"Uma pessoa que, como eu, evoca o que há de mais perverso dentre os demônios parcialmente domados que habitam a besta humana, e tenta enfrentá-los, não pode esperar sair incólume desta batalha." Sigmund Freud
sexta-feira, 4 de abril de 2025
Que venha o meteoro!
domingo, 19 de janeiro de 2025
O Complexo de Édipo que eu penso!
Meus Prezados!
Tive o prazer inenarrável de participar na semana passada de uma festa onde se reuniram os coleguinhas da minha filha.
Tudo ótimo e de cara, agradeço ao meu amigo Dr Alex e esposa, pais da Melissa aniversariante ,pelo convite e pelo encantamento da acolhida e da festa.
Nessa reunião, com os outros pais e mães, falamos especialmente da minha preocupacao com a evolução da Inteligência Artificial. Essa "ferramenta" realmente me impressionou pois diferente de outras formas, ela por exemplo produziu o texto que vou compartilhar a seguir.
Pra fazer o teste, perguntei pra IA, o que André Lacerda, psicanalista, pensa sobre o complexo de édipo e suas repercussões clínicas. Tudo à seguir foi a IA que produziu. Vou editar algumas coisas porque ela cita: Lacerda, que é um dos "pensadores do Uol" (e eu não sei nada sobre isso) ...menos mal que me inclui no UOL, e poderia ser pior me incluindo como pensador da Jovem Pan, que nos últimos anos se transformou num diário oficial da extrema direita fascista, nojenta e tudo de ruim na minha opinião.
Outro ponto que edito, é que a IA buscou texto meu escrito no início de carreira, defendendo tese, e sendo texto acadêmico era escrito pra iguais (na formação) e mestres da minha área.
Portanto...quando aparece "fase fálica" onde ocorre os tempos de Édipo ou Trama edípica, lemos que isso ocorre entre os 3 e os 6 anos de idade.
Outra coisa, sobre as psicopatologias que podem ser consequência de um Édipo não resolvido. Pra psicanálise, Neuroses , Psicoses e Perversões, são os três grupos já citados em Freud. Nas neuroses, estão todos os transtornos citados na psiquiatria moderna (TDAH, etc). Nas Psicoses estão aquelas precedidas do sintoma alucinação (esquizofrenia etc). Já as Perversões encerra tudo aquilo que chamamos atualmente de psicopatia e sociopatia.
Era isso meus amigo...então eis o que a IA disse que EU penso sobre um tema que estudo há mais de 30 anos e tenho dezenas de publicações inclusive nos meus dois livros já falados aqui.
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Complexo de Édipo, no contexto da teoria psicanalítica de Jacques Lacan, é uma releitura e ampliação do conceito originalmente desenvolvido por Sigmund Freud. Lacan integra o Complexo de Édipo ao que ele chama de ordem simbólica, dando destaque ao papel da linguagem, do desejo e da estruturação do sujeito. A seguir, explico os pontos principais dessa abordagem:
1. O Nome-do-Pai e a Função Paterna
Lacan substitui a figura do pai literal pelo conceito de Nome-do-Pai (Nom-du-Père), que não se refere necessariamente ao pai biológico, mas sim à função simbólica que estabelece a lei e a proibição. Essa função:
Introduz o sujeito à ordem simbólica (a dimensão da linguagem e das leis sociais).
Rompe a relação simbiótica entre a mãe e a criança, ao proibir o acesso direto ao desejo materno.
2. Os Três Tempos do Complexo de Édipo
Lacan estrutura o Complexo de Édipo em três momentos:
Primeiro tempo: A criança percebe que a mãe é objeto de desejo, mas esse desejo não se dirige exclusivamente a ela. Aqui, surge a figura do pai como aquele que compete pela atenção da mãe.
Segundo tempo: A criança descobre que o desejo da mãe está submetido a algo maior, o que Lacan chama de falo. O falo não é um órgão físico, mas um significante que representa o que falta à mãe e organiza os desejos no campo simbólico.
Terceiro tempo: A criança internaliza a proibição do incesto, aceita a lei simbólica (a função do Nome-do-Pai) e passa a ocupar seu lugar na estrutura social e no campo do desejo.
3. A Castração Simbólica
A castração em Lacan não é literal, mas simbólica. Ela representa o limite que a linguagem e a lei impõem ao desejo. Aceitar a castração simbólica é fundamental para a entrada na ordem simbólica e para a constituição do sujeito como ser desejante.
4. O Falo como Significante
No Édipo lacaniano, o falo desempenha um papel central. Ele não é um objeto concreto, mas sim um significante do desejo que regula as relações entre os sujeitos na ordem simbólica. A criança percebe que ninguém o possui plenamente, nem o pai, nem a mãe, nem ela mesma, o que organiza o desejo de maneira estrutural.
5. A Formação do Sujeito
A passagem pelo Complexo de Édipo é essencial para a constituição do sujeito. É nesse momento que o sujeito se estrutura em relação ao desejo do Outro (principalmente o desejo da mãe) e aceita a diferença sexual e a separação como parte de sua existência.
Em resumo, Lacan desloca o foco do Édipo freudiano da questão puramente edipiana (a rivalidade com o pai pelo amor da mãe) para uma abordagem mais ampla, que enfatiza o papel da linguagem, da lei e da função simbólica na constituição do sujeito e na estruturação do desejo.
A análise clínica do Complexo de Édipo é uma abordagem central na psicanálise, especialmente no pensamento freudiano, e envolve a investigação de dinâmicas emocionais e inconscientes entre a criança e os pais ou figuras parentais. Este conceito é fundamental para entender o desenvolvimento psicossexual, relações familiares e estruturas de desejo e identidade.
O que é o Complexo de Édipo?
O Complexo de Édipo é a manifestação de desejos inconscientes da criança direcionados ao pai do sexo oposto e sentimentos ambivalentes em relação ao pai do mesmo sexo. No modelo freudiano, ele ocorre principalmente durante a fase fálica do desenvolvimento (entre 3 e 6 anos de idade). Este complexo pode ser dividido em duas dimensões:
Positivo: Desejo pela figura parental do sexo oposto e rivalidade com a do mesmo sexo.
Negativo: Identificação com o pai do sexo oposto e hostilidade em relação à figura do mesmo sexo.
Expressões clínicas do Complexo de Édipo
Clinicamente, o Complexo de Édipo pode ser observado por meio de:
1. Ansiedades ou conflitos em relações interpessoais: Dificuldades em estabelecer laços afetivos ou padrões de atração e rejeição podem refletir conflitos edipianos não resolvidos.
2. Repressão ou deslocamento: Desejos e impulsos edipianos podem ser reprimidos, surgindo de maneira indireta, como sintomas neuróticos, fobias ou comportamentos obsessivos.
3. Relações parentais disfuncionais: Interações excessivamente possessivas ou conflitantes com os pais podem indicar resquícios não resolvidos do complexo.
4. Transferência em análise: Durante a psicanálise, o paciente pode projetar no analista figuras parentais, revivendo os conflitos edipianos. Esta transferência oferece uma oportunidade terapêutica para compreender e trabalhar os sentimentos inconscientes.
Diagnóstico clínico
Na prática clínica, a investigação do Complexo de Édipo envolve:
História psicossexual do paciente: Exploração de relações familiares, narrativas infantis e a dinâmica emocional entre pais e filhos.
Sintomas psíquicos ou comportamentais: Ansiedade, culpa, ciúme ou sentimentos de inadequação podem ser reflexos de conflitos edipianos.
Análise dos sonhos: O conteúdo dos sonhos muitas vezes reflete desejos e conflitos inconscientes associados à dinâmica edipiana.
Observação do padrão de relações: Análise das relações do paciente com figuras de autoridade, parceiros românticos e amigos.
Desenvolvimento saudável e resolução
A resolução do Complexo de Édipo é fundamental para o desenvolvimento emocional saudável. Segundo Freud, a resolução ocorre quando a criança:
Aceita a impossibilidade do desejo incestuoso.
Identifica-se com o pai do mesmo sexo, internalizando valores, normas e limites.
Sublima os impulsos sexuais e redireciona as energias para outros interesses.
Se não resolvido adequadamente, o Complexo de Édipo pode resultar em:
Fixações: Permanência em conflitos edipianos não resolvidos, gerando dificuldades emocionais e relacionais.
Regressões: Retorno a estágios anteriores de desenvolvimento em momentos de estresse.
Transtornos psíquicos: Depressão, ansiedade ou transtornos de personalidade.
Aplicações na clínica contemporânea
Embora o conceito de Complexo de Édipo tenha sido questionado e revisado, ele permanece relevante em várias práticas clínicas:
1. Psicoterapia psicanalítica: Investigação dos conflitos infantis e suas repercussões na vida adulta.
2. Terapia familiar: Compreensão de padrões disfuncionais herdados de gerações anteriores.
3. Psicodinâmica do desejo: Análise das escolhas de parceiro e das dinâmicas emocionais em relacionamentos.
O Complexo de Édipo, mesmo reformulado por correntes contemporâneas, continua sendo um instrumento valioso para explorar a constituição do psiquismo humano e os conflitos que permeiam as relações familiares e sociais.
Ainda boquiaberto, e com medo de que realmente estejamos próximos do final dos tempos que conhecemos até então... espero ter ajudado (enquanto ainda o velho psicanalista seja útil)...
Fraterno Abraço
André Lacerda - Psicanalista
sábado, 28 de setembro de 2024
Do Iluminismo à "moda" do chinelo com meia branca!!
Eu juro que queria falar das maravilhas experiências que estou tendo acompanhando o desenvolvimento de minha filha numa das mais bem conceituadas escolas de Porto Alegre.
Andando pelo colégio fico imaginando a luta de Marcelino, estando o mundo ainda com a ressaca da idade das trevas e por fim começando a respirar o iluminismo, na maravilhosa Lyon, idealizando a educação que se tornaria global e de sólida importância na vida de milhões e milhões de jovens...a começar pela minha.
E foi no meio desse pensamento que vi...e vi novamente...e vi dezenas...daí...embasbaquei!
Erwing Goffman, prestigiado psicólogo e escritor, escreveu um livro que deveria ser leitura obrigatória para quem ousasse pensar em porque as coisas são como são. Falo de MANICÔMIOS,PRISÕES E CONVENTOS. Ali, o autor fala das instituições totais, e principalmente dos protagonistas desses nichos da vivência humana.
E daí...lembrei de uma coisa que não sei se é verossímil ou se é apenas uma lenda urbana. Provavelmente é verdade, porque já ouvi de pessoas oriundas do sistema prisional.
Eis a coisa:
Quando um indivíduo (pelas vias mais diversas e que nessa crônica não vamos abordar) começa a cumprir pena na prisão, é sabido que ele é alvo de importunação sexual (estou cuidando pra não mostrar muita violência no que escrevo, mas entendasse como importunação sexual, estupro, curra e toda espécie de violência física).
Pois bem...antes de ser efetivamente estuprado, currado etc, o indivíduo apanha muito...apanha até perder o poder de reagir...e daí....
Até que um dia desiste de querer reagir e pelo menos das surras homéricas ele se livra...
Pra todo mundo saber que não precisa bater mais e que está tudo "certo", o indivíduo adota uma postura de praxe dentro do sistema prisional. Pra mostrar que ele está "aberto" a todo tipo de relacionamento sexual, ele passa a usar as calças bem abaixo da linha da cintura. Mas bem abaixo...aparece a cueca e até partes mais íntimas da anatomia se é que me entendem...
Mas...isso livra o indivíduo apenas do espancamento prévio. Continua no entanto, o estupro, a curra, e todo tipo de agressão sexual...
O sistema se molda. "Mutatis mutandis "...
Então o sistema criou outra convenção.
Quando o indivíduo cansa da rotina "grupal", basta ele manifestar a vontade de casar. Ou seja...não quer mais ser estuprado, currado, violentado por muitos. Escolhe (como se isso pudesse ser chamado de escolha) ser a "noiva" ou a "esposa" de algum outro indivíduo (que tenha capacidade de protegê-lo) e para demonstrar isso, adota outra característica no vestuário: passa a usar meias brancas com chinelo. Isso significa que:
" estou disponível para ser a "noiva" e posso lhe servir como "esposa".
Reli o que escrevo até agora é confesso que fiquei nauseado...
Mas vamos em frente.
O que tem isso a ver com o Iluminismo, com a belíssima história de Marcelinho Champagna, com o Erwing Goffman e a coisa lúdica de lembrar meu tempo de aluno andando pela escola da minha filha????
Tem a ver com o que vi...e vi novamente e vi dezenas de vezes...
Dezenas de meninos e meninas, jovens adolescentes (13,14,15,16,17,18 anos calculo eu),"desfilam" pelos corredores da escola a "moda" das calças caídas (não muitos), e das meias brancas sob os chinelos ( muitos...dezenas)...
Esta escola, uma das mais bem conceituadas de Porto Alegre, não é uma Instituição Total, e a orientação pedagógica é progressista, humanista e de primeira grandeza.
Os meninos e meninas não vivem em fétidas masmorras sob o domínio do medo e da obscuridade.
Será que eles e elas e os pais deles e delas sabem da origem desses "modismos"?????
Ou sera que Umberto Ecco estava certo quando falou que a evolução da tecnologia da comunicação (Internet e as redes sociais) além do acesso fácil à todo o saber humano, também traria a brutal epidemia de imbecis e ignorantes????
Sei lá...
Valei-me São Marcelino.
Valei-me todos os priores do santo iluminismo.
Fraterno abraço.
André Lacerda- Psicanalista
quarta-feira, 21 de agosto de 2024
Alma Tranquila e Coração Sereno!!
sábado, 10 de agosto de 2024
Reinundei a Zona Sul!!
quinta-feira, 1 de agosto de 2024
Das Olimpíadas à venezuela.
segunda-feira, 1 de julho de 2024
Viva São João...e todos os santos...porque nao vamos viver!
Estava tentando não tocar no assunto. Não agora. Todo mundo está falando. Eu não queria falar nisso...mas.....
Estamos em 1 de julho...pelo que vejo, não tem mais aquela mobilização emocional do momento (e não estou sendo mal agradecido porque aquilo tudo ajudou muito), e Porto Alegre e grande parte do Rio Grande do Sul, ainda vive numa situação absurdamente cruel. Muito cruel.
O cenário talvez seja comparado à praças de guerra, e tem muito lixo, lama, lama, lama, e lixo...
Mas o lixo que tem era a vida das pessoas até 40 dias atrás... não é lixo que era lixo. É lixo do que era conquista...as conquistas viraram lixo.
Certamente vamos voltar a viver...
Eu ainda não sei como...mas vamos voltar a viver...por enquanto só tá doendo. Mas vamos voltar a viver.
E a coisa foi democrática. Absurdamente democrática. Atingiu todo mundo. Não teve rico nem pobre.. todo mundo foi atingido...
Muito cruel...
Mas vamos voltar à viver... não sei como, mas vamos voltar a viver...
E por aí vamos...teve festa junina e me esbaldei junto com Isabelle na festa da escola...
Foi tudo muito legal... e desse legal, me chamou atenção nosso novo normal: pra tudo hoje, temos que pensar que vamos voltar a viver, então antes de entrarmos todos na escola pra festa, depositamos litros de leite pra entregar pra quem está sem leite.
E a forró toca e eu danço com minha filha:
" não é hora pra chorar ..porém não é pecado se eu falar de amor...."
Nós vamos voltar a viver...
Fraterno abraço
André Lacerda - Psicanalista
