quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Retorno à Freud!

Citei várias vezes e repito: Não tem como considerar-se psicanalista, sem ter a essência freudiana. Lacan, em seu seminário de Roma estabeleceu aos seus alunos: "Vocês que sejam lacanianos. Eu, sou e sempre serei, Freudiano!" 
Então, vou dar uma folga aos leitores (risos), e deixo de lado (pero no mucho...risos) Lacan e suas teorias ( que ao meu juízo foram as mais efetivas releituras e retorno à Freud) e inicio hoje a série RETORNO À FREUD.
Sigmund Freud, está na minha opinião, entre os 5 maiores pensadores da história humana. Ainda na minha opinião, é o maior deles. Todo mundo cita Freud. Dentro dessas circunstâncias, me surgiu a ideia de escrever a série que inicio hoje. Espero que gostem e através dos comentários, espero também aprender com todos que prestigiarem meu texto.
Vou citar vários biógrafos do mestre. Mas fundamentalmente, vou me apoiar no trabalho da Psicanalista Amina Maggi Piccini (Freud, Ed Moderna, 1986) que notabilizou-se por estudar e ensinar a obra freudiana e na obra citada fotografa com maestria não só as ideias, mas também a vida pessoal e a época do narrado.
Meu trabalho, diferente do usual, começará pelo fim. Vou começar com os últimos momentos, e assim vamos evoluindo até o nascimento. 
Então... segue o baile.

No fim da vida a inspiração de Freud foi conseguir terminar a vultuosa obra Moisés e o monoteísmo, o que realmente ocorrerá com sua publicação em 1939, enquanto Esboço de Psicanálise foi deixado inacabado.
Em carta ao amigo Romain Rolland, o fundador da Psicanálise escreveu:
 " Uma grande parte da obra de toda a minha vida tem sido gasta tentando destruir as minhas ilusões e as de toda a humanidade."
Penso que essa frase possa ser a mais indicada para iniciar esse estudo de retorno à Freud.
Vejam prezados amigos, que uma narrativa sobre a vida de alguém deveria terminar quando esse alguém morresse. Contudo, isso é impossível em se tratando de Freud, que continua vivo através de suas obras, algumas das quais escreveu competindo com a morte, para que esta não o levasse à linha de chegada antes de concluí-las.
Apesar das dificuldades por que passou, e que vou tentar resumir no decorrer da série, Freud nunca decresceu no vigor de sua produção literária e científica.
Destaco para início de conversa, a grande "briga" que o mestre adotou como sua escrevendo ( em péssimas condições de saúde física) A Questão da Análise Leiga que foi motivada pelo processo que vitimara seu discípulo, não médico, Theodor Reik. Freud colocou-se em posição diferente da de seus próprios discípulos, que preconizavam a Psicanálise exercida apenas por médicos. O mestre, ao contrário, considerava que a Psicanálise não poderia ser apenas "mucama" da medicina.
Ao percorrermos as últimas obras de Freud podemos perceber duas características. A primeira é que várias delas (Psicologia de grupo e análise do ego, de 1921; O futuro de uma Ilusão, de 1927; O Mal estar na civilização, de 1930; Moisés e o monoteísmo, de 1937-1939) abordarão questões culturais, sociológicas, históricas e antropológicas, enquanto ele aprofundava questões clínicas. Todavia, devemos lembrar que para Freud esses estudos não se inserem em áreas separadas da psicologia mas constituem uma continuação dela, vista em suas aplicações mais abrangentes. A segunda característica é que em suas últimas obras Freud traz um tom bem menos otimista, diríamos até bastante pessimista, da condição humana dentro da cultura, que frequentemente nega a verdade psíquica das pessoas que a compõe.
Mesmo com relação ao tratamento, é possível perceber uma diferença entre a euforia de suas primeiras obras e a avaliação meditada dos perigos e limitações quando usado por pessoas despreparadas, ou apressadas, ou levadas pela crença superficial de que a pesquisa do inconsciente possa ser previamente estabelecida quanto ao seu rumo (conforme aparece em Análise terminável e interminável, de 1937).
Amanhã seguimos...
Fraterno abraço  
André


  

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