Espirituoso e dono de um carisma do tamanho do Rio Grande, o menino  era o foco das atenções. Com esse cara por perto a concorrência era desleal, pois todas as meninas só queriam saber dele.
E por falar em meninas, nos meus dois últimos anos de grupo, elas chegaram. Seriam as bailarinas do coral. Depois que elas chegaram, não demorei (nem ninguém) muito pra perceber que eram a luz e o brilho que faltava.   
Não foi de pronto, mas considerando época e costumes, logo começamos a interagir com as meninas (atenção patrulha ideológica, não estou falando de sacanagem não). 
Do grupo de 10 meninas( não tenho certeza do número), fiquei mais próximo da metade delas...
Acho que a minha primeira amiga foi aquela que hoje labora com o marido em prol dos cuidados de nossos maiores afetos substitutos. Alguns anos atrás, lendo um livro do Antônio Carlos Resende lembrei dela pois como na obra, ela era Magra, mas não muito, as pernas sólidas e não era morena. Era Lourinha. A irmã mais nova da menina, acho que foi a criança mais linda que vi na minha vida. 
Minha amiga e a irmã lindas, nos recebia nas tarde de sábado na sua casa ali perto da sede do clube do nobre esporte branco.
E foi num dia desses que me aproximei do primeiro amor. Ela era linda. Usava óculos que lhe deixavam com um ar de intelectual prematuro. O primeiro beijo de minha vida, foi numa cidade distante, abaixo de chuva, e o beijo de criança tinha o gosto delicioso de cachorro quente com mostarda e maionese. Adorava Maionese!
Acho melhor parar, antes que meu pragmatismo habitual caia por terra e eu inunde meu teclado preto com salgados pingos produzidos pela memória de um tempo em que me senti príncipe.
Agradeço a rede social que fez com estas pessoas e muitas outras daquele tempo se reaproximassem recentemente de mim. estão todos bem, vivos e felizes e só eu acho que me distanciei. 
Foram os melhores momentos meus. 
Peço perdão aos leitores habituais que pouco entenderão disso tudo. 
Esta foi pra vocês meus eternos amigos. Estarei sempre com vocês. Vocês, estão em mim. No meu coração, tem gravado um S de saudade, e vocês estão nela. 
Fraterno abraço
André  



   

domingo, 7 de abril de 2013

Fulanos e Sicranos!


Meus prezados amigos!


Hoje, homenageio meus amigos Vinícius Cornelli e Maurício Vieira da Cunha, homens públicos, comunicadores e sobretudo meus amigos. 
Aos dois, desejo todas as felicidades do mundo, e lhes ofereço ( e por extensão à todos os leitores)  a bela poesia do meu amigo Mauro Morais.
Espero que não me desejem trens atropeladores e legistas tarados... risos.
Fraterno abraço!!!
P.S.: Aos amigos de outros e Estados e países, me ponho a disposição para fazer vezes de tradutor. O RS tem uma linguagem  própria... risos

Fulanos e Sicranos 

Pensei que fosse um galope, um sonho de-à-trote,
acariciando de toda esta milonga sem rima,
que enrudilhada nas clinas, rejeita tudo que sobra...
Podia ser de-à-cavalo, este entono de galo,
este manejo de freio, este olhar de posseiro,
que amadrinhado nos tentos, estima o suor que lhe sobra.
Pensei que fossemos cúmplices, múltiplos, meigos,
mansos, soltos, vagos, cabeça de gado,
potro e rodeio, na leva dos aremates...
Pensei que fossemos caça, várzea, rio cheio,
campo, quebranto, blanco, chimango,
peão e chibeiro, no aparte do buenas-tarde.
Ai!milonga... milonga buena.

Podia haver mais um catre, uma rodada de mate,
uma noitada, um afeto, um bem-me-que descoberto,
uma qualquer novidade, alheia a nossa vontade...
Podia haver mais que terra, pouca miséria,
junta, carreta, soga e soiteira, canga e arado,
benfeitoria e machado.
Pensei que fossemos fruto, suco, bagaço,
lenha, coivara, verde, queimada,
na alienação das porteiras do mata-burro a estrada!

Pensei que fossemos bando, nômades, músicos,
mouros e manos, fulanos sicranos,
sábios paisanos no despertar da manada!
Ai! milonga.... milonga buena.

Talvez me faça costado outra milonga ou gateado,
outra figueira, outra sombra, outra paixão sem delongas,
outra carícia antiga, mimosa como a saudade!
Talvez nem seja preciso usar o mesmo alarido,
do quero-quero teatino do boi-tá-tá de mangueira,
pra afugentar as ovelhas arrebanhadas pro gasto!

Preciso acostumar meu dom, aperfeiçoar a voz,
fortalecer o rebanho... ah! que tolice a minha, fazendo minha vidinha, ensimesmado de abraços!
Preciso amamentar a fome toda dos guachos,
regar a sede dos pastos dar pérolas aos porcos,
fazer tudo que gosto, pra dar porfia  ao passo!
Ai!milonga.... milonga buena.
Podia haver mais um catre, uma rodada de mate,
uma noitada, um afeto, um bem-me-que descoberto,
uma qualquer novidade, alheia a nossa vontade...
Podia haver mais que terra, pouca miséria,
junta, carreta, soga eoiteira, canga e arado,
benfeitoria e machado.

Pensei que fossemos fruto, suco, bagaço,
lenha, coivara, verde, queimada,
na alienação das porteiras do mata-burro a estrada!
Pensei que fossemos bando, nômades, músicos,
mouros e manos, fulanos sicranos,
sábios paisanos no despertar da manada!
Ai! milonga.... milonga buena.

Talvez me faça costado outra milonga ou gateado,
outra figueira, outra sombra, outra paixão sem delongas,
outra carícia antiga, mimosa como a saudade!

Talvez nem seja preciso usar o mesmo alarido,
do quero-quero tetino do boi-tá-tá de mangueira,
pra afugentar as ovelhas arrebanhadas pro gasto!
Preciso acostumar meu dom, aperfeiçoar a voz,
fortalecer o rebanho... ah! que tolice a minha, fazendo minha vidinha, ensimesmado de abraços!
Preciso amamentar a fome toda dos guachos,
regar a sede dos pastos dar pérolas aos porcos,
fazer tudo que gosto, pra dar por fim ao passo!
Ai!milonga.... milonga buena

segunda-feira, 25 de março de 2013

Uma Vampira na minha vida!

Prezados amigos!

Tendo interrompido as publicações por contingências pessoais,  retomo hoje as publicações periódicas aqui no nosso  O Criador e a Criatura e com absoluto prazer.
E segue o baile...
Os que acompanham, sabem que passei algum tempo publicando textos que falavam do desenvolvimento (ou falta de ) de determinados municípios com os quais de alguma forma ou de outra eu tinha relacionamento.
Por eu mesmo me considerar um chato, parei de me envolver há mais de dois anos... Deixo aos próceres de cada lugar as críticas, obras e etc que julguem cabíveis.
Contudo.... risos... vou lhes trazer aqui hoje um comentário do qual fui objeto, e que passados alguns dias, virou piada no meu círculo de amigos e familiares.
Insisto que nunca pensei em agredir ninguém e nenhum lugar. Minhas críticas, sempre foram no sentido de fazer minha parte no desenvolvimento social de cada lugar que citei, e reitero que desejo à todas as cidades e regiões do planeta prosperidade e vida boa à todos os habitantes.
Mas eis que.... risos... uma moça, com pseudônimo de Vampira de.... (omito o lugar para encerrar a polêmica) não gostou de um texto produzido por mim, que falava das precariedades do serviço de saúde de tal lugar e  "bolivarianamente" detonou o seguinte comentário: ( vou reproduzir " in verbis" suprimindo alguns termos que mesmo pra quem não tem preconceito acho meio pesado)

"pega tudo isso que você falou e enfie no C.., é idiotazinho da capital SIM, só pq é sei lá o que, acha que é deveras importante o que diz, o que meu gato enterra tem o mesmo valor disso tudo que você disse. ESPERO QUE VOCE SE F..., MAS QUE SE F... MESMO, E QUE VOCE SEJA ATROPELADO POR UM TREM, E QUANDO SEUS PEDAÇOS CHEGAREM AO IML, O LEGISTA AINDA COMA SEU C.. ... DESCULPA SE FUI GROSSEIRA, NÃO FOI MINHA INTENÇÃO QUERIDO, ANJO, FOFURA! Vampira de ......"

Bem... nem vou analisar isso, e se tivesse de fazer deveria começar pela própria autodenominação, pois Vampiro é um ser perverso, morto vivo, etc, etc, etc..... risos!
 Mas... como sou alguém que se preocupa com o sofrimento alheio, e tenta sempre que possível, amenizar as dores, vou elaborar melhor isso, dizendo que infelizmente o desejo da Vampira não poderá ser realizado.
Primeiro, porque apesar de sua cidade já ter sido um importante polo ferroviário do RS, há muito este meio de transporte não atende mais a região, o que torna improvável que a moça me seja sendo atropelado lá por um trem.
Segundo, pelo seguinte:
Conheço a maioria dos médicos legistas do RS que aliás, são profissionais dedicados e fazem verdadeiros milagres para o cumprimento de seus ofícios uma vez que lhes faltam recursos humanos e materiais. Não creio existir no meio daqueles, algum que tenha o desejo necrófilo de fazer o que a Vampira pede. Se fosse  a boca da Angelina Jolie, a bunda da Mulher Fruta aquela, ou ainda as pernas da Sharon Stone seria compreensível mesmo que patológico. Mas o meu C... depois de meu corpo estraçalhado por um trem???? Nenhum psicopata perverso teria estômago! ARGHHHHH.....
Mas... ainda que fosse possível existir alguém capaz disso, mesmo assim  o desejo da Vampira não seria realizado. Sabem porque? Porque na cidade dela não existe estrutura do IML( que hoje se chama DML) e o autor da façanha deveria ser chamado de Porto Alegre, Santa Maria ou Santa Cruz.....

Fraterno abraço
André        




quinta-feira, 22 de março de 2012

Homenagem ao Ari!


Em homenagem ao meu amigo e irmão de ideias e de guerrilhas, republico texto de 2009 daqui do Blog.
À ti meu irmão, e a todos os irmãos da turma de 94 lhes ofereço:

A NOITE BRINCALHONA DA BAHIA


Tenho recebido, com humildade, porém cada vez mais convicto de meus princípios, algumas críticas ( queixas??) sobretudo no que se refere à minha incapacidade de ser religioso, ou para ser mais honesto e objetivo, ao meu ateísmo.
Todos que acompanham o meu trabalho ao longo dos anos, sabem que minha obrigação e minha dedicação, tem a ver exclusivamente com meus pacientes em primeiro lugar, e em segundo lugar com a psicanálise, e que isso impossibilita que meu discurso seja fundamentado em crenças religiosas ou em dogmas de fé, etc.
Aos que não sabem, sou psicanalista Freudiano, e meus princípios analíticos seguem os ensinamentos de Jaques Lacan, e de outras tendências que não se afastem daquilo que Freud preconizou, e que na minha opinião, é a mais eficaz forma de amenizar as dores da alma humana.
Dito isso, quebro o paradigma e hoje, para poder falar da Bahia, vou ter que me aventurar pelo campo religioso...
A noite de Salvador, é como se fosse um campo habitado por rebanhos necessitados de pastoreio como disse Jorge Amado.
Os caminhos tortuosos de Salvador, essa cidade de becos e ladeiras, levam todos à um lugar que se posso chamar de poesia.
Em cada ladeira um ebó , em cada esquina um mistério e em cada coração noturno um grito de súplica, e em cada encruzilhada em Exu solto na perigosa hora do crepúsculo.
Na Bahia, a noite nasce no cais, e dali ela invade a cidade ainda molhada do mar.
E a noite da Bahia, essa mulher vestida de preto, percorre os botequins alegres dançando nas rodas de samba, requebrando sensualmente suas carnes africanas e mexendo seus seios marinhos. E ela brinca não só nos ensaios do Olodum e da timbalada. Ela brinca nas rodas das iawôs ela se faz mais brincalhona ainda.
A noite baiana, desrespeitadora de regras, nessas rodas é o orixá mais aclamado. Cavalo de todos os santos, ela se apresenta em Oxolufã com seus cajados de prata, curvado Oxalá, Yemanjá parindo frutos do mar, Xangô do raio e do trovão, Oxossi das florestas, de Omolu com suas mãos doentes, de Oxumaré das sete cores do arco-íris, o dengue do Oxum e a guerreira Iansã dos rios e fontes de Euá.
Todas as cores e todas as contas, as ervas de Ossani e suas mandingas, seus feitiços, suas bruxarias de sombras e luzes.
Do terreiro, a noite sai para os puteiros mais pobres onde as mulheres idosas vivem seu último tempo de amor e as meninas recém chegadas da área rural aprendem o difícil ofício de meretriz.
Mas ainda assim, é a noite da Bahia. Feita de prata e ouro, brisa e calor. Santa e puta que necessita de presentes para enfeitas ombros e braços, e gargalhadas, e cada ai gemido, cada soluço, cada grito, cada praga e cada suspiro de amor.
O Jorge já citado aqui disse, que pastorear a noite da Bahia, e tratá-la como se ela fosse um rebanho de inquietas virgens em idade de ter homem.
Fraterno Abraço


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

ARAGUA: O Resplendor da Vida Na Praia Mole!

Tudo começou quando pedi ao Cruel para que fosse olhar uma casa anunciada na internet, pois nos meus planos naquele início de 2003, estava incluida uma temporada na divina ilha de Florianópolis. O Cruel é meu sobrinho Luis, e as questões envolvendo o apelido que eu lhe dei carinhosamente(?!) quando ele ainda era criança, assim como as coisas que eu e ele passamos juntos (inclusive o aluguél da casa referida), por sua complexidade e dimensão, merecem uma publicação especial.
Hoje, quero falar daquela data quando fui apresentado ao Centro Desportivo e Cultural Aragua, paradisíacamente situado nas areias inimitáveis da Praia Mole. Na verdade, conhecer o Aragua foi a melhor coisa daquele verão.   
O Cruel, num dos muitos momentos de sabedoria da sua vida, resolveu trocar os retos desníveis do concreto e do asfalto, pelos voluptuosos e generosos desníveis das ondas da Mole, e foi indelevelmente inoculado pela ideia de vida e saúde à qual o Aragua mantém sua filosofia original.
Em tempos em que a mídia e a conjuntura expõe falcatruas envolvendo ongs fantasmas e políticos facínoras, recomendo aos meus amigos que conheçam o Aragua que aliás, deveria de servir de exemplo a todas as instituições que sonham em se tornar projetos de sucesso. 
Berço do Surf, não seria apenas licença poética dizer que do carinho, da força ideológica e do pioneirismo do Netão, nasceram as mais efetivas e dignas histórias do surf no Brasil, e diga-se de passagem, dali do Aragua da Praia Mole.
Depois daquele 2003, muitas vezes voltei ao Aragua.
Não lembro com exatidão se foi em 2005 ou 2006, mas lembro que cheguei em Floripa com os nervos à flor da pele numa madrugada de calor escaldante.
Problemas na clínica, trânsito de Porto Alegre, trânsito da 101 e todas as outras demandas que habitavam minha cabeça psicanalítica, me fizeram buscar socorro e energia na Praia Mole. Fui socorrido e ganhei vida nova. O ambiente fraternal do Aragua, emanava não só a simpatia e o acolhimento. Emanava vida no seu mais puro e complexo conceito.
Depois de uma competente sessão de acupuntura, tendo como guias o Netão (criador) e o Cruel (criatura), conheci os projetos do Aragua, e a ideia que eu tinha de que o Aragua era um lugar destinado exclusivamente aos surfistas, foi inundada com a certeza de que eu estava ante de um dos mais eficientes e dinâmicos trabalhos sociais que tive notícia.
Afirmo, que toda vez que frequento o Aragua, minha vida é renovada. Meu corpo sai purificado e minha alma se enche de entusiasmo com as lições de ecologia, função social e principalmente da lição de amor a natureza em benefício do ser humano.
Como cidadão brasileiro, sou agradecido aos idealizadores, direção e colaboradores por tudo que o CDC Aragua representa à comunidade e aos turistas da bela Floripa.
Como psicanalista, recomendo aos meus pacientes, amigos e leitores que neste verão que se inicia, incluam nos seus roteiros, uma tarde no Aragua da Praia Mole em Florianópolis.
Com sorte, serão brindados com a simpatia do Netão e quem sabe até sejam convidados à compartilhar um mate com a cuia de prata do Cruel.

Fraterno Abraço
André       

     
   

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Cidades, Meretrizes, Cafetinas e Corsários!

Pois bem! Depois de 3 meses, retorno ao Criador e a Criatura.
Andei travado. Vivi a experiência da desilusão e da perda pois descobri que, apesar de seletivo, aqueles que deram a "ideia de uma nova consciência e juventude estão cada vez mais nas suas casas, guardados por deus e cuidando do vil metal." Valei meu são Belchior que anda recluso em alguma hacienda uruguaia provando tannats, carmeneres e cabernets...
Mas, o vida segue e os horizontes cada vez se aproximam mais... E são tantos horizontes e nascem todo dia, um depois do outro... e... valei-me são Elton Saldanha: "Que empece el bando de los locos!"   
Quem me conhece, sabe que tenho a ver com algumas cidades específicas, principalmente porque nelas estão os familiares, e não por acaso as pessoas que mais me relaciono e amo. Dentre elas cito Porto Alegre por ser a minha cidade e de tantos outros meus, Cachoeira do Sul, Santa Cruz do Sul, Florianópolis, Rio de Janeiro e nos últimos 5 anos, a longuinqua (pero no mucho) Boston nos Estados Unidos. Neste círculo, vivem meus familiares.
Comunidades distintas, com culturas e histórias diferentes cuja única coisa em comum é o fato de serem habitadas por seres humanos. Dai, surge o questionamento: Valei-me meu são Caetano Veloso:  
"Tem que se esconder no escuro
quem na luz se banha
por debaixo do lençol
Nessa terra a dor é grande
e a ambição pequena
carnaval e futebol
quem não finge, quem não mente
quem mais goza e pena
é que serve de farol.
Toda noite é a mesma noite
a vida é tão estreita
nada de novo ao luar
todo mundo quer saber
com quem você se deita
nada pode prosperar..."

Penso que todos os lugares que conheço e os que não conheço, são reféns da experiência e da sabedoria da Tieta do Jorge Amado e que Caetano refere nos versos que citei acima.
Vejo ai uma metáfora que configura um lugar refém da vontade de uma meretriz aposentada cuja vida de puta não lhe trouxe sucesso financeiro, que agora vive o momento como próspera cafetina.
Penso que o pessoal da "gestapo" que me espreita, aliado ao pessoal do "doi-codi" que me policía, vai no mínimo dizer que estou sendo incoerente.
Tudo bem.... estou andando pra eles e informo aos que se deixam emprenhar pelas orelhas que as cidades citadas não passam de figuras simbólicas neste texto.
Daí... valei-me meu são João Bosco, pois:

" Meu coração tropical está coberto de neve mas,
ferve em seu cofre gelado, a voz vibra e a mão escreve: MAR...
Bendita lâmina grave, que fere a parede e traz
As febres loucas e breves
que mancham o silêncio e o cais."

Nos últimos três meses, me envolvi num projeto único, e que vai dar o que falar. Estaremos desenvolvendo um trabalho nunca realizado no Rio Grande do Sul, e que será divisor de águas no aspecto, social, institucional e de qualidade de vida de amplo segmento da sociedade gaúcha envolvendo mais de 100 municípios. Por isso, minhas publicações talvez, sejam mais espaçadas, mas vou informar par e passo ao amigos que me honram com a leitura do Criador e a Criatura.
Até porque, mesmo com "gestapos", "doi-codis"  e outras "granadas de Espanha", ainda tenho os santos que me protegem. E de novo valei-me meu são João Bosco, pois:

"...por você, eu, teu corsário preso
vou partir a geleira azul da solidão
e buscar a mão do mar
me arrastar até o mar,
procurar o mar."  

Fraterno abraço
André




      

   

sábado, 30 de abril de 2011

Diana! A Mitológica Deusa da Caça.

Não serei eu, mera criatura, quem vai dizer que Diana entrou na minha vida por acaso. Freud, o criador, já estabeleceu que o acaso não existe.
Portanto, vamos aos fatos, como dizem os advogados ao iniciarem suas lides de defesa ou de acusação. Prezados leitores, me julguem somente no final da exposição dos motivos...    
Era uma quinta feira nebulosa aquela. Ainda pela manhã um estado quase melancólico me sinalizava que o dia seria diferente e que provavelmente algumas angústias em mim encontrariam morada.
O café forte e preto fazia seu papel despertador e o jornal já me esperava repousando no ventre da caixa de metal emprenhada pontualmente pelo jornaleiro.
A segunda página já tornou mais nebulosa minha manhã de outono gaúcho. Penso que os barões famintos dos becos imundos estarão de olhos vidrados nas vitrines de TV, vibrando com o casamento dos pequenos burgueses de Londres como se aquilo fosse tão importante como o grenal que se aproxima.
Lembro do Chico e canto em silêncio: "... vão viver sob o mesmo teto até explodir o ninho..."!
Ao sair de casa, já percebo que minha tolerância ante aos mal educados motoristas da filas duplas está em fase de profundo esgotamento. Na primeira sinaleira, alguém de idade indefinida, para ao meu lado e previ que o verde do sinal levaria séculos para aparecer. O carro velho dele, carregava sob o chassi uma boate de última geração. Empanturrado de decibéis e da péssima mistura de pagode com sertanejo universitário (argh...), faço uma cara tão feia que o indivíduo  obrigou-se a diminuir o volume para que somente metade da cidade ouvisse.     
Minha agenda daquele dia abriu-se nas primeiras horas da tarde daquela quinta...
Resolvi dirirgir à esmo... e assim... me deparei com ela!
Quando a vi, lembrei do ótimo Antônio Carlos Resende, escritor gaúcho. Ele, num título seu descreveu a visão que eu estava tendo pela primeira vez: Magra mas não muito, as pernas fortes, morena.
Diana me fuzilou com seus olhos verdes e desse olho no olho, ficou evidente que ficarímos juntos naquela tarde que começava a ficar iluminada...
Pragmático, percebi que aquela que, não por acaso tinha o mesmo nome da mitológica deusa da caça, não vinha de berço explendido e que apesar de sua pouca idade, provavelmente já tinha passado por privações amargas.
Me encantei por ela. Seus cabelos negros... seus olhos claros... suas pernas fortes...o resplendor  de sua condição de ninfeta... Me encantei por ela...
Naquela tarde de quinta, o corpo de Diana respondeu aos meus carinhos. A cada toque que eu proferia em suas pernas e nas suas curvas, minha deusa da caça tornava-se mais e mais cativa...
Não tive coragem de deixá-la e resolvi assumir Diana levando-a para casa. A loura amada que divide comigo há mais de vinte anos a cama, centenas de alegrias e milhares de angústias, entenderia... afinal, que monstro seria eu se abandonasse Diana depois daquela tarde? A Loura Amada entendeu...
No final daquela tarde, nós três percorremos a cidade em busca das melhores iguarias, e Diana ganhou um banho de loja.
Linda por natureza, a sílfede transformou-se na mais nova alegria da minha vida...
Naquela noite, me dividi entre a cama da amada esposa, e o quarto de hóspedes de onde ao longe sentia o perfume doce da loção de Diana...
Hoje sábado, programei que confraternizaremos com salmão e cabernet sauvignon...afinal, Diana está conosco para ficar.
Diana, a nossa mitológica deusa da caça, uma linda gatinha de dois meses de idade, da raça Sagrado da Birmânia, integra-se aos sete canários belgas ( Sigmund Freud e seus filhos ) e transformam em verão cada dia de outono das nossas vidas.

Fraterno Abraço
André