quarta-feira, 6 de novembro de 2013

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Depois de uns dias sabáticos retorno com a série comentários. Insisto que à tudo o que estamos comentando, encontra-se nos arquivos da página e do blog. 
Dito isso... sigamos:

Depois de Freud, Lacan e Melanie Klein são os que foram mais longe na reformulação global da teoria psicanalítica. Estes dois gigantes introduziram tal vastidão de mudanças nas concepções que, com acertos e erros, a psicanálise se modificou depois deles. Assim como nos anos 60 houve a moda kleiniana, agora ( depois da década de 80), em alguns lugares como Buenos Aires e Porto Alegre no Brasil, dissemina-se o ensino lacaniano. 
Em Lacan, o poder da letra e do código sobre o indivíduo é completo. A obra lacaniana insiste em que o sujeito fica inscrito a partir de fora, sem liberdade de escolha.O estruturalismo utilizado revive a paixão pela razão, colocada na estrutura, como a racionalidade causal auto-regulada; desaparece ao acaso, a casualidade, exagerando-se o determinismo dos fatores externos ao sujeito. Atualmente, muitos pensam a mente como um lugar em que se produzem sentidos infinitos. Freud, por seu turno, propôs, com sua teoria das séries complementares, um equilíbrio entre o interno e o externo.
A primazia do significante, entendida não só como fato linguístico, mas em um sentido amplo e social, leva-nos a pensar que o símbolo determina o homem, torna-o escravo de sua marca, do emblema e da tradição ou ritual. O discurso da ciência (fora das paixões imaginárias) é discurso simbólico, mas, como aceitar seu desenvolvimento, sua mudança, a criação, a intuição ou a especulação, quando se entra em um beco sem saída, ao asseverar que a estrutura significante é inapelável para o sujeito, tendendo a se repetir continuamente?
Lacan diz, algumas vezes, que o significado luta por se expressar, e, em outras, que o significante tem atividade produtiva e não expressiva. Pode ser que se trate de contradições internas do modelo, mas é também possível que se refira a ordens diferentes. Em um sentido, a primazia do significante reivindica o peso da cultura na determinação do sujeito. É através da linguagem e dos símbolos que o sujeito se constitui, pois é determinado por eles. Primazia do significante quer dizer, então, que a estruturação do sujeito deriva da convenção linguística e social. Indubitavelmente, há verdade nestas ideias.

Fraterno abraço
André
          

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